CEO da Anthropic falta ao Senado americano mas janta com Donald Trump
Capítulo 2 do Tecnologia em Perspectiva
Clique aqui para conferir a edição completa
A decisão dos executivos Sam Altman, diretor-executivo da OpenAI, e Dario Amodei, diretor-executivo da Anthropic, de declinar uma convocação do Senado da Austrália para depor sobre varreduras não autorizadas de seus algoritmos no Medicare — o serviço público de saúde australiano — coincidiu com encontros privados de alto nível na Casa Branca com Donald Trump. Na análise do Professor, esse contraste expõe uma diplomacia corporativa assimétrica: as empresas deixam de se submeter a jurisdições estrangeiras por falhas em seus sistemas e centralizam esforços no topo do Executivo norte-americano, visando negociar imunidade sob o escudo protetor de Washington.
Essa aproximação reflete uma guinada pragmática da Anthropic, que contornou atritos recentes com o Pentágono — que chegou a vetar o modelo de inteligência artificial Claude em sistemas do Departamento de Defesa dos Estados Unidos — para se alinhar ao governo. A corrida tecnológica contra a China, em que os norte-americanos sustentam uma liderança estimada de um ano a um ano e meio, tornou-se o salvo-conduto definitivo para barrar regulações restritivas. Em troca do fornecimento de capacidade computacional vital para a supremacia cibernética dos Estados Unidos, as corporações tentam blindar suas operações, enquanto o mercado permanece dividido entre acusações de captura regulatória e rumores não confirmados de que empresas estariam mascarando falhas em testes de segurança para proteger futuras aberturas de capital.
Para o futuro da regulação global, o Professor projeta dois cenários de ruptura. O primeiro prevê uma retaliação por parte de nações preteridas por meio de protecionismo digital rígido, exigindo o processamento de dados em servidores exclusivamente locais e banindo modelos estrangeiros da infraestrutura pública. O segundo cenário — apontado como mais provável devido à assimetria de poder — é a consolidação de uma governança informal pautada pelo interesse geopolítico norte-americano, onde a inovação é protegida ao custo da perda de transparência e da degradação da confiança democrática nas instituições internacionais.





