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EUA e China disputam modelo de regulação global para IA

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Capítulo 5 do Tecnologia em Perspectiva
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A governança da inteligência artificial deixou de focar prioritariamente os riscos éticos e passou a ser engolida pela rivalidade geopolítica entre Estados Unidos e China. De um lado, o governo americano pressionou o G20 a adotar os chamados "Carolina Principles", que defendem regras restritas a inovações de alto risco, enquanto articula a coalizão Pax Silica para dominar a cadeia produtiva de semicondutores e data centers. Do outro lado, a China lançou a Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial (WAICO), defendendo a tecnologia como bem público e utilizando a distribuição de modelos de código aberto potentes e de baixo custo como instrumento de diplomacia, especialmente no Sul Global.

Na análise do Professor, o debate atingiu um ponto de virada ao deixar de tratar a inteligência artificial como mero produto de software para enxergá-la como a própria infraestrutura de poder do século vinte e um, reproduzindo a dinâmica observada na disputa do 5G. Enquanto representantes de Washington alegam que os modelos abertos chineses trazem riscos à segurança global, circulam relatos não confirmados oficialmente de um ultimato diplomático americano a trinta e cinco países para que boicotem o bloco chinês. Em resposta, autoridades de Pequim, como Lin Jian, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, e Yin Hejun, ministro de Ciência e Tecnologia, rejeitam a imposição de lados e defendem a cooperação multilateral. Contudo, essa estratégia de isolamento esbarra no pragmatismo econômico, já que empresas dentro dos próprios Estados Unidos adotam modelos chineses abertos por conveniência financeira.

Diante dessas forças conflitantes, o Professor aponta para dois cenários possíveis: uma bifurcação total, que forçaria o ecossistema global a operar em duas redes de nuvem incompatíveis, ou um multilateralismo pragmático, no qual as superpotências aceitariam a dupla adesão de países neutros devido à dependência mútua de insumos e infraestrutura. Inegavelmente, a governança da inteligência artificial consolida-se como o principal instrumento de alinhamento geopolítico do nosso tempo.

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