EntrarCriar conta

Manus 2.0: o agente de inteligência artificial que estreou a US$ 199 por mês volta independente, com planos a partir de US$ 20 e um robô com e-mail, telefone e carteira

0
2026-10-04-manus-2-0-capitulo-01
0:00--:--

Matéria narrada pelo Professor

Em 28 de setembro de 2026, a Manus lançou a versão 2.0 do seu agente de inteligência artificial — o programa que, em vez de só conversar, executa tarefas inteiras sozinho: pesquisa, monta planilhas, escreve código, cria sites. É o primeiro grande lançamento da empresa depois de um ano turbulento, em que ela foi comprada pela Meta por cerca de 2 bilhões de dólares e teve a venda desfeita por ordem do governo chinês. A versão nova traz uma arquitetura que, segundo a empresa, gasta menos e trabalha mais rápido, um editor de vídeo, um ambiente para criar jogos, tarefas que disparam sozinhas e um aplicativo, o Cue, que dá a cada agente o seu próprio e-mail, número de telefone e carteira para pagar contas. Esta matéria explica o que mudou, quanto custa agora em comparação com a estreia de 2025, o que os usuários estão dizendo — dos elogios às reclamações de cobrança —, o alerta de segurança que antecedeu o lançamento e para quem o Manus vale a pena hoje.

O que é o Manus, para quem nunca usou

A maioria das pessoas conhece a inteligência artificial pela conversa: pergunta-se algo ao ChatGPT ou ao Gemini, e ele responde. O Manus é de outra família, a dos agentes. Em vez de responder, ele faz.

O usuário descreve um objetivo — “pesquise os dez concorrentes da minha loja, compare preços e me entregue uma planilha”, por exemplo — e o Manus divide o trabalho em etapas, abre um navegador num computador virtual na nuvem, visita sites, junta dados, escreve e roda programas, e devolve o resultado pronto. O usuário pode acompanhar a tela do agente enquanto ele trabalha.

Essa autonomia é o que impressiona e o que custa caro. Cada passo consome capacidade de processamento de modelos de linguagem, e uma tarefa complexa pode envolver centenas de passos. É por isso que o preço sempre foi o ponto sensível do Manus.

A estreia de 2025: promessa alta, convite disputado e preço salgado

O Manus apareceu em 6 de março de 2025, em versão de testes só para convidados. O vídeo de demonstração passou de um milhão de visualizações em menos de vinte horas, e a procura pelos convites virou mercado paralelo: na China, códigos de acesso foram revendidos por valores entre 50 mil e 100 mil yuans, e em outros mercados, por mais de mil dólares.

A empresa por trás do Manus, a Butterfly Effect, fundada em 2022 por Xiao Hong, Yichao Ji e Tao Zhang, sustentava a euforia com números. Segundo a própria Manus, o agente superava os concorrentes no GAIA, um teste de referência que mede a capacidade de assistentes de inteligência artificial de resolver tarefas reais em várias etapas. Eram números divulgados pela empresa, mas que ajudaram a construir a fama de que o Manus entregava mais do que os rivais.

O problema veio no fim do mês. Em 28 de março de 2025, a Manus lançou os primeiros planos pagos:

Plano de 2025 Preço por mês Créditos por mês Tarefas simultâneas
Starter US$ 39 3.900 2
Pro US$ 199 19.900 5
Gratuito — 1.000 de uma vez —

O crédito é a moeda interna do Manus: cada tarefa consome uma quantidade que depende de quanto trabalho ela exige. Na estreia, cada crédito custava cerca de um centavo de dólar, e uma tarefa complexa podia queimar centenas deles. Para quem queria usar o agente no dia a dia, a conta chegava rápido ao plano de 199 dólares — um preço de ferramenta corporativa, longe do que um profissional autônomo costuma pagar por um assistente.

Mesmo assim, o negócio cresceu. Em abril de 2025, a empresa levantou cerca de 75 milhões de dólares numa rodada liderada pelo fundo americano Benchmark, com avaliação de 500 milhões. Em agosto, a receita anualizada estava em torno de 90 milhões de dólares; em dezembro, chegou a 125 milhões.

O ano que quase engoliu a empresa: Meta, Pequim e a separação

No meio de 2025, a Manus mudou a sede de Pequim e Wuhan para Singapura. Cerca de 40 dos 120 funcionários na China se mudaram; os demais foram demitidos. A mudança aproximou a empresa do mercado internacional e de investidores americanos — e a pôs no radar dos dois governos.

Em dezembro de 2025, a Meta, dona do Facebook, do Instagram e do WhatsApp, anunciou a compra da Manus por um valor entre 2 e 3 bilhões de dólares. Funcionários e fundadores passaram a trabalhar para a Meta.

Pequim reagiu. Em janeiro de 2026, o Ministério do Comércio chinês abriu uma investigação, e executivos da empresa foram impedidos de deixar a China continental. Em 27 de abril, a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, órgão central de planejamento econômico do país, proibiu o investimento estrangeiro “no projeto Manus” e mandou desfazer a operação, sem explicar publicamente o motivo. Foi o primeiro caso divulgado de um negócio de inteligência artificial vetado pelas regras chinesas de revisão de investimento estrangeiro.

A Meta afirmou que a transação cumpria a lei, mas em 15 de junho anunciou o rompimento. Em 11 de agosto, a Manus comunicou que voltaria a operar como empresa independente. A separação teve um custo para os usuários: dados criados por parte deles a partir de 29 de dezembro de 2025 — a data em que a compra pela Meta foi concluída — foram apagados nos dias 23 e 24 de agosto, para cumprir exigências regulatórias. Quem não fez cópia perdeu o que tinha produzido nesse período.

É nesse contexto que chega o Manus 2.0: o primeiro produto de uma empresa que acabou de recuperar a independência, e que, segundo a imprensa especializada, busca novo investimento com avaliação de cerca de 4 bilhões de dólares.

O que é o Manus 2.0

A própria empresa diz que a 2.0 “não é uma atualização de versão”, e sim uma arquitetura nova. Há cinco peças principais.

Cascade, o novo motor de organização. É o sistema interno que decide como o agente divide e executa o trabalho. A ideia é começar cada projeto leve e só chamar ferramentas especializadas quando a tarefa realmente precisar delas. Segundo a Manus, numa configuração de teste, o Cascade gastou 23,2% menos capacidade de processamento, terminou as tarefas em 28,2% menos tempo e custou 32% menos para rodar do que o sistema anterior. Há uma ressalva importante, que a própria empresa admite: é o resultado de uma única configuração, sem detalhamento de quais tarefas foram testadas nem de quais modelos de linguagem estavam por trás. Não há, até agora, medição independente.

Computador na nuvem. Um ambiente dedicado e permanente, que fica ligado mesmo quando o usuário não está. Serve, por exemplo, para manter no ar o servidor de um jogo multijogador ou para hospedar uma automação que roda dia e noite. É vendido à parte, como recurso dedicado.

Automações disparadas por eventos. Antes, o Manus podia executar tarefas em horário marcado. Agora, a tarefa pode começar sozinha quando algo acontece num serviço conectado: chega um e-mail novo, muda o desempenho de um anúncio, aparece um evento na agenda, cai uma mensagem no Slack ou uma página é atualizada no Notion.

Manus Studio. O aplicativo de computador virou um espaço de trabalho compartilhado entre pessoas e inteligência artificial, com dois ambientes novos. O editor de vídeo monta peças curtas — anúncios de 30 a 60 segundos, tutoriais, vídeos com gráficos animados — numa linha do tempo em que cada clipe, imagem, texto e trilha pode ser trocado individualmente, sem experiência prévia em edição. Um modo chamado Alchemy põe a inteligência artificial no papel de diretor de criação. O ambiente de criação de jogos parte de modelos jogáveis, permite editar personagens e código, e, com o computador na nuvem, publica partidas multijogador sem que o usuário precise entender de servidores.

Meu Computador. O agente pode operar, à distância, o computador pessoal do usuário — buscar um arquivo, testar um aplicativo, executar uma tarefa —, a partir de comandos dados pelo celular. A empresa ressalta que o agente trabalha num espaço visível e só usa arquivos, navegador e aplicativos que o usuário autorizou.

Cue: um agente com e-mail, telefone e carteira

A novidade mais ousada não está dentro do Manus, e sim num aplicativo separado, o Cue. A empresa o descreve como um sistema para agentes pessoais permanentes.

No Cue, cada agente ganha o seu próprio endereço de e-mail, número de telefone, carteira para pagamentos e computador. Com isso, ele pode mandar mensagens, atender ligações e entregar um resumo da conversa, fazer compras dentro de um orçamento definido pelo usuário e trabalhar sozinho por longos períodos. Vários agentes podem ser reunidos num grupo de conversa e dividir uma tarefa: um pesquisa, outro monta a lista final, um terceiro prepara a apresentação. O aplicativo também lê códigos QR em estabelecimentos para fazer pedidos ou entrar em filas.

O Cue está em acesso antecipado gratuito, por ordem de chegada, com código de convite. Funciona na web, no computador e no Android; a versão para iPhone aguardava aprovação da loja da Apple no lançamento.

A comparação inevitável é com o Muse, o assistente pessoal da Meta. A empresa que a Meta tentou comprar lança, meses depois, um produto que disputa o mesmo espaço.

E o preço, agora?

Esta é a pergunta central para quem desistiu do Manus em 2025. A resposta curta: a porta de entrada ficou muito mais barata, e o crédito custa metade do que custava. Mas a conta final continua dependendo de quanto trabalho cada tarefa exige.

Os planos atuais, segundo a página de ajuda oficial da Manus:

Plano atual Preço por mês Créditos por mês Tarefas simultâneas
Gratuito US$ 0 300 por dia 1
Pro a partir de US$ 20 4.000 20
Pro, nível 2 a partir de US$ 40 8.000 20
Equipe a partir de US$ 20 por pessoa conjunto compartilhado —

O pagamento anual dá 17% de desconto. Há ainda, segundo guias de preço atualizados em setembro, um plano estendido de 200 dólares com 40 mil créditos.

Três comparações ajudam a enxergar a mudança.

O preço do crédito caiu pela metade. Em 2025, cada crédito saía por cerca de um centavo de dólar. Hoje, nos planos Pro, sai por meio centavo.

A entrada ficou acessível. O plano mais barato passou de 39 para 20 dólares, e o gratuito deixou de ser uma cota única de mil créditos para virar uma recarga diária de 300, suficiente para perguntas simples.

O plano de 199 dólares deixou de ser obrigatório para uso sério. Quem pagava 199 dólares por 19.900 créditos hoje consegue 8.000 créditos por 40 dólares, e 40 mil por 200.

Mas há uma ressalva de peso. Guias independentes estimam o consumo típico assim: uma pergunta simples gasta de 10 a 50 créditos; uma pesquisa na web, de 100 a 300; uma pesquisa aprofundada, de 500 a 900; e a criação de um aplicativo para a web, de 500 a mais de mil. Na prática, os 4.000 créditos do plano de 20 dólares cabem em algo como quatro a oito pesquisas aprofundadas por mês. São estimativas de terceiros, não números oficiais, mas dão a ordem de grandeza.

É aqui que entra a promessa do Cascade. Se a redução de 32% no custo de execução se confirmar fora da configuração de teste, cada tarefa deveria queimar menos créditos. A empresa não anunciou mudança nos preços junto com a 2.0, e não há ainda medição independente de quanto uma tarefa típica consome agora.

Para empresas, o plano de equipe custa 20 dólares por pessoa, mas o acesso único com login corporativo cobra uma taxa à parte para equipes de menos de 30 pessoas.

O que os usuários estão dizendo

As impressões sobre a 2.0 ainda são de primeira semana, e é cedo para avaliações de uso prolongado. O que já se vê divide-se em três camadas.

Entusiasmo com as novidades. Nas redes sociais, a reação ao lançamento destacou a arquitetura nova e o visual do Manus Studio, e a curiosidade com o Cue, que a empresa apresenta como um sistema operacional para agentes pessoais. A própria Manus publicou dezenas de jogos criados com a ferramenta.

A velha dúvida dos créditos. O ponto sensível continua o mesmo. Uma análise publicada no dia do lançamento, que reúne relatos de usuários, elogia o Manus em pesquisas aprofundadas, relatórios, apresentações e criação de sites, mas lista falhas que pesam no bolso: o agente às vezes entra em ciclos repetitivos e queima créditos sem concluir o trabalho, ou dá a tarefa por terminada entregando pouco. Um usuário relatou que o computador do Manus ficou ligado a noite inteira e consumiu todos os créditos que restavam. A mesma análise registra que o próprio Manus avisa que as estimativas de custo dadas pelo agente não são confiáveis, e que o suporte responde, em média, uma vez a cada 24 horas.

A relação com a empresa. No Trustpilot, um site de avaliação de empresas, a Manus tem nota de 1,2 em 5, com 209 avaliações, 94% delas de uma estrela. As queixas mais recorrentes não são sobre a inteligência do agente, e sim sobre a empresa: cobranças inesperadas, dificuldade para cancelar assinaturas, reembolsos que levaram meses, atendimento feito só por robô e contas bloqueadas sem explicação. É uma amostra pequena e tende a reunir quem teve problema — quem está satisfeito raramente escreve —, mas o padrão das queixas é consistente.

O retrato que emerge é o de um produto que impressiona quem o usa para pesquisa e automação, e que frustra quem precisa de custo previsível e suporte.

O alerta de segurança

Quatro dias antes do lançamento, em 24 de setembro, pesquisadores da Salt Labs, divisão de pesquisa de uma empresa de segurança, divulgaram uma falha grave no Manus. Eles mostraram que um único e-mail com instruções escondidas podia sequestrar o agente. Usando uma técnica que disfarça código de programação, conseguiram fazer o Manus executar comandos dentro da conta da vítima antes que o filtro de segurança reagisse — e, a partir daí, chegar às credenciais dos serviços conectados, como Gmail, Dropbox ou GitHub.

Esse tipo de ataque se chama injeção de instrução: o agente lê um conteúdo que parece inofensivo, como um e-mail, e trata as ordens escondidas nele como se viessem do próprio usuário.

A falha foi corrigida, mas o caminho chamou atenção: segundo os pesquisadores, a Manus não respondeu ao relatório, e a correção veio pelo programa de recompensas por falhas da Meta, que ainda respondia pelo sistema. O vice-presidente de pesquisa da Salt Labs, Yaniv Balmas, avaliou que o domínio dos agentes ainda é novo e que barreiras isoladas não bastam: são necessárias várias camadas de defesa.

O momento é delicado porque a 2.0 amplia justamente essa porta. Com as automações disparadas por e-mail, o agente pode começar a trabalhar sem que o usuário tenha pedido nada — basta alguém mandar uma mensagem. E o Cue dá aos agentes uma carteira.

O que dizem os analistas

A consultoria Gartner, pela analista Anushree Verma, avalia que a camada de organização — o equivalente ao Cascade — está se tornando o grande diferencial entre agentes, especialmente para empresas, mas que ela complementa os modelos de linguagem, não os substitui. Verma recomenda tratar agentes autônomos como automação de confiança limitada: isolados, com etapas de aprovação, registro detalhado do que fazem e autoridade restrita.

Pela consultoria IDC, Sakshi Grover recomenda que as empresas verifiquem onde ficam guardados os pedidos, os arquivos produzidos, os registros e as credenciais dos serviços conectados, e se o trabalho pode ser levado para outra plataforma de verdade, e não só exportado.

Para quem vale a pena agora

Para quem desistiu pelo preço em 2025, vale uma nova tentativa no plano gratuito, que hoje se renova todo dia. Os 300 créditos diários não fazem uma pesquisa aprofundada, mas permitem sentir o agente antes de pagar.

Para pesquisa, comparação de mercado e relatórios, o plano de 20 ou de 40 dólares é a porta de entrada razoável, desde que o usuário acompanhe o consumo de créditos nas primeiras semanas.

Para quem quer criar vídeos curtos ou protótipos de jogos sem saber editar ou programar, o Studio é a novidade que mais justifica a visita.

Cautela redobrada com automações disparadas por e-mail ligadas a contas importantes, e com o Cue em qualquer tarefa que envolva dinheiro, enquanto a empresa não detalhar como funcionam a confirmação de pagamentos, os limites e os reembolsos.

E um conselho prático, aprendido com a separação da Meta: faça cópia do que for importante. A empresa já apagou dados de usuários uma vez por exigência regulatória.

O que não se sabe

– Se o Cascade reduz a conta de verdade. Os 32% vêm de um teste único da própria empresa.

– Quanto uma tarefa típica consome na 2.0. Não há medição independente depois do lançamento.

– Como funciona a carteira do Cue. A empresa não publicou a rede de pagamentos, como as transações são confirmadas nem como funcionam os estornos.

– Quanto tempo o Cue fica gratuito. O acesso antecipado não tem data de fim nem preço anunciado.

– O futuro societário. A rodada com avaliação de 4 bilhões é relatada pela imprensa, sem confirmação oficial dos termos.

O fecho

O Manus de 2025 era uma promessa cara: impressionava na demonstração e assustava na fatura. O Manus 2.0 chega com uma porta de entrada de 20 dólares, um crédito pela metade do preço, ferramentas de vídeo e jogos que ampliam o público, e uma aposta ousada em agentes com identidade própria. O que ainda não mudou é a pergunta que o acompanha desde a estreia: quanto vai custar, no fim do mês, deixar um agente trabalhar sozinho. Desta vez, a empresa promete gastar menos. Os próximos meses de fatura vão dizer se a promessa se cumpre.

Fontes: 1 · 2 · 3 · 4) · 5 · 6 · 7 · 8 · 9 · 10 · 11 · 12 · 13 · 14 · 15 · 16 · 17 · 18 · 19 · 20 · 21

Assine a newsletter gratuitamente para receber um resumo semanal e matérias do seu interesse.

Sem trava e sem cadeado: tudo no Tectônica é aberto. A newsletter não destranca nada — ela poupa a sua volta ao site.

Assinar a newsletter

Compartilhar X Facebook

Deixe um comentário

Contato e parcerias: contato@tectonica.blog