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Motorola Razr 60: o dobrável barato e o que ele cobra por isso

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Análise lida pelo Professor

Análise do Tectônica. Esta matéria pode conter links de afiliados: se você comprar por um deles, o site pode receber uma comissão, sem custo extra para você. A avaliação segue o método editorial — as fontes ficam no rodapé, e nenhuma marca paga por opinião.

Um celular que dobra ao meio, cabe no bolso da calça fechado, tem tela externa de verdade e custa menos de R$ 3.300 na promoção. O Razr 60 é o dobrável mais acessível que dá para comprar no Brasil hoje, e essa frase é elogio e alerta ao mesmo tempo. Esta análise trata do que ele entrega, do que a caixa promete e não cumpre — a começar pelos “24 GB de RAM” do título do anúncio —, do que o selo IP48 realmente protege, e de onde o corte de custo aparece no uso diário.

Ficha técnica

Motorola Razr 60 (256 GB)
Formato Dobrável tipo concha
Tela principal 6,9" pOLED LTPO, validada pela Pantone
Tela externa 3,6", roda aplicativos sem abrir o aparelho
Processador MediaTek Dimensity 7400X
Memória 12 GB reais + 12 GB virtuais (o "RAM Boost")
Armazenamento 256 GB
Câmeras 50 MP principal + 13 MP grande-angular
Bateria 4.500 mAh, carga TurboPower de 33 W
Proteção IP48 e dobradiça de titânio
Sistema Android 15, com recursos de Moto AI
Nota na Amazon 4,5 em 182 avaliações (81% de cinco estrelas, 8% de uma)
Preço na Amazon R$ 3.298,99 com 40% de desconto, ou 12x de R$ 274,98

Primeiro, o “24 GB” que não existe

O título do anúncio diz 24 GB. A ficha técnica da própria Amazon, algumas linhas abaixo, diz 12 GB. As duas informações estão certas, e é justamente aí que mora a confusão.

O aparelho tem 12 GB de memória RAM física. Os outros 12 GB são memória virtual: o sistema reserva um pedaço do armazenamento interno e finge que é RAM. A técnica existe, funciona para manter mais aplicativos abertos em segundo plano, e é usada por quase toda a indústria — mas memória de armazenamento é ordens de grandeza mais lenta que RAM de verdade. Somar as duas num número só é marketing, não especificação.

Traduzindo: você está comprando um celular de 12 GB, o que aliás é bastante. Só não é 24.

O que o IP48 realmente protege

Este é o segundo ponto que merece tradução, e ele importa mais num dobrável do que em qualquer outro celular.

O selo tem dois dígitos. O primeiro é poeira, o segundo é água.

– O 4 significa proteção apenas contra objetos sólidos maiores que um milímetro. Não é proteção contra poeira. Areia fina, pó de obra e terra continuam entrando.

– O 8 significa imersão contínua: o aparelho aguenta até 1,5 metro de água por 30 minutos.

Ou seja: você pode derrubar na piscina, mas não deveria levar à praia. E isso não é implicância, porque a poeira é justamente a inimiga histórica da dobradiça — o grão que entra no mecanismo é o que mata dobrável com o tempo. Nenhum dobrável tipo concha do mercado resolveu isso ainda; o Razr 60 está no mesmo patamar dos concorrentes, e o patamar é esse.

Do lado bom, a dobradiça é de titânio e a Motorola afirma que ela aguenta 35% mais dobras que a da geração anterior.

Onde o corte de preço aparece: o desempenho

Se existe um ponto fraco claro, é este. O Dimensity 7400X é uma evolução pequena sobre o chip do ano passado, e os testes internacionais convergem numa mesma conclusão: o uso cotidiano é fluido, mas o aparelho tropeça quando a tarefa aperta.

Aplicativo pesado demora mais que o esperado para abrir num celular dessa faixa. Jogo exigente engasga nas configurações altas e o corpo esquenta em sessão longa. Multitarefa pesada — vários aplicativos grandes abertos ao mesmo tempo — é onde a diferença para um celular comum do mesmo preço fica mais visível.

Isso é a essência do negócio que o Razr 60 propõe: você paga pelo formato, e o formato custa desempenho. Um celular tradicional de R$ 3.300 tem processador melhor. Ele só não dobra.

Câmera e bateria

Na câmera, a leitura é consistente entre quem testou: boa de dia, fraca de noite. As fotos com luz natural saem nítidas e com cor agradável, e o conjunto de 50 MP mais grande-angular de 13 MP cobre bem as situações comuns. Em ambiente escuro, o detalhe se perde. Uma compradora brasileira resumiu isso na avaliação de forma direta, ao dizer que o aparelho serve a quem se contenta com qualidade de intermediário.

Há um truque que só o formato permite e que vale mencionar: a tela externa serve de visor para a câmera principal. Isso significa selfie com a câmera boa, e não com a frontal — um ganho real de qualidade que celular comum não oferece.

Na bateria, os 4.500 mAh renderam cerca de 41 horas de uso ativo em teste, o que dá aproximadamente um dia e meio para a maioria das pessoas. A carga de 33 W é modesta para 2026, mas suficiente.

A tela externa é o motivo de comprar

Vale ser explícito sobre o que faz esse aparelho valer a pena, porque não é a ficha técnica.

A tela de 3,6″ na tampa roda aplicativos de verdade. Responder mensagem, ver mapa, controlar música, pagar, olhar a agenda — tudo isso sem abrir o telefone. Na prática, isso reduz o número de vezes que você desdobra o aparelho e cai naquele buraco de meia hora rolando a tela. É a coisa mais próxima de um celular que interrompe menos.

Somado a isso, fechado ele tem metade do tamanho de um celular normal, o que resolve bolso de calça, bolsa pequena e a sensação de estar carregando um tijolo.

Um alerta sobre a compra, não sobre o produto

Entre as avaliações de uma estrela há uma reclamação que não é sobre o aparelho e sim sobre a venda: um comprador relatou ter recebido uma unidade cuja garantia de fábrica já estava correndo, ou seja, um produto que não era novo de verdade.

É um risco de marketplace, não da Motorola. Confira quem está vendendo e quem entrega antes de fechar, e registre a data de ativação da garantia assim que ligar o aparelho.

Para quem faz sentido

Para quem quer um dobrável e não quer gastar o dobro, esse é o caminho. É o dobrável mais barato com dobradiça decente e tela externa funcional, e a diferença de preço para os modelos de topo é grande o bastante para justificar as concessões.

Para quem cansou de celular grande, o argumento é o formato, e ele é forte. Fechado, cabe onde nenhum celular atual cabe.

Para quem joga ou usa o celular para trabalho pesado, não. O processador é o limite do aparelho, e nenhum outro atributo compensa isso.

Para quem fotografa à noite, também não. A câmera é competente com luz e mediana sem ela.

Para quem vai à praia com frequência, pense duas vezes. O IP48 protege da água e não protege da areia, e areia em dobradiça é problema caro.

E para quem quer o formato com desempenho de topo, existe o Razr 60 Ultra, que custa bem mais e resolve exatamente a parte que falta aqui.

Onde comprar

O Tectônica pode receber comissão por compras feitas a partir do link acima, conforme o aviso no topo desta análise. Preços consultados na Amazon Brasil em 9 de setembro de 2026 e sujeitos a mudança.

Fontes: 1 · 2 · 3 · 4 · 5 · 6 · 7 · 8

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