Google testa inteligência artificial no varejo e envia processador para o espaço
Capítulo 8 do Tecnologia em Perspectiva
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Para contornar as restrições energéticas e territoriais enfrentadas pelos centros de dados terrestres, o Google anunciou o envio de seus processadores para a órbita da Terra no dia primeiro de outubro de 2026. A operação será realizada pelo foguete Falcon 9, da empresa aeroespacial SpaceX, como parte da missão Transporter 18. A iniciativa integra o Projeto Suncatcher, revelado em novembro de 2025, que visa explorar a incidência solar quase constante em órbita baixa e desenvolver sistemas de comunicação a laser com altíssima largura de banda, prevendo o lançamento dos primeiros satélites interligados em 2027. Para garantir a viabilidade técnica, os chips especializados da empresa, conhecidos como TPUs Trillium, foram submetidos a feixes de prótons no Laboratório Nuclear Crocker, na Universidade da Califórnia, sendo aprovados para suportar a radiação cósmica em missões superiores a cinco anos. Embora Elon Musk, CEO da SpaceX, e Jared Isaacman, administrador da agência espacial norte-americana NASA, defendam que a infraestrutura espacial é indispensável para escalar a computação, analistas de mercado mantêm ceticismo quanto aos custos de lançamento e à precisão exigida pelos links a laser.
Em paralelo à expansão orbital, a tecnologia é aplicada para absorver o consumo direto na interface conversacional. Em testes realizados na Índia com a plataforma de e-commerce Flipkart — controlada pela varejista americana Walmart e investida em 350 milhões de dólares pelo Google em 2024 —, usuários concluem compras dentro do Gemini, a inteligência artificial da empresa, sem a necessidade de navegar pelo site da loja. O movimento reflete a transição para os modelos de ação multimodal, capazes de interagir autonomamente com sistemas de terceiros para efetuar transações. Na análise do Professor, essa estratégia estabelece uma simetria entre a busca por energia ilimitada no espaço e o cerco ao consumidor na Terra. Caso esse cenário se consolide, o e-commerce tradicional corre o risco de ser desidratado, transformando marcas varejistas em meras operadoras logísticas anônimas enquanto a plataforma retém a atenção, a conversão e os dados da jornada de compra.





