China lança robôs em massa para dominar a automação global
Capítulo 3 do Tecnologia em Perspectiva
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A recente edição da World Robot Conference, realizada em Pequim, evidenciou um movimento massivo do setor industrial chinês em direção à automação. Com a participação de mais de trezentas empresas, a exibição de mais de dois mil itens e o lançamento simultâneo de mais de cento e cinquenta produtos, autoridades locais passaram a defender abertamente a adoção em massa da tecnologia. A estratégia reflete a aplicação da mesma cartilha de subsídios estatais e expansão de escala anteriormente empregada nos setores de painéis solares e veículos elétricos. O objetivo inicial consiste em criar uma economia de escala no mercado interno — testando robôs no atrito do mundo real em polos industriais como Shenzhen — para posteriormente exportar equipamentos a preços consideravelmente inferiores aos dos concorrentes ocidentais.
Na análise do Professor, no entanto, a oferta de hardware barato não resolve por si só a complexidade da automação, uma vez que a estrutura mecânica necessita de um software analítico para orquestrá-la. Enquanto a China realiza essa demonstração física, gigantes americanas como a OpenAI, criadora do ChatGPT, a fabricante de chips Nvidia e o empresário Elon Musk mantêm a atenção global voltada ao desenvolvimento do software. O Professor aponta dois cenários para o futuro do avanço chinês: o sucesso da escala, que levaria à comoditização da robótica e ao barateamento drástico dos custos industriais do país, ou uma bolha de investimentos, na qual dezenas de empresas podem desaparecer em dois anos caso o software falhe na desordem do chão de fábrica e os produtos não encontrem demanda real. Diante desse gargalo, a inteligência responsável por guiar o hardware passa a redefinir o modelo de negócios das grandes empresas de tecnologia.
