De Flickr ao sufixo .ai: a saturação dos nomes de startups prepara novos rebrandings
Capítulo 14 do Tecnologia em Perspectiva
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A escolha de nomes no ecossistema de tecnologia segue um padrão histórico impulsionado por restrições técnicas e conveniências financeiras. Na análise do Professor, o que começa como uma solução improvisada de infraestrutura frequentemente acaba empacotado como uma identidade corporativa moderna. Essa tendência teve início nos anos 2000 com a supressão de vogais em marcas como Flickr, Tumblr e Grindr, motivada pela escassez e pelo custo elevado dos domínios tradicionais — limitação que chegou a ser alegada pela cofundadora do estúdio WTHN, Shari Auth, como uma decisão espiritual de remoção do ego. Na década seguinte, a criação de sufixos inventados como "ly" e "ify", popularizados por plataformas como Shopify, Spotify e Bitly, gerou divergências: enquanto fundadores defendem que grafias não convencionais sinalizam inovação para atrair capital de risco, especialistas alertam para prejuízos à memória do consumidor e passivos de propriedade intelectual.
O fenômeno atingiu um novo patamar com a apropriação do domínio de topo de Anguilla, a extensão territorial ".ai". O Professor vê nisso o valor comercial de milhares de corporações globais ancorado à infraestrutura geopolítica de uma pequena jurisdição insular, gerando uma saturação que destrói a capacidade de diferenciação das empresas. Diante de sinais de que startups começaram a buscar palavras reais da língua inglesa para evitarem parecer datadas, projeta-se uma onda de rebrandings coletivos nos próximos anos. Como a inteligência artificial generativa caminha para se tornar uma conveniência invisível operando nos bastidores, ostentá-la na fachada corporativa se tornará anacrônico, forçando o mercado a migrar de volta para domínios globais com nomes descritivos e austeros para não desaparecer em um mar de concorrentes indistinguíveis.





