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Medalha Nacional de Ciência: Trump premia Jensen Huang, Elon Musk, Lisa Su e Sergey Brin, e Satya Nadella e Michael Dell recebem a de Tecnologia

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Matéria narrada pelo Professor

Em 8 de outubro de 2026, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, entregou as duas maiores honrarias científicas e tecnológicas do país a seis executivos do setor de tecnologia. Jensen Huang, da Nvidia, Elon Musk, da SpaceX e da Tesla, Lisa Su, da AMD, e Sergey Brin, cofundador do Google, receberam a Medalha Nacional de Ciência. Satya Nadella, da Microsoft, e Michael Dell, da Dell, receberam a Medalha Nacional de Tecnologia e Inovação. Foi a primeira vez que Trump entregou essas medalhas, contando os dois mandatos, e a lista não incluiu nenhum pesquisador acadêmico, o que rompe com a tradição dos prêmios. Esta matéria explica o que são as duas medalhas, por que cada um foi premiado, segundo a Casa Branca, e a relação desses executivos com o governo americano.

O que aconteceu

A entrega aconteceu durante uma cúpula chamada “Science: A New Golden Age”, algo como “Ciência: uma nova era de ouro”, no Instituto da Paz dos Estados Unidos, em Washington. Trump entregou as medalhas ao lado de Michael Kratsios, diretor do Escritório de Política Científica e Tecnológica da Casa Branca.

O comunicado oficial lista seis premiados, todos empresários:

Premiado Empresa Medalha
Elon Musk SpaceX e Tesla Ciência
Sergey Brin Google, cofundador Ciência
Jensen Huang Nvidia Ciência
Lisa Su AMD Ciência
Michael Dell Dell Tecnologia e Inovação
Satya Nadella Microsoft Tecnologia e Inovação

Cientistas participaram da cúpula como palestrantes, mas sem medalha, entre eles o físico John Martinis, ganhador do Nobel, e Farnam Jahanian, presidente da Universidade Carnegie Mellon. A cerimônia também homenageou John Trump, tio do presidente, engenheiro do MIT premiado com a Medalha de Ciência em 1983.

“Inovadores como estes seis premiados são os arquitetos do futuro”, declarou Kratsios.

O que são as duas medalhas

As duas honrarias são concedidas pelo presidente dos Estados Unidos e são consideradas as mais altas do país nas suas áreas.

A Medalha Nacional de Ciência foi criada por lei em 1959 e entregue pela primeira vez em 1963, pelo presidente John Kennedy, ao engenheiro aeroespacial Theodore von Kármán. O processo é conduzido pela Fundação Nacional de Ciência, a NSF, a principal agência de financiamento de pesquisa básica do país: colegas indicam candidatos, um comitê recomenda nomes e o presidente decide. O critério é ter feito pesquisa de mérito significativo ou de grande impacto na área. Já receberam a medalha nomes como o físico Richard Feynman, o químico Linus Pauling, a geneticista Barbara McClintock e o economista Milton Friedman.

A Medalha Nacional de Tecnologia e Inovação foi criada em 1980 e entregue pela primeira vez em 1985. É conduzida pelo Departamento de Comércio, por meio do escritório de patentes. O critério é diferente: contribuições ao bem-estar econômico e social por meio do desenvolvimento e da comercialização de tecnologia. Entre os premiados estão Steve Jobs e Steve Wozniak, os fundadores da Intel Robert Noyce e Gordon Moore, a cientista da computação Grace Hopper e Bill Gates.

A diferença importa para entender a polêmica. A medalha de Tecnologia foi feita para premiar quem leva inovação ao mercado, e empresários sempre estiveram na lista. A de Ciência, ao contrário, sempre foi dada sobretudo a pesquisadores. Na cerimônia anterior, em janeiro de 2025, com o presidente Joe Biden, foram catorze medalhas de Ciência, quase todas para cientistas acadêmicos.

O comunicado da Casa Branca não menciona a participação da NSF nem do Departamento de Comércio na escolha deste ano.

Por que cada um foi premiado, segundo a Casa Branca

As justificativas oficiais, resumidas:

– Jensen Huang: transformou o processador gráfico, a GPU, criado para jogos, numa arquitetura de computação de uso geral, o que permitiu cálculos em paralelo em grande escala, simulações científicas e o avanço da inteligência artificial.

– Lisa Su: uma carreira de liderança em semicondutores e computação de alto desempenho, com a integração de chips em módulos menores, os chiplets, que alimentou o primeiro supercomputador de exaescala do mundo, capaz de um quintilhão de operações por segundo.

– Elon Musk: feitos de engenharia “de ambição e escala extraordinárias” em exploração espacial, sistemas inteligentes e comunicações. A Tesla não é citada no texto.

– Sergey Brin: algoritmos fundamentais de busca e processamento de informação, que mudaram o acesso do mundo à informação.

– Satya Nadella: reposicionou a Microsoft para a era da computação em nuvem e construiu a infraestrutura de grande escala usada para treinar e operar a inteligência artificial americana.

– Michael Dell: difusão da computação pessoal e corporativa, construção de uma empresa global e apoio à formação de novos cientistas e engenheiros.

Na cerimônia, Trump chamou Musk de “Thomas Edison dos tempos modernos” e de “tesouro nacional”, segundo o site Teslarati.

O que cada um construiu

Por trás das justificativas oficiais há trajetórias que ajudam a entender o peso de cada nome na tecnologia atual.

Jensen Huang fundou a Nvidia em 1993, com Chris Malachowsky e Curtis Priem, para fazer chips gráficos para jogos. A virada veio em 2006, com o CUDA, uma plataforma que permitiu usar a placa de vídeo para cálculos de qualquer tipo, não só para desenhar imagens. Foi essa ferramenta que, anos depois, tornou as GPUs da Nvidia o motor do treinamento de inteligência artificial.

Lisa Su, engenheira elétrica com doutorado pelo MIT, assumiu a presidência da AMD em 2014, quando a empresa estava perto da falência. Sob o comando dela, a AMD apostou nos chiplets, chips montados a partir de peças menores, e voltou a disputar o mercado de processadores para computadores e servidores.

Sergey Brin criou o Google com Larry Page em 1998, a partir de um projeto de doutorado em Stanford sobre como ordenar páginas da internet pela quantidade e pela qualidade dos links que apontam para elas, a base do algoritmo PageRank.

Satya Nadella assumiu a presidência da Microsoft em 2014 e reorientou a empresa para a computação em nuvem, com o Azure, e depois para a inteligência artificial, com a parceria com a OpenAI.

Michael Dell fundou a empresa que leva o seu nome em 1984, ainda estudante da Universidade do Texas, vendendo computadores montados sob encomenda diretamente ao cliente, sem lojas intermediárias.

Elon Musk fundou a SpaceX em 2002 com a meta de baratear o acesso ao espaço; a empresa tornou rotineiro o pouso e a reutilização de foguetes e opera a rede de satélites Starlink. Musk também comanda a Tesla, da qual é o principal executivo desde 2008.

A relação dos premiados com o governo

A escolha chamou atenção também pela proximidade dos premiados com a Casa Branca. Segundo a rede NBC, todos contribuíram de alguma forma com campanhas ou causas de Trump ou do Partido Republicano.

Musk foi o maior doador da campanha de 2024, com pelo menos US$ 230 milhões, segundo a Spectrum News; outras fontes falam em valores maiores. Chefiou o Departamento de Eficiência Governamental, o DOGE, até maio de 2025, rompeu publicamente com Trump, que ameaçou cortar contratos das empresas dele, e depois se reconciliou com o presidente. A SpaceX tem contratos bilionários com o governo, incluindo US$ 4,16 bilhões da Força Espacial para satélites de rastreamento do Golden Dome, o escudo antimísseis anunciado por Trump. Em fevereiro de 2026, a SpaceX comprou a xAI, empresa de inteligência artificial de Musk que faz o Grok, rebatizada em julho como SpaceXAI.

Huang e Su comandam as duas empresas que mais dependem das decisões de Washington sobre exportação de chips. Em agosto de 2025, Nvidia e AMD aceitaram repassar ao governo americano 15% das vendas de chips de IA para a China em troca de licenças de exportação; Trump disse que havia pedido 20% e negociado com Huang. Em janeiro de 2026, uma tarifa de 25% passou a atingir chips avançados que não se destinam a uso nos Estados Unidos. Huang, Su e Musk sentaram-se à mesa principal no jantar oferecido ao presidente chinês Xi Jinping.

Google e AMD doaram, cada uma, US$ 1 milhão ao fundo da posse de Trump, segundo o MS NOW. Michael Dell e a esposa comprometeram US$ 6,25 bilhões com as “Trump Accounts”, poupanças para crianças criadas pelo governo.

No mesmo dia da cerimônia, o vice-presidente JD Vance anunciou a suspensão da Microsoft de um programa de vistos de residência permanente para trabalhadores estrangeiros, acusando a empresa de abuso. A Microsoft respondeu que a maioria dos pedidos era de renovação para funcionários atuais.

O que a cúpula anunciou

Além das medalhas, a Casa Branca apresentou mais de US$ 6 bilhões em compromissos para a pesquisa, segundo a Spectrum News, dos quais US$ 2,4 bilhões em créditos de computação para cientistas, oferecidos por Nvidia, AMD, OpenAI e outras empresas. Os créditos dão a pesquisadores acesso gratuito a servidores com chips de inteligência artificial, hoje um dos recursos mais caros da pesquisa.

As reações

As críticas encontradas vieram de comentaristas, não de sociedades científicas. Não houve, até a publicação desta matéria, manifestação formal da Academia Nacional de Ciências, da Associação Americana para o Avanço da Ciência ou da revista Science sobre a escolha.

– A Casa Branca, pela porta-voz Liz Huston, disse que os premiados ajudam os Estados Unidos a manter a liderança em inovação.

– Edzard Ernst, médico e professor aposentado, escreveu no seu blog que premiar presidentes de empresas confunde execução comercial com descoberta científica.

– Oliver Willis, do site Daily Kos, de linha partidária democrata, escreveu que Trump rebaixa a medalha ao usá-la como recompensa a doadores.

– Jimmy Kimmel, apresentador de televisão, ironizou o prêmio a Musk citando cortes do DOGE em institutos de pesquisa em saúde.

Há também um dado que a cobertura internacional destacou: cinco dos seis premiados nasceram fora dos Estados Unidos. Huang nasceu em Taiwan, Su também em Taiwan, Musk na África do Sul, Brin na Rússia e Nadella na Índia; só Michael Dell é americano de nascimento.

O que ainda não se sabe

– Como os nomes foram escolhidos, e se os comitês da NSF e do Departamento de Comércio participaram.

– A que ano se referem as medalhas.

– O texto completo das justificativas: a Casa Branca divulgou apenas resumos.

– Se haverá novas medalhas para pesquisadores acadêmicos nesta administração.

O fecho

As duas medalhas foram criadas para reconhecer, de um lado, quem amplia o conhecimento e, de outro, quem transforma conhecimento em produto. A lista de 2026 junta as duas coisas sob o nome da ciência: premia pessoas cujas empresas mudaram de fato a computação, a busca e a exploração espacial, e que são, ao mesmo tempo, parceiras e beneficiárias das decisões do governo que as premia. O que a cerimônia deixa como pergunta é o que a Medalha Nacional de Ciência passa a significar daqui para a frente.

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