Sanções dos EUA aceleram a autossuficiência chinesa em tecnologia sensível
Capítulo 3 do Tecnologia em Perspectiva
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O embargo ocidental à tecnologia sensível impulsionou a busca chinesa pela autossuficiência infraestrutural. Desde 2019, a Hubble Technology Investment, braço de investimentos em semicondutores da Huawei, mapeia e financia empresas locais de fotônica — tecnologia de transmissão de dados por feixes luminosos — para criar um ecossistema próprio focado na interconexão de inteligência artificial. Ao mesmo tempo, o setor de defesa americano demonstra instabilidade: a startup de tecnologia militar Smack Technologies captou 61 milhões de dólares para IA tática após a alegação de seu presidente, Andy Markoff, de que o Pentágono teria classificado o laboratório ocidental Anthropic como um risco à cadeia de suprimentos, forçando as Forças Armadas a buscarem novos fornecedores.
A política de isolamento norte-americana também expõe brechas entre aliados e na jurisprudência interna. O Serviço Nacional de Pensões da Coreia do Sul atuou como investidor âncora na oferta pública de ações da fabricante de comunicações ópticas Zhongji Innolight, que já constava na lista do Pentágono de companhias militares chinesas. Paralelamente, um tribunal de apelações dos Estados Unidos ordenou a reavaliação da classificação da fabricante de drones DJI como empresa militar. Na análise do Professor, a estratégia de contenção tornou-se uma ficção jurídica por colidir com os deveres fiduciários do capitalismo global, apontando para o risco de Washington impor sanções secundárias extraterritoriais contra fundos de países aliados.
Essa fadiga do alinhamento geopolítico impulsiona alternativas pragmáticas. A empresa Core42 informou a intenção dos Emirados Árabes Unidos de migrar metade das operações governamentais para Inteligência Artificial Agêntica, apoiando-se na alegação de seu executivo Raghu Chakravarthi sobre a eficiência e o custo-benefício dessa aplicação. O Professor vê nisso o surgimento da região do Golfo como um porto livre de neutralidade digital, capaz de atrair nações do Sul Global com soluções eficientes e sem exigências diplomáticas, estabelecendo a base de poder que promete redefinir tanto o controle governamental quanto a captura da atenção no ambiente civil.
