FSR 5 contra DLSS 5: o que a AMD anunciou, o que vazou e onde as duas apostas se separam
Matéria narrada pelo Professor
A Nvidia pôs o DLSS 5 no mercado em 3 de setembro: a placa de vídeo passou a repintar o jogo com um modelo de IA, ao custo de cerca de metade dos quadros. A resposta da AMD tem nome oficial — FSR Diamond, anunciado em março ao lado do próximo Xbox — e um apelido que circula na imprensa: FSR 5. Por enquanto, é uma lista de quatro promessas e uma data vaga. O que existe além disso vem de vazamento, e aponta para uma diferença de filosofia que pode ser a parte mais interessante da disputa: a Nvidia olha a imagem pronta; a AMD, segundo quem vazou, quer olhar o jogo por dentro. Este aprofundamento separa o que é anúncio, o que é boato e o que já dá para comparar.
De onde vem o FSR
O FSR, sigla de *FidelityFX Super Resolution*, nasceu em junho de 2021 como a resposta aberta da AMD ao DLSS. A primeira versão era simples: o jogo desenhava a imagem menor e um algoritmo esticava e afiava as bordas, sem inteligência artificial. A virtude era outra: funcionava em qualquer placa — AMD, Nvidia, Intel e nos consoles — e o código foi aberto em julho daquele ano, com licença livre.
As versões seguintes mantiveram essa regra. O FSR 2, de março de 2022, passou a usar os quadros anteriores e os vetores de movimento para reconstruir detalhe. O FSR 3, de setembro de 2023, acrescentou a geração de quadros — um quadro inventado entre dois reais —, também para placas de qualquer marca.
A virada foi o FSR 4, lançado em março de 2025 com a Radeon RX 9070 XT. Pela primeira vez a ampliação passou a usar uma rede neural treinada, como o DLSS sempre fez. E, pela primeira vez, o FSR ficou preso a uma geração de placa: só as Radeon RX 9000, da arquitetura RDNA 4. Em 10 de dezembro de 2025, o pacote FSR Redstone completou o conjunto nessas mesmas placas: geração de quadros por aprendizado de máquina, a *Ray Regeneration*, que limpa o ruído do traçado de raios, e o *Radiance Caching*, que aprende como a luz se espalha na cena.
O que isso significa na prática: a AMD passou quatro anos vendendo o FSR como a tecnologia que roda em qualquer placa. Quando decidiu usar IA de verdade, abriu mão disso. Mais de um ano depois do FSR 4, a empresa não levou oficialmente o recurso às Radeon anteriores — quem roda o FSR 4 numa RX 7000 faz isso por modificação da comunidade, não por atualização da AMD.
O que a AMD anunciou
Em 11 de março de 2026, durante a GDC, a conferência anual de desenvolvedores de jogos, a Microsoft apresentou o Project Helix, o próximo Xbox. No blog oficial do Xbox, Jason Ronald, vice-presidente da próxima geração, escreveu que o console usa “um chip AMD sob medida, projetado em conjunto para a próxima geração do DirectX e do FSR”, e que as primeiras versões do hardware vão para os desenvolvedores a partir de 2027.
No mesmo dia, Jack Huynh, vice-presidente sênior da AMD responsável por computação e gráficos, deu nome à parte da AMD: FSR Diamond, “otimizado nativamente para o Project Helix” e integrado às ferramentas de desenvolvimento do Xbox. A lista oficial tem quatro itens:
| Promessa do FSR Diamond | O que quer dizer |
|---|---|
| Feito para a próxima geração de renderização neural | redes neurais participando do desenho da imagem, não só da ampliação |
| Ampliação de nova geração por aprendizado de máquina | o sucessor da ampliação do FSR 4 |
| Nova geração de vários quadros por aprendizado de máquina | mais de um quadro inventado entre dois reais, como a Nvidia já faz desde 2025 |
| Nova Ray Regeneration para traçado de raios e *path tracing* | reconstrução da luz calculada com poucos raios |
Isso é tudo o que a AMD disse oficialmente. Não há data de lançamento para PC, não há lista de placas compatíveis, não há demonstração pública e não há o nome “FSR 5” em nenhum comunicado da empresa. O apelido vem da imprensa, que aposta que o Diamond seguirá o caminho do Redstone e ganhará número na hora do lançamento.
O que vazou — e deve ser lido como boato
Três afirmações circulam com força, e nenhuma foi confirmada pela AMD.
A exclusividade. Logo após o anúncio, o vazador conhecido como Kepler_L2, perguntado no X se o FSR Diamond seria exclusivo da próxima arquitetura, a RDNA 5, respondeu que sim: a AMD precisaria “usar os novos recursos de aceleração de IA da RDNA5 para obter uma melhora significativa em desempenho e qualidade”. Se for verdade, nem as Radeon RX 9000 atuais terão o pacote completo — só as futuras placas, que a imprensa vem chamando de Radeon RX 10000.
O método. Em 17 de setembro, relatos atribuídos a fontes da indústria descreveram a renderização neural do “FSR 5” como diferente da do DLSS 5 num ponto central: em vez de trabalhar sobre a imagem pronta, o algoritmo receberia do motor do jogo a geometria da cena — a profundidade de cada ponto e as malhas de polígonos — além das cores e dos vetores de movimento. Para isso, as novas placas teriam blocos dedicados de cálculo neural.
A data. A expectativa corrente é de 2027, junto com as placas novas e com os kits de desenvolvimento do Xbox. Também é projeção, não compromisso.
Onde as duas apostas se separam
Aqui a comparação fica possível — com a ressalva de que um lado é produto e o outro, promessa.
O DLSS 5 olha a imagem. Segundo a própria Nvidia, o modelo recebe o quadro desenhado pelo motor, os vetores de movimento e o histórico dos quadros anteriores, e devolve “a aparência final exibida”. Ele reconhece, na imagem, o que é pele, cabelo, tecido e metal, e aplica a cada material o comportamento de luz que aprendeu com fotos do mundo real. É por isso que ele consegue mudar um rosto — e por isso a polêmica de março, quando personagens apareceram com cara de filtro de beleza. Para limitar o efeito, a Nvidia deu aos estúdios máscaras e controles de intensidade.
O FSR 5, se os vazamentos estiverem certos, olharia a cena. Com acesso à profundidade e à geometria, o modelo saberia onde termina um objeto e começa outro sem precisar adivinhar pela cor dos pixels. Em tese, isso reduz o risco de inventar o que o jogo não desenhou.
| DLSS 5 (Nvidia) | FSR Diamond / "FSR 5" (AMD) | |
|---|---|---|
| Situação | lançado em 3 de setembro de 2026 | anunciado em 11 de março de 2026, sem data |
| O que o modelo lê | imagem pronta, movimento e histórico | geometria e profundidade da cena, além da imagem — *segundo vazamento* |
| Placas | RTX 50; a Nvidia promete levar às RTX 40 | RDNA 5, as futuras Radeon — *segundo vazamento* |
| Consoles | nenhum | próximo Xbox, confirmado |
| Custo medido | cerca de metade dos quadros | não há medição: não existe produto |
| Jogos | NBA 2K27 no lançamento, depois Forza Horizon 6 | nenhum |
O custo do DLSS 5, em números. Nas medições publicadas no lançamento, uma RTX 5090 caiu de 128 para 63 quadros por segundo em NBA 2K27, em 4K — perda de 51%. Em Forza Horizon 6, a mesma placa caiu de 114 para 60 quadros por segundo com o modo cinematográfico. Os gráficos de 370 quadros por segundo divulgados pela Nvidia dependem da geração de seis quadros por quadro real.
Uma interpretação, e está marcada como tal: ler a geometria em vez da imagem não é, por si, garantia de resultado melhor. Dá ao modelo mais informação — mas exige que cada jogo entregue essa informação ao FSR, o que depende de integração no motor, estúdio por estúdio. A Nvidia escolheu o caminho que funciona com menos trabalho do desenvolvedor; a AMD, se os relatos se confirmarem, escolheu o caminho que exige mais do jogo e promete mais fidelidade ao que ele desenhou. Qual dos dois dá melhor imagem é pergunta para quando houver os dois produtos na mesa.
O trunfo que a AMD tem e a Nvidia não
Há uma vantagem da AMD que não depende de vazamento: os consoles. O chip do próximo Xbox é da AMD e foi projetado junto com o FSR. Todo jogo feito para o Project Helix nascerá com o FSR Diamond integrado — e um jogo que já conversa com o FSR no console chega ao PC com o trabalho de integração feito.
É o caminho inverso do da Nvidia, que conquista os estúdios placa a placa, no PC, com o peso de dominar esse mercado. Se o FSR Diamond depender mesmo de dados do motor do jogo, ter os consoles do lado pode ser a diferença entre uma tecnologia com dois jogos e uma com duzentos.
O que não se sabe
– Se o FSR Diamond vai se chamar FSR 5. A AMD não usou o nome.
– Se ele será exclusivo da RDNA 5. A informação vem de um vazador; a AMD não confirmou nem negou.
– Se as Radeon RX 9000 receberão parte do pacote. A empresa não disse.
– Se a renderização neural da AMD vai reconstruir rostos e materiais como o DLSS 5, ou se ficará em luz e ruído.
– Quanto desempenho ela vai custar. Não há um único teste público.
– Quando chega ao PC. A única data oficial é a dos kits do Xbox para desenvolvedores, em 2027.
O fecho
A Nvidia saiu na frente com uma tecnologia que funciona, divide opiniões e cobra metade da placa para rodar. A AMD respondeu com um nome, quatro promessas e um parceiro de peso. Entre um e outro, há uma pergunta técnica genuína — se é melhor repintar a imagem pronta ou reconstruí-la sabendo a geometria da cena — que só vai ter resposta quando existir um FSR 5 para testar.
Até lá, para quem vai comprar placa agora, a conta é simples: o DLSS 5 existe hoje, nas RTX 50, em poucos jogos. O FSR que responde a ele deve exigir uma Radeon que ainda não chegou às lojas.
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