Adoção obrigatória de biometria no setor de jogos de Nova Gales do Sul
Capítulo 10 do Tecnologia em Perspectiva
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O governo de Nova Gales do Sul, na Austrália, anunciou um pacote de reformas no setor de jogos que torna obrigatório o uso de biometria facial nas entradas de todas as salas de caça-níqueis até 2028. Com um orçamento estatal de aproximadamente 95 milhões de dólares australianos, a iniciativa dá suporte a um novo Registro Estadual de Exclusão, substituindo o antigo modelo analógico em que funcionários verificavam pastas impressas com fotos. A medida responde a inquéritos da comissão anticrime australiana e relatórios do Painel Independente para Jogos, que expuseram o setor como polo de lavagem de lucros ilegais. A infraestrutura será regida pelo Código de Prática de Tecnologia de Reconhecimento Facial, que orienta uma transição não punitiva até março de 2026. A norma estabelece o modelo biométrico de um-para-muitos, exigindo servidores em território australiano, criptografia AES-256 e tráfego via TLS 1.3, além de proibir o cruzamento com dados biográficos externos.
Enquanto defensores afirmam que a regra protege apostadores vulneráveis, ativistas sustentam que a biometria funciona como maquiagem para desviar o foco de intervenções estruturais, como limites de perdas e reduções de horários. Na análise do Professor, a aceitação da vigilância pela indústria é uma estratégia de contenção de danos: subsidiar um porteiro biométrico é preferível a sofrer alterações nos algoritmos das máquinas, transferindo a responsabilidade do vício inteiramente para o indivíduo. O Professor vê na medida um preâmbulo para a erradicação do dinheiro em espécie anônimo nas áreas de jogo e para a integração total do setor aos sistemas bancários de prevenção à lavagem de dinheiro. O cenário futuro aponta para atritos sociais e litígios civis provocados por falsos positivos em razão de falhas algorítmicas, um custo que o mercado prefere absorver a arcar com a desativação regulatória do maquinário.
