Europa torna obrigatório o limitador de velocidade embutido nos carros
Capítulo 10 do Tecnologia em Perspectiva
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Enquanto mercados como o brasileiro continuam a receber esportivos de alta potência sem grandes restrições tecnológicas, a União Europeia adotou uma abordagem oposta ao tornar obrigatório, desde julho de 2024, o sistema ISA (*Intelligent Speed Assistance*, ou Assistente Inteligente de Velocidade) em todos os carros novos. A tecnologia opera como um assistente passivo de alerta, cruzando dados de visão computacional no para-brisa com mapas em nuvem e coordenadas de satélite. Quando o veículo excede a velocidade permitida, o sistema emite avisos sonoros, visuais ou leves resistências no pedal, permitindo contudo que o condutor sobreponha a restrição ao acelerar com mais força. Essa dinâmica estabelece o conceito de conformidade projetada desde a fábrica, em que o cumprimento das regras passa a ser supervisionado pelo software do motor.
Propostas de restrição eletrônica avançam em estados norte-americanos como Califórnia e Illinois, ao mesmo tempo em que surgem rumores sobre um bloqueio ativo via satélite na Europa — possibilidade desmentida oficialmente pela Comissão Europeia devido a riscos operacionais em ultrapassagens de emergência. Na análise do Professor, a atual fase de alertas serve como um teste em larga escala para coletar dados, treinar a inteligência artificial e superar falhas de leitura causadas por vandalismo em placas ou intempéries climáticas. O Professor vê nisso a consolidação de um novo modelo estatal, que substitui a punição reativa de radares pelo policiamento preventivo integrado à arquitetura do próprio automóvel.
A necessidade de eficiência econômica deve desencadear o chamado Efeito Bruxelas, forçando as montadoras a padronizar suas plataformas eletrônicas globais sob as rígidas exigências europeias. Caso os sistemas atinjam a precisão necessária e diretrizes de redução de acidentes como o programa *Vision Zero* ganhem força, a limitação física da aceleração poderá se tornar realidade até o fim da década; caso contrário, a indústria tenderá a manter permanentemente o modelo baseado apenas em alertas passivos.
