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Escassez de memória acaba com a tolerância ao software inchado

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Capítulo 12 do Tecnologia em Perspectiva
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A alta demanda dos datacenters de inteligência artificial provocou uma escassez e o aumento dramático no custo dos chips de memória no final de 2025, expondo a insustentabilidade do *software bloat*, o inchaço dos programas no ambiente corporativo. Historicamente, a abundância computacional gerou um desperdício estrutural previsto pela Lei de Wirth — o princípio de que o software fica lento mais rápido do que o hardware ganha velocidade — e comparável ao Paradoxo de Jevons. Por muito tempo, a ineficiência profunda e a cultura do *Time to Market*, que priorizava a entrega rápida de soluções em detrimento do rigor arquitetônico, foram maquiadas pela introdução dos discos de estado sólido (SSDs) e pelo custo acessível para escalar máquinas.

Com a corrida pela IA monopolizando semicondutores e encarecendo a memória RAM, a tolerância econômica ao inchaço acabou. Na análise do Professor, essa restrição financeira impõe um teste decisivo para o mercado, abrindo espaço para dois cenários opostos. Em uma perspectiva otimista, a restrição pode forçar corporações a cortarem excessos e reabilitarem a escrita de códigos puros e eficientes. Em contrapartida, o Professor alerta para o risco de um colapso irreversível caso os desenvolvedores terceirizem a geração de código para os próprios modelos de inteligência artificial. Isso criaria uma teia impenetrável de abstrações sintéticas, resultando na ironia de utilizar a mesma tecnologia causadora da escassez física de memória para fabricar softwares ainda mais lentos e impossíveis de serem otimizados manualmente.

Fontes: 1 · 2 · 3 · 4 · 5 · 6

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