IA acelera o design de remédios, mas ensaios em humanos seguem falhando
Capítulo 14 do Tecnologia em Perspectiva
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A aplicação da inteligência artificial na indústria farmacêutica atrai volumes colossais de capital ao acelerar as fases iniciais de descoberta de moléculas. O governo do Reino Unido anunciou vinte milhões de libras para um polo de pesquisa em Cambridge, enquanto startups de descoberta de medicamentos movidas a algoritmos arrecadaram cerca de onze bilhões e quatrocentos milhões de dólares globalmente no ano de 2025. Em destaque, a Isomorphic Labs, originada da DeepMind a partir da tecnologia AlphaFold, fechou acordos milionários com gigantes como Novartis e Eli Lilly. A mudança central foi a previsão tridimensional de proteínas, transformando a busca por princípios ativos em projeto simulado. A empresa de biotecnologia Insilico Medicine relatou que seu composto ISM001-055, para fibrose pulmonar idiopática, foi totalmente desenhado por algoritmos e avançou para ensaios clínicos de Fase IIa em menos de trinta meses. Da mesma forma, executivos de startups como Chai Discovery e BullFrog AI alegam reduzir drasticamente os prazos e antecipar respostas pré-clínicas.
Entretanto, dados da literatura científica mostram que cerca de noventa por cento dos candidatos a medicamentos continuam falhando e não obtêm aprovação regulatória na etapa de testes em humanos. Na análise do Professor, essa discrepância ocorre porque o corpo humano é um ecossistema complexo e analógico, e não uma estrutura isolada. Ao treinar algoritmos com dados animais limitados e histórico biológico ruidoso, os modelos importam pontos cegos que resultam em toxicidades ou cascatas metabólicas imprevistas na fase humana. O Professor vê o mercado vivendo uma bolha transicional, em que investidores premiam a velocidade do processamento sintético em vez do resultado biológico definitivo. Se esses compostos desenhados por computador começarem a falhar em massa nas etapas clínicas avançadas, o cenário projetado é o de uma correção financeira violenta, que exigirá dos fundos de investimento provas translacionais concretas antes do aporte de novos capitais.
