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China monta cadeia autossuficiente de IA e robótica com silício próprio

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Capítulo 4 do Tecnologia em Perspectiva
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As restrições impostas por Washington para bloquear o acesso da China a componentes avançados desencadearam um salto de proficiência na engenharia do país asiático. Para contornar a escassez dos processadores da Nvidia, pesquisadores chineses passaram a otimizar a arquitetura de software — adotando modelos de pesos abertos e técnicas como a Mistura de Especialistas, que reduz a exigência computacional — ao mesmo tempo em que aceleraram o desenvolvimento de silício nativo. Empresas locais como a Cambricon e a gigante de tecnologia Alibaba lideram essa frente; o Alibaba já atingiu metade do seu plano de cinquenta e seis bilhões de dólares em infraestrutura de inteligência artificial e prevê a produção da segunda geração do seu chip próprio, o T-Head, para o segundo semestre de dois mil e vinte e seis. Na análise do Professor, o movimento reflete uma estratégia dupla de especialização vertical na ponta e comoditização subsidiada na base, ilustrada por operadoras estatais como China Telecom, China Mobile e China Unicom, que passaram a tarifar requisições de sistema diretamente na conta telefônica dos clientes para criar fossos de infraestrutura.

Essa otimização estende-se aos dispositivos finais e à automação física. No desenvolvimento de software, a empresa de inteligência artificial SenseTime lançou a versão de código aberto do modelo SenseNova U 1.5 Lite com foco em robótica, gerando debates sobre o equilíbrio entre resolução espacial e precisão de navegação. Na camada mecânica, a integração da cadeia de suprimentos da fabricante chinesa UBTech sinaliza que o custo de produção de robôs humanoides pode cair para menos de vinte mil dólares por unidade entre dois mil e vinte e sete e dois mil e trinta. O Professor vê nisso a possibilidade de um barateamento agressivo similar ao ocorrido nos mercados de painéis solares e veículos elétricos, o que reescreveria a viabilidade da automação corporativa global e criaria um ambiente predatório para fabricantes ocidentais. Contudo, ressalta-se que a autossuficiência chinesa ainda é parcial, mantendo certa dependência de componentes importados cruciais. A expansão dessa infraestrutura massiva e hiperconectada aponta, em última análise, para um cenário de rápida aceleração industrial acompanhado por novos e complexos desafios de segurança da informação.

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