Gamescom 2026 consolida os games como motor econômico e diplomático
Capítulo 17 do Tecnologia em Perspectiva
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A edição de 2026 da Gamescom, realizada em Colônia, na Alemanha, esgotou totalmente os ingressos de visitação presencial para suas mais de 1.600 exibições, marcando também a inédita participação de um presidente e chefe de Estado alemão, Frank-Walter Steinmeier, na abertura do congresso do evento. O movimento simboliza a transformação dos jogos eletrônicos, que deixaram a margem do mero lazer recreativo para se tornarem um motor econômico e cultural central, movimentando mais de 23 bilhões de euros anuais na União Europeia. Na análise do Professor, a presença governamental consolida uma manobra geopolítica para afirmar o *soft power* europeu diante do monopólio norte-americano e do avanço asiático.
Essa relevância institucional, contudo, expõe contradições regulatórias. Embora o Parlamento Europeu tenha reconhecido os videogames e os esportes eletrônicos como uma Indústria Cultural e Criativa fundamental, a tentativa de adaptar vistos do modelo Schengen e equiparar os *esports* às regras desportivas esbarra no fato de que os jogos são propriedades intelectuais privadas, operadas por termos de serviço corporativos. Como os estúdios europeus pressionam por apoio financeiro público para proteger suas propriedades no mercado global, o Estado passa a exigir contrapartidas sociais, condicionando os subsídios ao alinhamento do software ao combate à desinformação e ao reforço da democracia.
O Professor vê nisso dois cenários para o futuro do setor. O primeiro é a consolidação de um protecionismo digital comunitário, em que investimentos estatais e barreiras regulatórias retêm os dividendos no bloco e dificultam a atuação de gigantes americanas e chinesas. O cenário alternativo é o da saturação diplomática: a sobrecarga burocrática e ideológica pode afastar estúdios internacionais e o público focado em entretenimento, provocando a migração dos grandes eventos comerciais de volta para a América do Norte e deixando a Europa isolada em um fórum puramente institucional.
