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Carros elétricos decolam no Brasil e marcas chinesas miram expansão global

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Capítulo 7 do Tecnologia em Perspectiva
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Nos primeiros oito meses do ano, os emplacamentos de veículos elétricos atingiram 7,6% do mercado automotivo brasileiro, um salto de 218% em relação ao ano anterior. Esse avanço sinaliza a abertura de um mercado historicamente dominado pelos motores flex e pelo etanol. Essa transição tem sido impulsionada essencialmente por fatores econômicos na rotina dos motoristas. Na Europa, por exemplo, um veículo totalmente elétrico percorreu o anel viário de Paris com um custo de apenas 0,82 euro a cada cem quilômetros — aproveitando a condução por inércia (*coasting*) para atingir alta eficiência —, enquanto um modelo a diesel nas mesmas condições custaria quase sete euros.

Na análise do Professor, esse apelo financeiro vem acompanhado por uma mudança estrutural ainda maior, na qual a inteligência dos veículos passa a ser importada do Oriente. A montadora chinesa Xpeng expandiu a oferta de licenciamento de sua arquitetura elétrica, sistemas de *cockpit* digital e chips Turing AI para fabricantes internacionais, além de alegar planos para integrar essa tecnologia em robotáxis e robôs humanoides. O especialista vê nisso o reconhecimento pragmático de um atraso das fabricantes tradicionais ocidentais no desenvolvimento de softwares próprios, tornando o licenciamento de ecossistemas digitais chineses prontos a única via economicamente viável no momento.

Essa dependência tecnológica abre cenários geopolíticos delicados. A consolidação dessa tendência pode transformar o Ocidente em um cliente cativo de softwares e processadores asiáticos ou provocar uma reação severa dos Estados. Caso milhões de veículos passem a rodar com arquiteturas licenciadas da China, governos em Washington e Bruxelas podem reclassificar esses automóveis como vulnerabilidades de infraestrutura crítica. Sob esse prisma, o carro deixa de ser um simples meio de transporte e passa a ser tratado como um nó em uma imensa rede de dados, sujeito a embargos semelhantes aos aplicados às redes 5G. Diante dessa nova realidade, a proteção da inteligência artificial embarcada nesses veículos torna-se um pilar fundamental da segurança nacional.

Fontes: 1 · 2 · 3

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