Empresas de IA compram e destroem livros físicos atrás de dados limpos
Capítulo 2 do Tecnologia em Perspectiva
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A busca por dados não contaminados pelo texto sintético gerado por sistemas de inteligência artificial (IA) levou a indústria a explorar o acervo impresso do mundo físico. Em agosto de 2026, livrarias de segunda mão no Reino Unido, Irlanda, Austrália e Espanha registraram um aumento atípico de pedidos volumosos de livros aleatórios por compradores não identificados. A empresa de agregação de dados do setor editorial ISBNdb apontou que obras físicas publicadas antes de 2022 representam o melhor material de treinamento por estarem livres da poluição digital. Processos judiciais revelaram que a desenvolvedora de IA Anthropic executou o "Project Panama", adquirindo milhões de exemplares, cortando suas lombadas e submetendo-os à digitalização industrial. A empresa alega não comprar nem destruir obras raras, e uma decisão de 2025 do juiz norte-americano William Alsup considerou a prática um uso transformativo coberto pelo *fair use*. Na análise do Professor, esse movimento converte o texto impresso em mero combustível algorítmico drenado para centros de processamento, enquanto circulam relatos ainda carentes de confirmação independente sobre a exportação e destruição sistemática de obras abandonadas na Catalunha.
Paralelamente à extração no mundo físico, a infraestrutura digital expande-se para servir a máquinas. A gigante de infraestrutura de internet Cloudflare lançou em agosto as ferramentas "Cloudflare Wallets" e "cloudflare.pay", permitindo que agentes autônomos armazenem moedas digitais estáveis (*stablecoins*) e efetuem micropagamentos automatizados via interface de programação de aplicações (API). O analista de tecnologia Slobodan Manic destaca que a iniciativa estrutura um mercado bilateral para o ecossistema de software, ressuscitando o código HTTP 402 (*Payment Required*) para cobrir transações em frações de segundo. O Professor vê nisso o risco de uma cisão definitiva da rede: de um lado, uma internet de consumo humano degradada por conteúdo sintético e publicidade; de outro, uma infraestrutura rica em dados operada exclusivamente por robôs. Caso essa tendência persista, desenha-se um cenário em que atravessadores de dados monopolizam acervos antigos, inflacionando preços em sebos independentes e impondo uma sobrecarga computacional e energética crítica sobre os servidores globais.
