Telecoms querem gêmeos digitais, mas dados desorganizados travam a simulação
Capítulo 13 do Tecnologia em Perspectiva
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Com a complexidade da transição para redes de comunicação como o 5G e o futuro 6G, a realização de intervenções diretas no ambiente ao vivo tornou-se insustentável para o setor de telecomunicações. Historicamente habituado a testar alterações em produção durante janelas de manutenção de madrugada, o setor busca migrar para o uso do Gêmeo Digital — uma simulação virtual idêntica à infraestrutura física. A movimentação já é acompanhada pelo 3GPP, principal órgão global de padronização de telecomunicações móveis, que trabalha em relatórios técnicos como o TR 28.915 para integrar simulações e automação às normas de gestão. Além disso, executivos da provedora UST e da empresa Forward Networks defendem que a tecnologia permite substituir a análise retrospectiva de falhas por previsões analíticas e manutenções preditivas.
Contudo, na análise do Professor, o discurso higienizado do mercado esconde o fato de que a modelagem virtual falha se a operadora não possuir bases de dados maduras. A maioria das grandes empresas opera um ecossistema fragmentado, que combina redes antigas de cobre a cabos modernos de fibra óptica e acumula um histórico de dados não documentados. O Professor vê nisso o verdadeiro gargalo técnico: alimentar os algoritmos com inventários incompletos gera alucinações matemáticas que podem validar atualizações arriscadas e derrubar a conectividade de cidades inteiras. O cenário futuro indica que, se a automação das redes avançar sem a devida reorganização prévia desses dados, as interrupções em serviços de missão crítica poderão se tornar significativamente mais severas.
