Yeti GX ou Yeti Orb: qual microfone da Logitech comprar
Análise lida pelo Professor
Os dois são os primeiros microfones que a Logitech G lançou depois de comprar a Blue, a dona do Yeti original, e os dois ligam num cabo USB só e acendem em RGB. Mas são animais diferentes: o Yeti GX é dinâmico e supercardioide, feito para ouvir só a boca de quem fala; o Yeti Orb é condensador e cardioide, feito para ouvir a sala. Na Amazon, R$ 800 contra R$ 350. Esta análise explica o que essa diferença de tipo significa para quem joga, transmite ou faz reunião, o que a imprensa mediu, o que os compradores dizem, e para quem cada um faz sentido.
A Logitech anunciou os dois juntos, em setembro de 2023, e os trouxe ao Brasil em maio de 2024. O Yeti GX é o modelo caro: cápsula dinâmica desenhada pela Logitech, corpo de alumínio fundido em formato de pílula, base de aço em S, botão de mudo e roda de ganho no corpo, duas zonas de luz RGB e um limitador analógico, o “Smart Audio Lock”, que segura o volume antes de distorcer. O Yeti Orb é o modelo de entrada: uma esfera de plástico e tecido do tamanho de uma laranja, cápsula condensadora, nenhum botão, uma perna de tripé e o logotipo iluminado. Os dois usam o mesmo programa, o G HUB, com os mesmos filtros de voz Blue VO!CE: equalizador, redutor de ruído, compressor, anti-estouro.
Dinâmico ou condensador: a diferença que decide tudo
Um microfone condensador é sensível: capta pouco volume de longe, com detalhe, e por isso é o padrão dos estúdios, onde a sala é tratada e silenciosa. Um dinâmico é surdo de propósito: precisa da voz perto, a 5 a 15 centímetros, e ignora o resto. A regra prática do mercado, repetida por toda análise dos dois: em quarto, sala de estar ou escritório compartilhado, com teclado mecânico, ventilador de PC e gente ao fundo, o dinâmico ganha; em ambiente silencioso e tratado, ou para gravar duas pessoas ou um instrumento, o condensador ganha. O padrão de captação reforça isso: o supercardioide do GX é um cone mais estreito à frente que o cardioide do Orb.
Lado a lado
| Yeti GX | Yeti Orb | |
|---|---|---|
| Tipo | Dinâmico, cápsula própria da Logitech | Condensador |
| Captação | Supercardioide (cone estreito à frente) | Cardioide (cone mais aberto à frente) |
| Distância de uso | 5 a 15 cm da boca | Até um braço de distância |
| Resolução de áudio | 24 bits / 96 kHz | 24 bits / 48 kHz |
| Resposta de frequência | 60 Hz a 18,5 kHz | 70 Hz a 20 kHz |
| Volume máximo sem distorcer | 135 dB | 117 dB |
| Relação sinal-ruído | 78 dB | 72 dB |
| Controles no corpo | Botão de mudo e roda de ganho; Smart Audio Lock (limitador analógico) | Nenhum: tudo pelo G HUB |
| Saída de fone para monitorar | Não | Não |
| Construção | Alumínio fundido, base de aço em S, espuma anti-sopro | Plástico com tecido, tripé de plástico |
| Peso com base | 616 g | 230 g |
| Montagem em braço | Sim, com adaptador de 1/4" para 5/8" na caixa | Rosca de 1/4", sem adaptador |
| RGB | Duas zonas (logotipo e anel na base) | Logotipo e luz de status |
| Programa | G HUB com Blue VO!CE | G HUB com Blue VO!CE |
| Cabo | USB-C para USB-A | USB-C para USB-A |
| Cores | Preto ou branco | Preto ou branco |
Nenhum dos dois tem saída de fone de ouvido para se ouvir enquanto grava, o que a imprensa cobrou do GX pelo preço. E os dois dependem do G HUB para os filtros: um comprador do GX avisa que “o software de configuração para cores e efeito de áudio não funciona em Linux”, e um comprador mexicano do Orb resume que “a qualidade de áudio fora da caixa deixa a desejar; precisa configurar pelo programa”.
Quanto custa
| Yeti GX | Yeti Orb | |
|---|---|---|
| Amazon hoje | R$ 799,99, preto | R$ 349,99, preto |
| Logitech Store | R$ 899,90 de tabela; R$ 809,91 no Pix | R$ 399,90 de tabela; R$ 359,91 no Pix |
| Outras lojas | — | R$ 323 no Mercado Livre; R$ 376 na KaBuM |
| Preço de lançamento no Brasil | R$ 799,90 | R$ 399,90 |
| Estados Unidos | US$ 149,99, em promoção de US$ 169,99 | US$ 69,99 |
A Amazon está R$ 100 abaixo da loja da Logitech no GX e R$ 50 abaixo no Orb. A diferença entre os dois, R$ 450, é o preço de um Orb e mais um pouco. Alternativas na mesma faixa, para calibrar: o Fifine AM8, dinâmico com USB e XLR, sai por R$ 300 a 450, e é o que um comprador brasileiro do Orb recomenda em vez dele acima de R$ 300; o HyperX SoloCast 2 está em torno de R$ 310; o HyperX QuadCast S, condensador de referência dos streamers, a partir de R$ 1.000.
O que a imprensa diz
| Veículo | Yeti GX | Yeti Orb |
|---|---|---|
| Criticaster, média | 79 de 100, em 4 análises | — |
| TechRadar | 83 | — |
| PCWorld | 82 | — |
| XDA | 7,5 de 10 | "ótimo microfone compacto de baixo custo" |
| GamesRadar | 72 | — |
| PCGamesN | 7 de 10 | — |
| Tom’s Hardware | — | "Simples, soa bem" |
| Podcastage | — | "som voltado aos médios", "sucessor espiritual do Blue Snowball" |
Sobre o GX, o consenso é de um microfone bem construído, bonito e fácil, com som bom para jogo e transmissão, e caro para o que oferece. O TechRadar o chamou de “mestre em minimizar artefatos” e “bem construído, fácil de usar e de ótimo som para gamers e streamers”. O PCWorld: “mantém alta qualidade de som direto da caixa; tudo transpira qualidade”. O Trusted Reviews falou de “captação clara e cheia de corpo”. A crítica vem em três frentes: sem monitoramento por fone, “um preço salgado para um microfone USB”; a base não regula altura, então quem é alto precisa se curvar para ficar no eixo do supercardioide; e, para podcast e trabalho de voz, o PCGamesN achou que “falta calor e tom”, concluindo que ele “não se destaca da multidão de Yetis que vieram antes”.
Sobre o Orb, o tom é “bom para o preço, com um porém”. O Tom’s Hardware o considerou “um microfone gamer de entrada sólido, que soa bem direto da caixa”. A ressalva vem de quem mede: o Podcastage descreveu o som como “médios à frente, com graves fracos e agudos macios; a voz é inteligível mas sem calor”, e o LanOC concluiu, testando os dois lado a lado, que “o Orb era mais alto, mas o GX soava mais parecido com o que eu estava gravando”. Em Mac, mais de uma análise registrou ganho alto demais, difícil de evitar a distorção. E, como condensador sem botão, ele não tem mudo físico: para silenciar, é preciso ir ao programa.
A nota dos compradores na Amazon
| Yeti GX | Yeti Orb | |
|---|---|---|
| Nota média | 4,8 de 5 | 4,6 de 5 |
| Avaliações | 77 | 196 |
| 5 estrelas | 89% | 83% |
| 4 estrelas | 6% | 9% |
| 3 estrelas | 2% | 4% |
| 2 estrelas | 0% | 1% |
| 1 estrela | 3% | 3% |
Do GX, os brasileiros dizem “áudio muito bom, melhor mic de mesa”, “o áudio sai muito límpido, além de ser bonito”, e um avô que grava aulas para os netos no YouTube diz que ele “tem cumprido muito bem sua função”. As queixas: o programa não funciona em Linux, e um comprador recebeu um cupom de software já usado, sinal de produto reembalado. Do Orb, o elogio é sempre “custo-benefício”: “a qualidade de som é excepcional pro preço”, “todas as pessoas com quem tive reunião notaram a diferença”, “eu não preciso falar próximo ao microfone para minha voz ser captada”. E a ressalva mais útil da página vem de quem deu quatro estrelas: “comprei por R$ 209; por R$ 309 eu já não aconselharia; nessa faixa é melhor um Fifine AM8, que é mais completo”.
As reclamações que se repetem
Nos dois: teclado e mesa. O LanOC registrou que “ambos captaram ruído de teclado e, pior, ruído pela mesa”, por vibração da base. O GX filtra melhor o teclado, por ser dinâmico e supercardioide; o Orb capta o clique do mouse. A solução para os dois é um braço articulado, e o GX já vem com o adaptador de rosca.
No GX: preço e monitoramento. R$ 800 sem saída de fone é a queixa de toda análise. A base fixa obriga a se curvar. E o som, embora limpo, não tem o corpo de um dinâmico de rádio, o que só importa para quem faz podcast sério.
No Orb: sensibilidade e falta de controles. Capta o ambiente inteiro, que é a natureza do condensador. Não tem botão de mudo nem roda de ganho: tudo pelo G HUB, que precisa estar aberto. Em Mac, o ganho vem alto. E a construção de plástico com tecido é leve demais: o tripé tomba com facilidade.
Nos dois: o G HUB. Programa pesado, com histórico de problemas de consumo de processador e de compatibilidade, sem versão para Linux, e sem o qual os filtros Blue VO!CE não existem.
Para quem cada um faz sentido
O Yeti GX é para quem joga e transmite em casa, num quarto ou sala com teclado mecânico, ventilador e gente ao fundo. O dinâmico supercardioide ignora o que não é a sua voz, o limitador segura o volume nos gritos, e o botão de mudo está na mão. É a compra certa a R$ 800 para quem vai usar todo dia e quer resolver o áudio de uma vez. Compre com um braço articulado, para tirá-lo da mesa e do teclado.
O Yeti Orb é para quem quer sair do microfone do fone de ouvido gastando pouco, faz reunião e chamada de vídeo, e tem um ambiente razoavelmente silencioso. Capta bem a distância, o que dispensa ficar colado nele, e o programa melhora bastante o som. A R$ 350, é um bom primeiro microfone. Só não espere que ele ignore o teclado, nem procure um botão de mudo.
Quem deve olhar outra coisa: quem faz podcast ou gravação de voz com exigência de tom, para quem nenhum dos dois é a escolha; e quem quer o dinâmico mais barato, para quem o Fifine AM8, com botão de mudo, saída de fone e conexão XLR, entrega mais por menos que o GX, sem a construção nem a marca.
Onde comprar
O Tectônica pode receber comissão por compras feitas a partir dos links acima, conforme o aviso no topo desta análise. Preços consultados na Amazon Brasil em 5 de setembro de 2026 e sujeitos a mudança.
Fontes: 1 · 2 · 3 · 4 · 5 · 6 · 7 · 8 · 9 · 10 · 11 · 12 · 13 · 14 · 15 · 16 · 17 · 18 · 19 · 20 · 21 · 22





