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Governos digitalizam bastidores e esbarram em dependência estrangeira

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Capítulo 13 do Tecnologia em Perspectiva
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Após a implementação acelerada de portais digitais de atendimento entre 2020 e 2022, a administração pública voltou sua atenção para os bastidores operacionais. Em 2026, dados da consultoria Gartner apontam a eficiência operacional como objetivo estratégico prioritário para 67% das organizações governamentais. Esse movimento se reflete em iniciativas como a Agenda Nacional de Inteligência Artificial de Portugal, com orçamento de até um bilhão de euros, e no Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, que determina que 60% dos órgãos do Sistema de Administração dos Recursos de Tecnologia da Informação (SISP) integrem soluções ativas de IA até 2026. Na Austrália, o Departamento de Transportes de Queensland já utiliza o Microsoft Copilot para gerir seu orçamento de dez bilhões de dólares e aplicar IA no ranqueamento de currículos sob alegado controle humano estrito.

Contudo, na análise do Professor, essa busca por modernização oculta uma profunda contradição: enquanto entes governamentais tentam projetar rigor, mais de um quinto das lideranças da administração pública opera sem planejamento estratégico, adotando inteligência artificial generativa apenas por modismo. Diferente do setor privado, falhas algorítmicas no Estado ferem preceitos constitucionais ao negar certidões ou auxílios. Além disso, análises de Sam Higgins, vice-presidente da consultoria Forrester, ressaltam o atraso de governos locais menores, que dependem da infraestrutura de governos centrais ou de iniciativas internacionais — como o hackathon promovido pela Ericsson e pela organização Hack for Earth no Golfo — para implementar projetos cívicos de tecnologia.

Diante da desidratação técnica causada pela drenagem de talentos para o mercado privado, o Professor vê nisso um cenário iminente de asfixia algorítmica e institucional. Sem capacidade de auditar os modelos contratados, prefeituras periféricas tendem a enfrentar uma onda de judicialização e derrotas nos tribunais quando algoritmos locais tomarem decisões obscuras ou enviesadas. O cenário final indica a comoditização da gestão pública, onde discursos sobre soberania estatal contrastam com a entrega do processamento de dados governamentais a poucos oligopólios de tecnologia americanos.

Fontes: 1 · 2 · 3 · 4 · 5 · 6 · 7

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