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Fabricantes de televisão espionam usuários enquanto mercado lança seguros contra roubos

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Capítulo 9 do Tecnologia em Perspectiva
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A transição dos televisores de receptores passivos para dispositivos bidirecionais consolidou um modelo em que as margens de lucro reduzidas na venda do aparelho são compensadas pela monetização contínua do comportamento do usuário. Fabricantes como a Samsung e a LG informam o uso da tecnologia de Reconhecimento Automático de Conteúdo (ACR, na sigla em inglês) para extrair impressões digitais acústicas e visuais da tela e de portas HDMI. Embora as empresas sustentem que apenas geram assinaturas numéricas autorizadas, testes do canal Gamers Nexus acusam aparelhos da LG de varrerem redes Wi-Fi locais e enviarem telemetria mesmo em modo standby. Esse modelo remonta a 2017, quando a fabricante Vizio pagou um acordo de 2,2 milhões de dólares à agência reguladora americana, a FTC, por rastrear 11 milhões de lares sem consentimento.

Paralelamente, no ambiente urbano, a chegada do Pix em 2020 transformou os celulares em chaves de cofre para o esvaziamento imediato de contas, impulsionando a venda de seguros de proteção digital. Instituições como o Nubank — em parceria com a seguradora Chubb —, o Bradesco Seguros e a BB Seguros passaram a oferecer coberturas para transações sob coação ou furto. Na análise do Professor, contudo, essa expansão representa a privatização de um problema de segurança pública e gera uma falsa sensação de proteção. Ao cobrirem a coerção física tradicional e excluírem golpes virtuais puros de engenharia social, como o *phishing*, as apólices transferem o ônus do risco cibernético para a alegada negligência do consumidor.

O Professor vê nisso a perspectiva de uma onda de judicialização contra as seguradoras, o que deve forçar os aplicativos bancários a incorporar inteligência artificial para biometria comportamental e detecção autônoma de estresse. Já no mercado de tecnologia de consumo, eventuais vazamentos massivos de bancos de dados de ACR podem criar uma demanda por televisores deliberadamente desconectados, transformando a garantia mecânica de privacidade em um privilégio caro e restrito.

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