Expansão de Huawei e BYD acirra diplomacia entre China e Estados Unidos
Capítulo 2 do Tecnologia em Perspectiva
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A manutenção de sanções severas e a aplicação de tarifas de cem por cento sobre veículos elétricos chineses pelos Estados Unidos consolidaram o bloqueio de gigantes como a BYD e a Huawei no mercado americano. Diante dos embargos históricos ao acesso de chips e equipamentos de redes 5G, a resposta de Pequim migrou de retaliações pontuais para a consolidação de uma estratégia de fusão civil-militar. Na análise do Professor, a disputa por fatias de mercado transformou-se em uma corrida pela soberania tecnológica, na qual a dependência de componentes americanos passou a ser tratada como uma vulnerabilidade inaceitável.
Para sustentar esse avanço doméstico, o financiamento de capital de risco na China ultrapassou um trilhão de yuanes no primeiro semestre de 2026, direcionado a setores como inteligência artificial e tecnologia quântica. Um reflexo dessa integração é a parceria entre a startup de inteligência artificial DeepSeek e a Huawei para lançar a linguagem de código aberto TileLang, projetada para otimizar os processadores Ascend e contornar a dependência da plataforma americana CUDA, da Nvidia. Simultaneamente, a China redirecionou sua expansão física para países emergentes: a BYD investiu um bilhão de dólares para transformar a antiga fábrica da Ford em Camaçari, na Bahia, em um polo de veículos elétricos, além de planejar a estreia de sua marca de luxo Yangwang nos Emirados Árabes Unidos.
O Professor vê nesse movimento a consolidação do Sul Global como o novo motor primário do crescimento chinês por meio de infraestrutura e capital de longo prazo. Esse cenário aponta para uma futura bifurcação do hardware global e para o risco de uma diplomacia de coerção por parte de Washington. No entanto, diferentemente da disputa ocorrida no setor de telecomunicações, a falta de alternativas ocidentais acessíveis no mercado de veículos elétricos impõe um limite prático às tentativas americanas de pressionar nações emergentes a excluírem a tecnologia chinesa.





