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The Witcher 3 volta onze anos depois: a remasterização gratuita que levou 120 mil jogadores de uma vez à Steam, tirou 93 no Metacritic e já tem uma terceira expansão marcada

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Matéria narrada pelo Professor

Em 29 de setembro de 2026, a CD Projekt Red lançou The Witcher 3: Wild Hunt — Remastered, uma versão refeita do jogo de 2015 que chega como atualização gratuita para quem já tem o original, e à venda por R$ 79,99 na promoção de lançamento para quem não tem. No mesmo dia, o jogo bateu o seu próprio recorde na Steam — 120.948 pessoas jogando ao mesmo tempo, mais do que no lançamento de 2015 e mais do que na onda da série da Netflix em 2020 —, estreou com nota 93 no Metacritic, a segunda maior de 2026, e reacendeu a espera por Songs of the Past, a terceira expansão, prometida para 2027. Este aprofundamento explica o que é essa versão (e o que ela não é), por que um jogo de onze anos lota a Steam de novo, o que os números dizem de verdade, o que a crítica e os jogadores apontaram — inclusive os problemas em placas de vídeo AMD — e como a remasterização se encaixa nos planos da CD Projekt para a série, do remake do primeiro jogo ao Witcher IV.

O que foi lançado, exatamente

A versão nova chama-se The Witcher 3: Wild Hunt — Remastered. É uma remasterização, não um remake — e a diferença importa para o bolso e para a expectativa.

Remasterizar é pegar o jogo existente e refazer a camada visual e técnica por cima dele: texturas, iluminação, modelos, desempenho, controles. A história, as missões, o mapa, as falas e a estrutura são os mesmos. Um remake, por outro lado, refaz o jogo do zero, em geral com outro motor gráfico e liberdade para mudar o desenho. A CD Projekt tem um remake em andamento, mas é do primeiro The Witcher, de 2007 — voltaremos a ele.

A remasterização foi desenvolvida pela CD Projekt Red em parceria com a Yigsoft, uma empresa húngara de codesenvolvimento fundada em 2021, que já havia trabalhado em Phantom Liberty, a expansão de Cyberpunk 2077. A CD Projekt não informou publicamente qual motor gráfico a versão usa; o que se sabe oficialmente é o que ela entrega.

Onde e por quanto. A versão está em PC (GOG, Steam, Epic, Battle.net e Microsoft Store), PlayStation 5, Xbox Series X|S e, em versão nativa, Nintendo Switch 2. A regra central: quem já tem The Witcher 3 em uma plataforma compatível recebe a remasterização de graça, e isso inclui quem tinha a versão do Switch original e agora tem um Switch 2. A versão nova substitui as edições antigas (base, Jogo do Ano, Completa) e já traz as duas expansões, Hearts of Stone e Blood and Wine.

Para quem não tem o jogo, os preços no Brasil em 1º de outubro:

Loja Preço cheio Promoção de lançamento
Steam (PC) R$ 159,99 R$ 79,99 (50% de desconto)
PlayStation Store (PS5) R$ 199,50 R$ 99,75, até 8 de outubro
Nintendo eShop (Switch 2) R$ 199,00 —

O jogo tem dublagem completa em português do Brasil, confirmada nas fichas da Steam e da PlayStation Store. O download é de cerca de 45 GB em PC e consoles e de 48,6 GB no Switch 2; segundo o TechTudo, os jogos salvos e os troféus do original são preservados na atualização.

Para quem nunca jogou: o que é The Witcher 3

The Witcher 3: Wild Hunt é um jogo de mundo aberto, para um jogador, baseado nos livros do escritor polonês Andrzej Sapkowski. O jogador controla Geralt de Rívia, um bruxo — no universo da série, um caçador de monstros profissional, alterado desde criança por mutações que o tornam mais forte, mais rápido e capaz de enxergar no escuro. Geralt vive de contratos: uma aldeia tem um problema com uma criatura, paga, e ele resolve.

A história principal é uma busca: Geralt procura Ciri, a jovem que ele criou como filha, perseguida pela Caçada Selvagem, um exército espectral que dá nome ao jogo. A busca atravessa um continente em guerra — reinos do norte invadidos por um império do sul —, e é nesse cenário que o jogo construiu a sua fama: as missões secundárias têm o peso de contos inteiros, as escolhas do jogador mudam destinos de personagens e regiões, e quase nada é preto no branco.

As duas expansões incluídas na remasterização são, por si, jogos grandes. Hearts of Stone, de 2015, é uma história fechada sobre um pacto com uma figura misteriosa. Blood and Wine, de 2016, leva Geralt a Toussaint, uma região inspirada no sul da França, e é considerada por muitos jogadores uma das melhores expansões já feitas. Somando a campanha principal e as duas expansões, é comum passar de cem horas de jogo.

É também o jogo que serviu de base para a série da Netflix e que fez de Ciri a protagonista do próximo capítulo: no Witcher IV, previsto para 2028, quem joga é ela. Por isso, para quem pretende esperar o jogo novo, The Witcher 3 é a leitura obrigatória antes do próximo volume.

O recorde: o que ele é, e o que não é

O número que correu o mundo é o da Steam: 120.948 jogadores simultâneos no pico, segundo o SteamCharts, o serviço que acompanha a plataforma. Para entender o tamanho disso, vale olhar a história do próprio jogo:

Momento Pico de jogadores simultâneos na Steam
Lançamento, maio de 2015 92.268
Estreia da série na Netflix, janeiro de 2020 103.329
Atualização para a nova geração, dezembro de 2022 89.259
Remasterização, setembro de 2026 120.948

Ou seja: onze anos depois, mais gente jogou The Witcher 3 ao mesmo tempo do que no dia em que ele saiu — e mais do que no auge do efeito Netflix, quando a série levou a um aumento de 554% nas vendas do jogo em um mês.

É preciso dizer o que o recorde não é. Não é um recorde da Steam, nem da CD Projekt. No momento do pico, o jogo era o nono mais jogado da plataforma. Cyberpunk 2077, da mesma empresa, chegou a 830.387 simultâneos no lançamento, em dezembro de 2020. E os recordes absolutos da Steam estão em outra escala: PUBG, com 3,24 milhões, em 2018, e Black Myth: Wukong, com 2,41 milhões, em 2024. O feito do Witcher 3 é outro, e talvez mais raro: um jogo de 2015, para um jogador só, superar o seu próprio lançamento — e isso num dia em que a atualização era gratuita, portanto sem a pressão de “comprar no dia um”.

Um analista do banco austríaco Erste tinha previsto, antes do lançamento, que a remasterização “poderia se aproximar” do recorde do próprio jogo. Passou.

Como ler esse número. O contador de jogadores simultâneos mede uma coisa só: quantas pessoas estavam com o jogo aberto na Steam no mesmo instante. Ele não enxerga quem jogou pela GOG — a loja da própria CD Projekt, onde boa parte dos fãs comprou o jogo —, nem pela Epic, pela Battle.net, pela Microsoft Store, nem quem jogou no PlayStation 5, no Xbox ou no Switch 2. O número real de pessoas jogando a remasterização naquele dia foi, portanto, maior que 120 mil — quanto maior, ninguém sabe, porque nenhuma dessas outras lojas publica o dado.

Isso também explica por que o número é uma boa notícia para a empresa, e não só um troféu. A Steam é o termômetro público do mercado de PC: analistas, investidores e outros estúdios olham o SteamCharts e o SteamDB para medir o interesse por um jogo, porque é o único painel aberto em tempo real. Um jogo de 2015 aparecendo entre os dez mais jogados da plataforma, ao lado de lançamentos do ano, é o tipo de sinal que pesa na expectativa sobre a expansão de 2027 e sobre o Witcher IV.

E uma última nuance: pico é pico. O número de jogadores simultâneos sobe no fim de semana e no horário noturno dos Estados Unidos e da Europa, e cai durante a madrugada. O recorde de 120.948 é o ponto mais alto, não a média do dia; o que vai dizer se a volta foi duradoura é a curva das próximas semanas.

A nota: a segunda maior de 2026

No Metacritic, que agrega as notas da imprensa especializada, a versão de PC estreou com 93, a partir de 11 análises; as versões de PS5, Xbox e Switch 2 ainda não têm nota consolidada, com três análises cada. A nota dos usuários está em 8,5, com 221 avaliações.

Na lista dos jogos de 2026 ordenada por nota, a remasterização aparece em segundo lugar, atrás de Sektori, com 94, e à frente de Trails in the Sky 2nd (91), Forza Horizon 6 e Elden Ring Tarnished Edition (90). No dia do lançamento, alguns sites noticiaram um empate em 94 no topo; com a chegada de mais análises, a nota assentou em 93. É, portanto, uma das maiores notas do ano — e a maior entre os jogos de mundo aberto —, não a maior de todas.

Vale a ressalva de sempre sobre notas de remasterização: a crítica avalia, em boa parte, um jogo que já foi eleito jogo do ano 260 vezes em 2015. A nota diz que a versão nova faz justiça ao original; não diz que o jogo é novo.

Por que onze anos depois ainda lota

Três coisas explicam o fenômeno, e nenhuma delas é sorte.

O jogo em si. The Witcher 3 vendeu 4 milhões de cópias nas duas primeiras semanas de 2015 e, segundo o balanço da CD Projekt do primeiro semestre de 2026, passou de 65 milhões — a série inteira, de 90 milhões. É um dos jogos mais vendidos da história, com uma reputação que a série da Netflix renovou para um público que não jogava em 2015.

A gratuidade. Uma atualização gratuita para 65 milhões de donos é, na prática, um relançamento sem barreira de entrada. Boa parte dos 120 mil simultâneos são pessoas que já tinham o jogo instalado, ou a biblioteca, e voltaram para ver o que mudou — e para rejogar.

A expansão à vista. Em 27 de maio de 2026, a CD Projekt anunciou Songs of the Past, a terceira expansão de The Witcher 3, para 2027, paga, em PC, PS5, Xbox e Switch 2. Geralt volta como protagonista, numa região nova chamada Letten, no norte da Redânia, descrita como rica em tradição rural e folclore. A expansão é codesenvolvida com a Fool’s Theory, estúdio polonês formado por veteranos da própria CD Projekt. A remasterização é a base técnica dessa expansão: quem quiser jogar Songs of the Past em 2027 vai jogá-la sobre a versão nova. Por isso a remasterização saiu primeiro, e de graça — ela prepara o terreno.

Há até um detalhe de marketing cruzado: quem compra a remasterização na Battle.net, a loja da Blizzard, ganha uma aparência de Geralt para usar em Diablo IV.

A terceira vida do mesmo jogo

A remasterização de 2026 não é a primeira vez que a CD Projekt volta ao The Witcher 3, e o histórico ajuda a entender a estratégia.

Em dezembro de 2022, a empresa lançou a atualização para a nova geração de consoles e PCs — também gratuita para quem tinha o jogo —, com melhorias gráficas e de desempenho para PlayStation 5 e Xbox Series. Na tabela da Steam, ela aparece como o pico de 89.259 jogadores. Foi a segunda vida do jogo, depois da primeira, de 2015.

A de 2026 é a terceira, e a mais ambiciosa: uma remasterização completa, com uma empresa parceira dedicada, uma versão nativa para um console novo — o Switch 2 — e uma expansão paga à espera. A diferença de público entre 2022 e 2026, de 89 mil para 121 mil jogadores simultâneos, mostra que a fórmula não se desgastou; ao contrário, cada volta encontrou mais gente.

Há uma lógica comercial clara nesse padrão: para uma empresa que lança um jogo grande a cada cinco ou seis anos, manter o catálogo vivo entre um lançamento e outro é a forma de sustentar receita e atenção. A CD Projekt fez o mesmo com Cyberpunk 2077, que só se reergueu depois de anos de atualizações e da expansão Phantom Liberty — justamente o projeto em que a Yigsoft, parceira da remasterização, trabalhou. A remasterização é, portanto, o mesmo movimento aplicado ao jogo mais querido da casa.

O que a crítica elogiou — e o que os jogadores reclamaram

A recepção da imprensa foi a que a nota indica. No Switch 2, a análise do Twisted Voxel registrou 1080p a 30–40 quadros por segundo no modo de mesa e 720p a 40 quadros no portátil, com nota 9 — um resultado notável para um jogo desse porte num aparelho portátil.

Nos PCs, o quadro foi mais misto nos primeiros dias, e vale registrar com cuidado. No histórico completo da Steam, o jogo mantém a avaliação “extremamente positiva”: 865.800 avaliações positivas contra 31.692 negativas. Mas, nas avaliações recentes, feitas depois da remasterização, a fatia negativa ficou em torno de 32% no dia 29 e 35% no dia 30, segundo apuração de sites especializados a partir dos dados da Steam — um número que precisa ser lido como fotografia dos primeiros dois dias, não como veredito.

As queixas são técnicas, não de conteúdo: artefatos pretos na imagem, texturas piscando, sombras quebradas. No Brasil, o Canaltech publicou no dia do lançamento que o jogo chegou “quebrado” nas placas de vídeo AMD — florestas que desapareciam numa Radeon RX 9070 XT —, e que a AMD lançou no mesmo dia o driver Adrenalin 26.9.2 para corrigir. Quem tem placa AMD deve atualizar o driver antes de abrir o jogo.

Não houve, até 1º de outubro, nenhuma polêmica além da técnica: nenhuma fonte fala em proteção anticópia Denuvo, e a ficha da Steam não traz aviso de DRM de terceiros; ninguém descreve as avaliações negativas como “review bombing” — são reclamações de quem jogou e viu defeito.

O lugar da remasterização nos planos da CD Projekt

A versão nova é uma peça de um tabuleiro maior, e entender o tabuleiro ajuda a entender por que a empresa investiu num jogo de 2015.

The Witcher Remake, do primeiro jogo. Anunciado em 26 de outubro de 2022, com o codinome Canis Majoris, é um remake do The Witcher original, de 2007, feito pela Fool’s Theory em Unreal Engine 5 — “uma reimaginação moderna do clássico”. Em 2026, o projeto está em segundo plano: segundo o presidente da CD Projekt, Michał Nowakowski, ele tem “dependências tecnológicas” do Witcher IV, e a Fool’s Theory está concentrada em Songs of the Past. É esse remake que às vezes se confunde com a remasterização do 3; são projetos diferentes, de jogos diferentes.

The Witcher IV. Codinome Polaris, em Unreal Engine 5, em produção plena desde novembro de 2024, com Ciri como protagonista. A janela de lançamento declarada pela empresa é 2028.

O calendário, portanto: remasterização do 3 agora (2026), Songs of the Past em 2027, Witcher IV em 2028, e o remake do 1 depois disso. A remasterização mantém a série viva — e vendendo — nos dois anos de espera pelo jogo novo.

O mercado reagiu com moderação. Na Bolsa de Varsóvia, a ação da CD Projekt fechou o dia 29 em 248,70 zlotys, alta de 1,43%. A empresa não divulgou números de venda da remasterização até 1º de outubro; a previsão do Erste é de 3 milhões de cópias vendidas até o fim do ano, entre 100 e 125 milhões de zlotys de receita — fora o efeito de recolocar 65 milhões de donos dentro do jogo às vésperas de uma expansão paga.

Vale a pena, e para quem

Para quem já tem o jogo em PC, PS5, Xbox Series ou Switch: a atualização é gratuita, preserva o progresso e, nas placas AMD, pede o driver novo. Não há motivo para não atualizar — e é uma boa desculpa para rejogar antes de 2027.

Para quem nunca jogou: R$ 79,99 na Steam, até acabar a promoção, por um dos jogos mais premiados da história, com as duas expansões, dublado em português. É difícil achar mais jogo por esse preço.

Para quem tem um Switch 2: é a melhor versão portátil do jogo, e gratuita para quem tinha a versão do Switch antigo.

Para quem espera o Witcher IV: a remasterização é o jeito de chegar a 2028 com a história fresca — e Songs of the Past, em 2027, vai exigir a versão nova.

O que não se sabe

– Quantas cópias a remasterização vendeu: a CD Projekt não divulgou; só há a previsão de 3 milhões até dezembro.

– Quando os problemas das placas AMD estarão totalmente resolvidos — o driver do dia 29 foi o primeiro passo.

– A data e o preço de Songs of the Past em 2027.

– Qual motor gráfico a remasterização usa — a empresa não informou.

– Se o remake do primeiro The Witcher sai antes ou depois do Witcher IV.

O fecho

Um jogo de onze anos reuniu, num dia, mais gente do que no seu próprio lançamento — de graça para quem já o tinha, e com a segunda maior nota do ano. O feito não é um recorde da Steam; é algo mais incomum: a prova de que um jogo para um jogador só pode envelhecer como um livro, e ser relido por milhões quando ganha uma edição nova. A CD Projekt sabe disso, e por isso a remasterização não é o fim de nada: é a porta para uma expansão em 2027 e para um jogo novo em 2028. Quem atualizar agora, com o driver em dia, chega lá com Geralt na memória.

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