Fim das isenções ameaça o varejo asiático de entrega direta
Capítulo 14 do Tecnologia em Perspectiva
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A migração do comércio internacional asiático do formato tradicional em contêineres para o modelo *Direct to Consumer* (D2C) transformou o tráfego global em milhões de pacotes diários despachados individualmente. Essa estrutura utiliza o *de minimis*, princípio legal de isenção tarifária para remessas de pequeno valor, para sustentar preços agressivos. A prática enfrenta forte oposição do governo dos Estados Unidos, cujos comitês do Congresso alegam violações sistemáticas das leis alfandegárias. Enquanto companhias consolidadas mostram rentabilidade — como a chinesa Xiaomi, especializada em eletrônicos e infraestrutura conectada, que registrou lucro líquido de 14,2 bilhões de yuans no primeiro semestre de 2026 apesar de uma retração de 8,4% na receita global —, o varejo de consumo rápido depende de brechas tributárias e aportes massivos de marketing, a exemplo da plataforma Temu, subsidiada pela PDD Holdings, que gastou mais de 1,7 bilhão de dólares em publicidade em 2023. O cerco regulatório já impacta o valor de mercado de gigantes como a Shein, pioneira da moda ultrarrápida, cujas avaliações pré-IPO caíram de 66 bilhões para cerca de 25 bilhões de dólares devido ao endurecimento de tarifas ocidentais.
Além dos impactos comerciais, a opacidade do trânsito pulverizado de mercadorias favorece crimes como a proliferação de lojas de fachada na Europa, criadas para enganar consumidores copiando plataformas legítimas. Na análise do Professor, o fim das isenções de importação não erradicará o comércio asiático, mas provocará uma consolidação severa. Apenas grandes corporações, a exemplo de Xiaomi ou Alibaba, terão capital de giro para arcar com a nacionalização de estoques em centros de distribuição na América Latina e na Europa. Em contrapartida, o Professor aponta que as redes fraudulentas migrarão para a automação total: diante do fim do caos logístico como disfarce, criminosos tendem a empregar inteligência artificial para clonar sites e operar atendimento via modelos de linguagem, mascarando a apropriação indébita por meio de transações em criptomoedas fora do alcance das jurisdições locais.
