Barreiras de software prolongam a vida do hardware antigo
Capítulo 6 do Tecnologia em Perspectiva
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O encerramento do suporte gratuito ao Windows 10 pela Microsoft, agendado para 14 de outubro de 2025, expõe o choque entre a obsolescência programada e a viabilidade material dos computadores. A exigência do módulo de segurança criptográfica TPM 2.0 para a migração ao Windows 11 pode transformar até 400 milhões de máquinas funcionais em lixo eletrônico. Como reação, a plataforma de recondicionados Back Market passou a vender notebooks rejeitados pelo novo sistema rodando alternativas como Ubuntu Linux e ChromeOS Flex. No mercado de componentes, a fabricante Gigabyte lançou placas-mãe adicionando conectividade Wi-Fi 6E ao antigo chipset B450, modernizando a plataforma do soquete AM4 da AMD oito anos após seu lançamento. Tensão semelhante ocorre nos navegadores: enquanto Google Chrome e Microsoft Edge migram para a arquitetura Manifest V3, que limita a eficácia de bloqueadores de anúncios, o Mozilla Firefox mantém suporte integral ao Manifest V2 e a ferramentas avançadas de filtragem.
Na análise do Professor, esse panorama demonstra que a obsolescência contemporânea decorre de decretos de software, e não do esgotamento físico do hardware. Em um contexto de inflação global e desaceleração nos saltos de desempenho dos processadores, as grandes corporações recorrem a travas estruturais de código para forçar ciclos de renovação comercial que a economia e a física de transistores já não justificam. Essa disputa aponta para a consolidação, até o fim desta década, de um ambiente tecnológico cindido entre ecossistemas corporativos hiperatualizados e engessados, de um lado, e uma economia secundária sustentada por recondicionadores, distribuições Linux e componentes legados, de outro.
