Assinatura de IA: o mesmo plano de US$ 200 vale de US$ 2,5 mil a US$ 12,5 mil em uso, conforme o modelo escolhido, mostra o SemiAnalysis
Matéria narrada pelo Professor
Em 5 de outubro de 2026, a consultoria americana SemiAnalysis publicou uma medição detalhada do que cabe dentro das assinaturas mensais de inteligência artificial. A conclusão principal é que não faz sentido dizer quanto um plano “vale” sem dizer qual modelo e que tipo de uso ele terá: o plano Claude Max 20x, de US$ 200 por mês, rende o equivalente a US$ 12.529 em uso pago avulso com o modelo Sonnet 5.5, US$ 11.726 com o Opus 5.5 e US$ 2.485 com o Fable 5.1, o mais avançado. Segundo a mesma análise, os planos da Anthropic com o Opus 5.5 entregam cerca de cinco vezes o valor dos planos da OpenAI com o GPT-6.1 Sol, depois que a OpenAI cortou pela metade o limite do seu plano de US$ 200 no fim de setembro. Esta matéria explica o que é um token, como funcionam os limites de uso e os créditos, como o SemiAnalysis fez a conta e o que os números deixam de fora.
O que foi publicado
A SemiAnalysis é uma empresa de pesquisa especializada em chips, centros de dados e economia da inteligência artificial. No dia 5 de outubro de 2026, publicou no seu boletim um texto assinado por Andrew Megalaa, Max Kan e Dylan Patel, o fundador da casa, e resumiu a ideia numa sequência de publicações no X.
A primeira frase da sequência resume o argumento: não faz sentido dizer que uma assinatura vale tantos dólares de forma isolada. Pouco depois, Dylan Patel escreveu que a diferença de valor entre o que a Anthropic, a OpenAI e várias outras empresas entregam numa assinatura é enorme, e que a equipe testou também as assinaturas da Meta, da MiniMax, da Kimi, do Grok e do Cursor.
A parte aberta do boletim traz os números de Anthropic, OpenAI e três laboratórios chineses. O restante, incluindo a comparação com serviços de terceiros como o Cursor e o Devin, fica com os assinantes de um produto pago de dados da consultoria.
Primeiro, os conceitos
Token é a unidade de medida do texto para um modelo de linguagem. O modelo não lê palavras inteiras: quebra o texto em pedaços menores, como uma palavra curta, uma sílaba ou um sinal de pontuação. Tudo o que entra e sai do modelo é contado em tokens.
API é a porta de acesso direto ao modelo, usada por programadores e empresas para ligar a inteligência artificial aos próprios sistemas. Quem usa a API paga por consumo, como numa conta de luz: cada milhão de tokens tem preço tabelado.
Assinatura é o plano mensal de preço fixo, como o Claude Pro ou o ChatGPT Plus. E limite de uso é o teto desse plano, que não aparece em tokens nem em dólares, mas num medidor de 0% a 100%.
Na API, nem todo token custa o mesmo. O SemiAnalysis trabalha com quatro tipos. Entrada é o texto novo enviado ao modelo. Escrita no cache acontece quando esse texto é guardado numa memória temporária, o cache, para ser reaproveitado nas mensagens seguintes da conversa; custa um pouco mais que a entrada. Leitura do cache é o reaproveitamento desse texto guardado, muito mais barato porque o modelo não precisa processar tudo de novo. Saída é o texto que o modelo escreve, o tipo mais caro.
A tabela oficial da Anthropic, consultada em 6 de outubro de 2026, mostra a escala:
| Modelo (API da Anthropic) | Entrada | Escrita no cache | Leitura do cache | Saída |
|---|---|---|---|---|
| Fable 5.1 | US$ 10 | US$ 12,50 | US$ 0,25 | US$ 50 |
| Opus 5.5 | US$ 4 | US$ 5 | US$ 0,20 | US$ 20 |
| Sonnet 5.5 | US$ 2 | US$ 2,50 | US$ 0,20 | US$ 10 |
*Preços por milhão de tokens.*
No Opus 5.5, por exemplo, um milhão de tokens de saída custa US$ 20, cem vezes mais que um milhão de tokens lidos do cache, a US$ 0,20. Na OpenAI, a lógica é a mesma: a tabela oficial cobra pelo GPT-6.1 Sol US$ 2 por milhão de tokens de entrada, US$ 0,10 pelo texto reaproveitado do cache e US$ 10 pela saída.
Como funcionam os limites das assinaturas
A página oficial de planos da Anthropic explica que todo plano tem limites que se renovam numa janela móvel de cinco horas, e que os planos pagos acrescentam limites semanais. O uso no navegador, no celular e na ferramenta de programação Claude Code sai do mesmo reservatório.
Não há número fixo de mensagens: a quantidade depende do tamanho das conversas, do modelo e dos recursos usados. Os planos são descritos só em relação uns aos outros. O Pro, de US$ 20, dá pelo menos cinco vezes o uso do plano gratuito por janela de cinco horas; o Max, a partir de US$ 100, dá cinco ou vinte vezes o uso do Pro. O Fable, o modelo mais avançado, pode consumir no máximo metade do limite semanal nos planos Max e, no Pro, só com créditos comprados à parte, a preço de API.
A OpenAI segue desenho parecido: a página do ChatGPT descreve o Plus com “uso ampliado” da ferramenta de programação Codex, avisa que há limites e oferece no Pro “três níveis de uso” à escolha.
O resultado, resume o SemiAnalysis, é que o assinante vê um medidor de 0% a 100%, às vezes um segundo medidor para o modelo mais caro, e nada mais.
A ideia central: créditos com pesos diferentes
Segundo o SemiAnalysis, a mensalidade compra uma quantidade de créditos. Cada combinação de modelo e tipo de token gasta esses créditos numa proporção própria. Como essas proporções podem ser muito diferentes das de preço da API, o “valor” do mesmo plano muda conforme o modelo e o trabalho.
Um exemplo oficial ajuda a visualizar. A chinesa Z.ai, dona dos modelos GLM, publica a regra dos seus planos de programação. O plano Lite, que parte de US$ 18 por mês, dá 2.000 créditos por janela de cinco horas e 10.000 por semana. O gasto de cada pedido multiplica cada tipo de token por um peso: no modelo GLM-5.3, 6,9 para a entrada, 1,7 para o cache e 24 para a saída; no GLM-5.3-Flash, mais leve, 2,3, 0,56 e 8. Fora do horário de pico, o gasto cai pela metade.
O editor de programação Cursor usa outra embalagem para a mesma lógica: a documentação oficial diz que os planos Pro, de US$ 20, Pro Plus, de US$ 60, e Ultra, de US$ 200, incluem uma quantidade de uso que se esgota mais ou menos rápido conforme o custo de API do modelo escolhido.
A Anthropic e a OpenAI não publicam esses pesos. O SemiAnalysis os descobriu por medição.
Como a medição foi feita
A consultoria montou experimentos que isolam um tipo de token de cada vez e observou quanto o medidor andava. Para entrada e cache, usou trechos de *Guerra e Paz*, de Liev Tolstói, porque alguns modelos se recusam a responder a blocos de texto sem sentido. Para a saída, pediu ensaios técnicos longos.
O medidor avança em degraus fixos, de um ponto percentual, por exemplo. A equipe somou os tokens gastos entre um degrau e outro e repetiu o processo até a margem de incerteza ficar dentro de 5% para mais ou para menos. Se um milhão de tokens consome 5% do limite, o limite inteiro comporta 20 milhões. Como a janela de cinco horas se renova várias vezes, o teto do mês é dado pelos limites semanais.
O total de tokens do mês é então multiplicado pelos preços oficiais da API. O resultado é o valor equivalente de API: quanto custaria comprar, no pagamento avulso, o mesmo uso que a assinatura permite.
Falta o perfil de uso. O uso agêntico, em que a inteligência artificial trabalha sozinha numa sequência de tarefas, como programar, foi tirado do consumo da própria equipe em setembro: 96,6% dos tokens são leitura do cache, 2,6% escrita no cache, 0,4% entrada e 0,3% saída. O uso de conversa tem 75% de leitura do cache, 13% de escrita, 10% de saída e 2% de entrada. Salvo indicação, os números se referem ao uso agêntico.
O mesmo plano, valores muito diferentes
Este é o gráfico que abriu a sequência de publicações, com o plano Claude Max 20x, de US$ 200 por mês:
| Modelo no Claude Max 20x | Uso agêntico | Uso de conversa |
|---|---|---|
| Sonnet 5.5 | US$ 12.529 (62,6 vezes a mensalidade) | US$ 7.009 (35 vezes) |
| Opus 5.5 | US$ 11.726 (58,6 vezes) | US$ 9.200 (46 vezes) |
| Fable 5.1 | US$ 2.485 (12,4 vezes) | US$ 2.480 (12,4 vezes) |
*Fonte: SemiAnalysis, 5 de outubro de 2026. No Fable 5.1, o valor considera só a metade do limite que o modelo pode usar.*
O modelo muda tudo. O mesmo pagamento rende cerca de cinco vezes mais em valor de API no Sonnet ou no Opus do que no Fable, que consome o plano mais depressa.
O tipo de trabalho também muda. No Sonnet 5.5, o uso agêntico rende US$ 12.529, e a conversa, US$ 7.009. No Opus 5.5, a conversa chega a US$ 9.200. A conversa tem muito mais texto de saída, o tipo mais caro, do que o trabalho agêntico, que vive de reaproveitar o cache. Como cada combinação de modelo e tipo de token tem o seu peso, e esses pesos não acompanham a tabela da API, a ordem dos modelos pode até se inverter de um perfil de uso para o outro.
Não existe um número único. Dizer que o plano “vale US$ 12 mil” é verdade para um modelo e um tipo de uso; para outro, vale US$ 2,5 mil.
Anthropic e OpenAI, segundo o SemiAnalysis
Entre os modelos mais avançados, o GPT-6 Astra, da OpenAI, e o Fable 5.1, da Anthropic, ficam próximos: no plano de US$ 200, US$ 2.897 e US$ 2.485 em valor de API. A diferença, aponta o SemiAnalysis, é que o Fable só ocupa metade do limite, e o assinante ainda tem os outros 50% para os demais modelos.
Na faixa intermediária, a dos modelos que as duas empresas apresentam como de uso diário, a consultoria calcula que o Opus 5.5 nos planos da Anthropic rende cerca de cinco vezes o valor do GPT-6.1 Sol nos da OpenAI: US$ 1.178 contra US$ 211 nos planos de US$ 20, US$ 5.725 contra US$ 1.055 nos de US$ 100, e US$ 11.726 contra US$ 2.084 nos de US$ 200.
| Faixa de preço | OpenAI, GPT-6.1 Sol | Anthropic, Opus 5.5 |
|---|---|---|
| US$ 20 por mês | US$ 211 (ChatGPT Plus) | US$ 1.178 (Claude Pro) |
| US$ 100 por mês | US$ 1.055 (ChatGPT Pro 100) | US$ 5.725 (Claude Max 5x) |
| US$ 200 por mês | US$ 2.084 (ChatGPT Pro 200) | US$ 11.726 (Claude Max 20x) |
*Fonte: SemiAnalysis, 5 de outubro de 2026, uso agêntico.*
A consultoria reconhece que o GPT-6.1 Sol é bem mais barato por token na API, o que puxa para baixo o seu valor em dólares. Mas a diferença persiste na contagem de tokens: no plano de US$ 200, cerca de 28,6 bilhões por mês com o Opus 5.5, contra 10,2 bilhões com o GPT-6.1 Sol. A favor da OpenAI, o SemiAnalysis registra que os seus planos Pro não têm janela de cinco horas, o que facilita usar mais do limite mensal; na avaliação da consultoria, isso não compensa a diferença.
A mudança da OpenAI no fim de setembro
Boa parte dessa distância é recente. Segundo reportagem do site OfficeChai de 1º de outubro de 2026, Thibault Sottiaux, da OpenAI, anunciou que o plano Pro de US$ 200 cairia de vinte para dez vezes o uso do Plus, que o de US$ 100 dá cinco vezes, e que surgiu um plano de US$ 500, com 25 vezes o uso do Plus e acesso exclusivo ao modo Ultrafast, que deixa o Codex até oito vezes mais rápido, segundo a empresa. A reportagem atribui o corte à falta de capacidade de computação diante da demanda pelo GPT-6 Astra. Quem já assinava mantém os limites antigos até 29 de outubro.
As medições do SemiAnalysis confirmaram o corte. Com o Astra, o valor equivalente do plano de US$ 200 caiu de US$ 5.734 para US$ 2.897. Com a família Sol, de US$ 5.904 para US$ 2.084, porque além de cortar os tokens pela metade a OpenAI baixou o preço do cache no GPT-6.1 Sol. Agora, segundo a consultoria, os planos Pro de US$ 100, US$ 200 e US$ 500 entregam a mesma quantidade de tokens por dólar, como já acontecia nos planos da Anthropic.
Quando o preço da API cai
Como o valor equivalente usa o preço da API, toda vez que uma empresa barateia um modelo, o valor da assinatura em dólares cai, a menos que o limite de tokens suba junto.
E os preços caíram. Na tabela oficial da Anthropic, o Opus 5.5 cobra US$ 4 pela entrada e US$ 20 pela saída, contra US$ 5 e US$ 25 do Opus 5, e a leitura do cache caiu de US$ 0,50 para US$ 0,20. No GPT-6.1 Sol, o cache custa metade do que custava no GPT-6 Sol.
Segundo o SemiAnalysis, a OpenAI não mexeu nos limites do Sol ao lançar o 6.1, e o valor do plano caiu cerca de 30% por isso. A Anthropic aumentou os limites do Opus com o 5.5, em cerca de 20% nos planos Max e 50% no Pro, mas não o bastante para compensar toda a queda de preço.
Os laboratórios chineses
A análise também mediu os planos de programação de três empresas chinesas. Segundo o SemiAnalysis, o plano Token Ultra da MiniMax, de US$ 132, rende US$ 3.088 em valor de API com o modelo MiniMax-M3, 23,4 vezes a mensalidade. O GLM Coding Max da Z.ai, de US$ 168, rende US$ 1.942 com o GLM-5.3, 11,6 vezes. E o Kimi Code Ultra da Moonshot, de US$ 199, rende US$ 1.343 com o Kimi K3, 6,7 vezes.
| Empresa e plano | Mensalidade | Valor equivalente de API |
|---|---|---|
| MiniMax, Token Ultra (MiniMax-M3) | US$ 132 | US$ 3.088 (23,4 vezes) |
| Z.ai, GLM Coding Max (GLM-5.3) | US$ 168 | US$ 1.942 (11,6 vezes) |
| Moonshot, Kimi Code Ultra (Kimi K3) | US$ 199 | US$ 1.343 (6,7 vezes) |
*Fonte: SemiAnalysis, 5 de outubro de 2026.*
A consultoria observa que, mesmo com pouca capacidade de computação, esses laboratórios dão nos planos mais do que cobram, em grau muito variável: com o GLM-5.3-Flash, o plano Max rende só duas vezes a mensalidade. Na média, o valor por dólar fica um pouco abaixo das cerca de doze vezes que a OpenAI entrega.
Por que as empresas dão mais do que cobram
O SemiAnalysis explica que as assinaturas são fortemente subsidiadas, ou seja, vendidas abaixo do que valeriam na tabela, e funcionam como ferramenta de conquista de clientes e de propaganda. A consultoria cita como exemplo a boa vontade que a OpenAI ganhou com renovações generosas de limite, que explica em parte a recente alta de uso do Codex.
O custo aparece nas contas. Pelas estimativas aproximadas da consultoria para a Anthropic, as assinaturas respondem por 10% da receita, mas ocupam cerca de 42% da capacidade de computação usada para atender os usuários, com margem bruta estimada de 50%, contra cerca de 92% na API.
Um cuidado importante: valor equivalente de API não é o quanto a empresa gasta para atender o assinante, porque o preço da API inclui a margem. Pelas contas do SemiAnalysis, um assinante que usasse 100% do limite só com o Opus 5.5 daria à Anthropic margem bruta negativa de 369%; só com o Fable 5.1, margem de 1%. Com um uso médio de 20% do limite, as margens seriam de 6% e 80%.
Na leitura da consultoria, as duas empresas escolheram caminhos diferentes para reduzir o subsídio. A Anthropic diminui o valor equivalente à medida que lança modelos mais avançados: a queda é pequena entre Sonnet e Opus e grande no Fable. A OpenAI cortou os limites de uma vez, em todos os modelos.
O que o número não diz
O próprio SemiAnalysis aponta os limites do indicador.
O valor de API pode enganar. Se um modelo for caro ou barato demais na API, o valor em dólares distorce a comparação, e a contagem de tokens pode ser mais adequada.
Eficiência não entra na conta. Um modelo que resolve a mesma tarefa com menos tokens rende mais com o mesmo limite, e o setor ainda não tem dados confiáveis sobre isso.
O perfil de uso é o da consultoria. Quem usa a inteligência artificial de outro jeito terá outros números.
Os limites mudam sem aviso. Durante os testes, uma de três contas idênticas tinha limites cerca de 20% menores. A empresa responsável, não identificada, explicou que a conta fazia parte de um teste “extremamente pequeno”. Para o SemiAnalysis, isso prova que os limites podem mudar a qualquer momento, sem anúncio.
O que não se sabe
– Os números de Meta, Grok e Cursor. Dylan Patel disse que a equipe testou essas assinaturas, mas os resultados não estão na parte aberta da análise.
– O valor dos serviços de terceiros. A comparação com Cursor e Devin ficou restrita aos assinantes da consultoria.
– O limite do modo Ultrafast. O SemiAnalysis diz que ainda está medindo o plano de US$ 500 da OpenAI.
– O custo real de cada empresa. As margens são estimativas da consultoria; nem a Anthropic nem a OpenAI divulgam esses números.
– Os próximos ajustes. Os números valem para o início de outubro de 2026, e promoções e lançamentos podem mudá-los a qualquer momento.
O fecho
A medição do SemiAnalysis mostra uma conta que as empresas de inteligência artificial não exibem ao assinante. Por trás do medidor de 0% a 100% existe uma tabela de pesos, diferente para cada modelo e cada tipo de texto, que decide quanto uso cabe numa mensalidade. O valor de uma assinatura de inteligência artificial, portanto, não está só no preço da etiqueta: está na combinação entre o plano, o modelo e o jeito de usar.
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