A Nova Era da Cibersegurança Estatal e Financeira
Capítulo 6 do Tecnologia em Perspectiva
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A recente prisão de quatro cibercriminosos no Brasil e a acusação de outros três na Europa expuseram um esquema que desviou cerca de trinta milhões de euros do Commerzbank, uma das principais instituições financeiras da Alemanha. Em vez de atacar o núcleo fortificado do banco, a rede criminosa explorou uma vulnerabilidade de software em um provedor de serviços terceirizado. Segundo o BKA, o Departamento Federal de Polícia Criminal da Alemanha, os acusados montaram uma complexa estrutura de contas de passagem, empresas de fachada, criptoativos e cartões falsos para lavar os recursos até o Brasil, embora um porta-voz do banco tenha informado que os clientes impactados não sofreram perdas financeiras definitivas.
Esse movimento de migração para as margens da rede acompanha uma transformação nas próprias táticas policiais. Com a difusão da criptografia de ponta a ponta em aplicativos de mensagens, a interceptação de dados em trânsito tornou-se ineficaz, superando a era dos grampos telefônicos tradicionais — marcados até por rumores no setor sobre investigações descobertas por atrasos de pagamento que geravam cobranças na fatura do investigado. Para obter provas, as forças de segurança passaram a invadir diretamente os aparelhos dos suspeitos para capturar informações antes da codificação ou após a decodificação. Na análise do Professor, contudo, a exigência governamental por portas dos fundos para facilitar essas invasões cria um paradoxo insolúvel, pois a matemática não distingue um mandado judicial de uma ação criminosa; qualquer falha intencional será inevitavelmente descoberta e explorada pelo cibercrime.
O avanço de softwares desenvolvidos com inteligência artificial pode blindar o ecossistema de fornecedores e eliminar brechas banais, mas aponta para o cenário da chamada cegueira segura. Se os sistemas se tornarem impenetráveis e inviabilizarem o acesso tático do Estado, a tendência indicada é uma pressão política crescente por leis draconianas que criminalizem o desenvolvimento de tecnologia segura sem chaves de acesso para o governo.
