Sanções e tropeços da OpenAI empurram empresas para modelos chineses
Capítulo 2 do Tecnologia em Perspectiva
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As restrições impostas pelos Estados Unidos à exportação de processadores avançados acabaram estimulando uma busca por eficiência na engenharia de software da China. Modelos de peso aberto como o Kimi K3, desenvolvido pela chinesa Moonshot AI, e soluções da DeepSeek — capazes de processar mais de um milhão de palavras por menos de um dólar — passaram a atrair corporações ocidentais. Um exemplo desse movimento é a startup de tecnologia jurídica Harvey, financiada pela própria OpenAI, que adotou o Kimi K3 no sistema Harvey Tenet devido ao baixo custo marginal, superando os testes de custo do Opus 4.8, da americana Anthropic.
Na análise do Professor, os atritos gerados pelo próprio ecossistema da OpenAI tornam a concorrência chinesa cada vez mais atraente. Enquanto enfrenta um processo movido pelo estado da Flórida contra a empresa e o CEO Sam Altman por violações à COPPA, a lei de proteção de menores, e por incômodo público, a companhia tenta reter clientes corporativos por meio do recurso Zero Data Retention em sua arquitetura Private Safety Processing. Em paralelo, a OpenAI lida com a frustração de usuários do ChatGPT Work e do Codex — este último com vinte milhões de assinaturas ativas — devido ao desaparecimento indevido de tokens de consumo. O executivo Thibault Sottiaux atribui o problema a mecanismos antifraude acionados por aplicativos modificados dos próprios clientes, sem que haja comprovação técnica independente.
O cenário futuro aponta para um acirramento geopolítico e regulatório em resposta a essa assimetria de mercado. O Professor vê nisso a possibilidade de ações judiciais estaduais paralisarem operações nos Estados Unidos, enquanto a OpenAI pode exercer forte lobby junto ao Pentágono para invocar razões de segurança nacional e forçar o bloqueio comercial de plataformas de peso aberto chinesas dentro de empresas americanas críticas.





