Governos disputam o controle soberano da infraestrutura de IA

0
capitulo-02-1

A transformação da inteligência artificial em prioridade de segurança nacional tem levado governos a buscar o controle direto sobre sua infraestrutura computacional. O governo brasileiro anunciou um pacote de investimentos de 2,5 bilhões de reais, com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), destinando um bilhão desse montante para um supercomputador no Rio Grande do Norte em parceria técnica com a gigante chinesa Huawei. Esse movimento reflete a busca por soberania que também mobiliza nações do Oriente Médio e do Norte da África rumo à criação de nuvens soberanas — modelo que exige o domínio sobre máquinas, patentes e arquiteturas sistêmicas para mitigar o risco de paralisações por sanções externas. Em contrapartida, governos como o da Austrália adotaram o caminho oposto ao adquirir 29 mil licenças do Microsoft M365 Copilot para 67 entidades. Contudo, relatos da empresa de telecomunicações australiana Superloop indicam que as economias geradas com a automação precisaram ser redirecionadas para custos inflacionados de cibersegurança e conformidade.

Na análise do Professor, adotar inteligência artificial sem bases sólidas de governança não elimina gastos, mas apenas desloca os custos da folha de pagamento para a proteção de uma infraestrutura mais complexa. O pano de fundo dessa disputa assenta-se no gargalo dos semicondutores avançados, transpondo para os chips a guerra comercial tecnológica entre Estados Unidos e China. Para contornar os bloqueios americanos, a indústria chinesa passou a aplicar comercialmente a arquitetura heterogênea disjuntiva, conectando processadores menores para atuar no treinamento de modelos com uma redução alegada de dez a vinte vezes nos custos operacionais. O Professor vê nisso a consolidação de um cenário de divisão da infraestrutura global de inteligência artificial em dois blocos incompatíveis: o ocidental, sustentado por processadores de altíssima performance, e o asiático, baseado na resiliência de arranjos heterogêneos e voltado para a exportação a parceiros como os países do BRICS.

Fontes: 1 · 2 · 3 · 4 · 5 · 6

Deixe um comentário