Apple reage à regulação do iOS apostando em novo ecossistema de hardware
Capítulo 5 do Tecnologia em Perspectiva
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Desde 2008, a Apple manteve o sistema iOS como um ecossistema fechado, mas atualmente enfrenta uma encruzilhada diante do Digital Markets Act, o pacote regulatório europeu para mercados digitais. Em agosto de 2026, a empresa passou a aplicar uma comissão fixa de cinco por cento sobre transações de aplicativos distribuídos fora de sua loja oficial na Europa. Embora a alegação oficial da fabricante seja de que a medida democratiza a plataforma e encerra divergências legais com a Comissão Europeia, analistas e o mercado apontam para uma prática de conformidade maliciosa, na qual atritos burocráticos inviabilizam a distribuição alternativa. Na análise do Professor, o impacto do chamado Efeito Bruxelas — a capacidade da União Europeia de ditar regras econômicas e tecnológicas globais — ameaça o modelo de renda passiva de software da empresa, forçando uma resposta institucional para proteger suas receitas.
Como mecanismo de defesa, a companhia direciona seus esforços para a expansão do ecossistema físico. Vazamentos não confirmados reportados pela revista alemã Heise citam o desenvolvimento de AirPods com câmeras, um hub de automação residencial e um iPhone dobrável — nicho no qual a consultoria Counterpoint Research projeta uma participação global de vinte e cinco por cento para a marca —, além de trechos de código do sistema macOS com suporte a visão computacional. O Professor vê nisso a transição do modelo focado em smartphones para a computação ambiental, em que uma malha de sensores invisíveis e integrados assume o cotidiano do usuário. Ao transferir a exclusividade e a sincronização profunda para os aparelhos físicos, a Apple projeta erguer um novo ecossistema fechado no hardware, estabelecendo barreiras de retenção que a legislação atual ainda não consegue alcançar.
