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Melhores remakes de games: os 10 clássicos de 1990 a 2005 que renasceram na nova geração

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Matéria narrada pelo Professor

Nos últimos dez anos, uma leva de clássicos dos anos 1990 e do começo dos anos 2000 voltou ao mercado refeita do zero: com gráficos novos, câmeras novas, combate redesenhado e, em muitos casos, histórias ampliadas. Esta seleção do Tectônica reúne dez desses remakes, todos de jogos lançados originalmente entre 1990 e 2005 e refeitos a partir de 2015. A escolha partiu das notas da crítica especializada e da comunidade de jogadores, reunidas no Metacritic e em outros rankings de relevância, mas o resultado é uma seleção editorial e não representa necessariamente as maiores notas da imprensa. Remasterizações, que apenas melhoram a imagem de um jogo antigo, ficaram de fora. Nove jogos aparecem a seguir sem ordem de classificação; o último da lista é o que o Tectônica considera o melhor remake do período.

Remake não é remasterização

Antes da lista, uma distinção que guiou a escolha. A remasterização pega o jogo antigo e melhora o que já existe: resolução maior, texturas mais nítidas, às vezes uma taxa de quadros mais alta. O jogo continua o mesmo por baixo. O remake reconstrói o jogo, geralmente em um motor gráfico novo, e pode mudar a câmera, o combate, as fases e até partes da história, mantendo o espírito do original.

Por isso jogos muito bem avaliados, mas vendidos como remasterizações, não estão aqui. Os dez escolhidos foram refeitos de verdade.

The Legend of Zelda: Link’s Awakening

O original. Lançado em junho de 1993 no Japão e em agosto do mesmo ano nos Estados Unidos, para o Game Boy, *Link’s Awakening* foi o primeiro Zelda portátil. Dirigido por Takashi Tezuka, da Nintendo, ele tirou a série de Hyrule: Link naufraga na misteriosa ilha Koholint e precisa reunir oito instrumentos musicais para despertar o Peixe-Vento, a única forma de deixar o lugar. Não há Hyrule nem princesa Zelda, e o tom é ao mesmo tempo leve e melancólico.

Foi também o primeiro Zelda de visão de cima em que Link pula, e trouxe ideias que voltariam na série, como a sequência de trocas de objetos, a pescaria e as músicas tocadas em instrumentos. Vendeu 3,83 milhões de cópias no Game Boy, e a versão colorida *DX*, de 1998, somou outros 2,22 milhões.

O remake. Em setembro de 2019, o estúdio Grezzo, com a Nintendo, relançou o jogo no Switch. A estrutura da ilha e das masmorras é a mesma, mas o visual mudou por completo: os personagens parecem bonecos de plástico, e o mundo tem efeito de maquete, como uma ilha de brinquedo vista de perto. A masmorra colorida da versão *DX* foi mantida, e um modo novo permite montar masmorras próprias com salas coletadas pelo caminho. Espada e escudo ficam sempre equipados, o que deixa os controles mais simples, e a abertura ganhou cenas animadas desenhadas à mão.

O IGN chamou o remake de uma aula de como refazer um clássico sem perder a sensação do original. Vendeu 6,46 milhões de cópias até o fim de 2022.

Silent Hill 2

O original. Em setembro de 2001, a Konami lançou *Silent Hill 2* no PlayStation 2. Feito pelo Team Silent, com direção de Masashi Tsuboyama, música de Akira Yamaoka e monstros desenhados por Masahiro Ito, o jogo conta a história de James Sunderland, que recebe uma carta da esposa morta e viaja para a cidade enevoada de Silent Hill para procurá-la.

O terror aqui é psicológico: a cidade e suas criaturas refletem a culpa e as memórias dos personagens. É frequentemente citado como o melhor jogo da série e como exemplo de videogame tratado como arte. Vendeu mais de 1,3 milhão de cópias.

O remake. Em outubro de 2024, o estúdio polonês Bloober Team, com a Konami, entregou a versão nova, para PS5 e PC, feita no Unreal Engine 5 e com chegada ao Xbox Series em novembro de 2025. Akira Yamaoka voltou para refazer a trilha, e Masahiro Ito colaborou com arte conceitual. A câmera fixa deu lugar a uma câmera em terceira pessoa, colada ao ombro de James, o combate foi refeito e as cenas, reconstruídas. Uma mudança simpática para quem não gosta de enigmas difíceis: a dificuldade dos quebra-cabeças é escolhida separadamente da do combate.

Havia desconfiança antes do lançamento, mas a recepção foi calorosa. O Eurogamer escreveu que, contra as expectativas, o estúdio ampliou o jogo nos pontos certos e preservou o essencial com cuidado. O remake chegou a um milhão de cópias em quatro dias e a 2,5 milhões em outubro de 2025.

Tony Hawk’s Pro Skater 1 + 2

Os originais. Em setembro de 1999, a Neversoft e a Activision lançaram *Tony Hawk’s Pro Skater* para o PlayStation. A proposta era simples e viciante: sessões de dois minutos em pistas cheias de objetivos, ao som de punk e ska. O jogo levou o skate a um público enorme e virou uma franquia anual.

A continuação, de setembro de 2000, foi ainda mais longe. *Tony Hawk’s Pro Skater 2* trouxe o *manual*, a manobra de equilíbrio que permite encadear combinações longas, além de criação de skatista e editor de pistas. Foi eleito jogo do ano de 2000 pela revista EGM e vendeu cerca de 5,3 milhões de cópias.

O remake. Em setembro de 2020, o estúdio Vicarious Visions juntou os dois jogos num pacote refeito no Unreal Engine 4, para PS4, Xbox One e PC, depois para os consoles novos e o Switch. As 19 pistas foram reconstruídas em alta definição, e a física foi ajustada a partir do código original da Neversoft, para que a sensação de controle fosse a mesma. Entraram manobras de jogos posteriores da série, como o *revert*, que podem ser desligadas por quem prefere o estilo antigo, além de multijogador online, criação de skatista e de pista e um elenco de 21 profissionais, entre eles o brasileiro Bob Burnquist. A trilha recebeu 37 músicas novas, mantendo quase todas as originais.

O TechRadar disse que o jogo lembra por que todo mundo se apaixonou pelos jogos de skate. Foi o lançamento mais rápido da franquia, com um milhão de cópias em duas semanas.

The Legend of Heroes: Trails in the Sky 1st Chapter

O original. Em junho de 2004, a japonesa Nihon Falcom lançou no PC, só no Japão, *The Legend of Heroes: Trails in the Sky*, com direção de Toshihiro Kondo. A história acompanha Estelle Bright e o irmão adotivo Joshua, que treinam para entrar na guilda dos *bracers*, uma espécie de força de pacificadores do reino de Liberl, e acabam descobrindo uma conspiração para derrubar a monarquia.

Foi o primeiro jogo da saga *Trails*, que se tornaria uma longa série de RPG. O jogo só chegou ao Ocidente em 2011, no PSP, e ao PC em inglês em 2014, com um roteiro gigantesco: cerca de um milhão e meio de caracteres em japonês.

O remake. Em setembro de 2025, a Falcom lançou ao mesmo tempo no mundo todo *Trails in the Sky 1st Chapter*, para PS5, Switch, Switch 2 e PC, com publicação da GungHo no Ocidente. O jogo foi refeito em 3D completo, com vozes novas em inglês e japonês, e oferece duas formas de lutar: os combates por turnos tradicionais da série ou um combate de ação em tempo real, criado para esta versão. A pessoa escolhe a que preferir.

O site RPG Site deu nota máxima e disse que o jogo serve tanto aos fãs do original quanto como porta de entrada para quem nunca jogou a série. O presidente da Falcom contou que a demonstração na Steam teve a maior resposta já registrada pela empresa na plataforma. Um detalhe para quem joga no Brasil: a versão de PC não tem textos em português.

Black Mesa

O original. Em novembro de 1998, a Valve, com publicação da Sierra, lançou *Half-Life* para PC. O jogador é Gordon Freeman, um físico que precisa escapar do complexo de pesquisa Black Mesa depois que um experimento abre uma passagem para outra dimensão, de onde chegam alienígenas, enquanto militares entram para eliminar as testemunhas.

*Half-Life* mudou a forma de contar histórias em jogos de tiro: tudo acontece em sequências roteirizadas, sem tirar o controle do jogador. Ganhou mais de 50 prêmios de jogo do ano, vendeu mais de 9 milhões de cópias até 2008 e gerou modificações que viraram jogos próprios, como *Counter-Strike*.

O remake. *Black Mesa* tem uma das histórias de origem mais curiosas desta lista: começou como projeto de fãs. Em 2004, dois grupos que tentavam refazer *Half-Life* no motor Source se uniram, formando a equipe que depois virou o estúdio Crowbar Collective. Em 2012, saiu uma versão gratuita, ainda sem a parte final do jogo, passada no mundo alienígena de Xen. O projeto foi um dos primeiros aprovados pela votação dos fãs na Steam, e em 2013 a equipe confirmou que tinha a permissão da Valve para vender o jogo.

A versão completa saiu em março de 2020, depois de anos em acesso antecipado. Texturas, modelos, física e inteligência dos inimigos foram refeitos, fases e enigmas foram alterados, e Xen foi reconstruído do zero: o trecho, que durava cerca de uma hora no original, passou para cerca de quatro. A trilha nova é de Joel Nielsen. O IGN chamou *Black Mesa* de a melhor forma de jogar o *Half-Life* de 1998.

Paper Mario: The Thousand-Year Door

O original. Em 2004, a Intelligent Systems e a Nintendo lançaram no GameCube *Paper Mario: The Thousand-Year Door*. Tudo começa quando a princesa Peach encontra um mapa do tesouro ligado à lendária Porta Milenar e é sequestrada pelos X-Nauts. Mario precisa reunir sete Estrelas de Cristal para abrir a porta e salvá-la.

O que tornou o jogo especial foi a forma de lutar: as batalhas acontecem num palco de teatro, com uma plateia que reage ao desempenho de Mario, e cada golpe pede um botão apertado no momento certo. As insígnias dão habilidades novas e permitem montar o personagem do jeito do jogador. Foi eleito o RPG de console do ano no Interactive Achievement Awards e vendeu 1,91 milhão de cópias até 2007.

O remake. Em maio de 2024, a mesma Intelligent Systems relançou o jogo no Switch. Gráficos, animações e música foram refeitos, e uma insígnia especial troca a trilha pela versão original do GameCube, para os nostálgicos. A viagem rápida foi melhorada, há uma galeria de arte e música, e dois chefes secretos foram acrescentados. O IGN chamou o remake de a versão definitiva de um RPG querido da Nintendo. Vendeu 2,1 milhões de cópias até março de 2025.

Final Fantasy VII Remake

O original. Em janeiro de 1997 no Japão e em setembro nos Estados Unidos, a Square lançou *Final Fantasy VII* no PlayStation, com direção de Yoshinori Kitase, produção de Hironobu Sakaguchi e música de Nobuo Uematsu. O mercenário Cloud Strife entra num grupo que luta contra a Shinra, uma megacorporação que suga a energia vital do planeta, e acaba numa perseguição ao vilão Sephiroth.

Foi o primeiro jogo da série principal com personagens em 3D e vídeos em computação gráfica, e é creditado por impulsionar as vendas do PlayStation e por popularizar os RPGs japoneses no Ocidente. Vendeu mais de 15,3 milhões de cópias.

O remake. Em abril de 2020, a Square Enix lançou no PS4 o primeiro capítulo de uma releitura em três partes, feita no Unreal Engine 4 e dirigida por Tetsuya Nomura, Naoki Hamaguchi e Motomu Toriyama. *Final Fantasy VII Remake* cobre apenas Midgar, a cidade onde começa o jogo de 1997, mas com a história expandida o bastante para um jogo inteiro. O combate por turnos virou ação em tempo real, com uma pausa tática que preserva a estratégia do original, os cenários ganharam três dimensões, e todos os personagens são dublados. A trilha traz novos arranjos das músicas de Uematsu.

A versão *Intergrade*, de 2021, acrescentou um episódio com a ninja Yuffie e levou o jogo ao PS5 e ao PC; em janeiro de 2026, ele chegou ao Switch 2 e ao Xbox Series. A segunda parte, *Final Fantasy VII Rebirth*, saiu em 2024, e a terceira, *Final Fantasy VII Revelation*, está prevista para 2027. O primeiro capítulo vendeu 3,5 milhões de cópias em três dias e 8,7 milhões até março de 2025.

Metroid: Samus Returns

O original. Em novembro de 1991, a Nintendo lançou no Game Boy *Metroid II: Return of Samus*, dos criadores do primeiro *Metroid*, com produção de Gunpei Yokoi. A caçadora de recompensas Samus Aran vai ao planeta SR388 para exterminar os Metroids, criaturas que os Piratas Espaciais querem usar como arma, enfrentando-as em vários estágios de evolução.

O jogo estreou recursos que viraram marca da série, como o pulo giratório no ar, a bola que se prende às paredes e o visual da armadura Varia, e o final serviu de ponto de partida para *Super Metroid*. Vendeu 1,72 milhão de cópias.

O remake. Em setembro de 2017, o estúdio espanhol MercurySteam, com a Nintendo e a produção de Yoshio Sakamoto, relançou o jogo no Nintendo 3DS como *Metroid: Samus Returns*. Samus ganhou um contra-ataque corpo a corpo, mira livre em todas as direções e as habilidades Aeion, como um pulso que revela o mapa ao redor. O visual passou para 2,5D, com profundidade em 3D, e surgiram áreas novas e pontos de teletransporte.

O IGN chamou o jogo de uma ótima reinvenção. Ele venceu como melhor jogo portátil no The Game Awards de 2017 e abriu caminho para a parceria que resultaria em *Metroid Dread*, de 2021.

Resident Evil 4

O original. Em janeiro de 2005, a Capcom lançou *Resident Evil 4* no GameCube, com direção de Shinji Mikami. O agente Leon S. Kennedy viaja a uma região rural da Espanha para resgatar Ashley, filha do presidente dos Estados Unidos, sequestrada por uma seita, e enfrenta aldeões dominados por um parasita.

O jogo trocou as câmeras fixas da série por uma câmera atrás do ombro do personagem e trouxe ação mais intensa, uma fórmula que influenciou jogos como *Gears of War*, *Dead Space* e *The Last of Us*. Foi relançado em praticamente todas as plataformas e soma cerca de 15,2 milhões de cópias.

O remake. Em março de 2023, a Capcom lançou a versão nova no RE Engine, para PS4, PS5, Xbox Series e PC. Leon agora anda enquanto mira, bloqueia ataques com a faca, que se desgasta com o uso, e pode avançar de forma furtiva. Há um sistema de criação de itens, missões novas do Mercador, menos sequências de apertar botões na hora certa e uma luta contra Krauser totalmente jogável. Ashley ganhou um papel maior e deixou de ter barra de vida, e o tom geral ficou mais sombrio. O modo Mercenaries chegou de graça, e a expansão *Separate Ways*, com Ada Wong, foi vendida à parte.

O IGN escreveu que a aventura mais empolgante da série foi reconstruída e refinada até o limite do seu potencial. O remake vendeu 16 milhões de cópias até junho de 2026, e é o único desta lista com dublagem completa em português do Brasil na Steam.

Resident Evil 2: o melhor remake do período

O original. Em janeiro de 1998, a Capcom lançou *Resident Evil 2* no PlayStation, com direção de Hideki Kamiya e produção de Shinji Mikami. Dois meses depois dos acontecimentos do primeiro jogo, Raccoon City está tomada por zumbis. O policial novato Leon S. Kennedy, no primeiro dia de trabalho, e a universitária Claire Redfield, que procura o irmão, tentam escapar da cidade, cada um com sua própria campanha.

O sistema de cenários interligados permitia jogar a história por ângulos diferentes, e o jogo virou referência do terror nos games. Vendeu 4,96 milhões de cópias no PlayStation.

O remake. Em janeiro de 2019, a Capcom lançou a versão nova para PS4, Xbox One e PC, feita no motor gráfico RE Engine, com direção de Kazunori Kadoi e Yasuhiro Anpo. A câmera fixa e o controle rígido, em que o personagem gira no lugar como um tanque, deram lugar a uma câmera em terceira pessoa livre, sobre o ombro. Os gráficos fotorrealistas usam rostos escaneados de pessoas reais, e os zumbis ficaram mais resistentes, perdendo membros quando atingidos.

A grande novidade é o Tyrant, o gigante de sobretudo apelidado de Mr. X, que passou a perseguir o jogador pela delegacia: o som dos passos pesados dele se aproximando virou uma das experiências mais marcantes do terror recente. O remake ainda acrescentou os modos extras Ghost Survivors e 4th Survivor e uma opção para trocar a trilha pela original. O Eurogamer chamou o jogo de uma releitura magistral de um clássico moderno.

Os números confirmam o impacto: segundo a Capcom, o remake vendeu 19,7 milhões de cópias até junho de 2026, quatro vezes mais que o original. A versão de Switch 2 está marcada para 16 de outubro de 2026.

O motivo de *Resident Evil 2* fechar esta lista é o equilíbrio. Ele manteve o mapa, os personagens, o clima e a tensão que tornaram o original um clássico, e mudou tudo o que envelheceu: câmera, controle, gráficos e ritmo. Depois dele, a própria Capcom refez também *Resident Evil 3* e *Resident Evil 4*.

Ficou de fora

Alguns jogos muito bem avaliados não entraram por serem vendidos como remasterizações, como *Metroid Prime Remastered*, de 2023, e as coletâneas *Crash Bandicoot N. Sane Trilogy* e *Spyro Reignited Trilogy*. O remake de *Zelda: Ocarina of Time* para o Switch 2 ainda não foi lançado: está marcado para 5 de novembro de 2026.

O fecho

Os dez remakes desta seleção mostram que refazer um clássico não é só trocar a pintura. Os melhores entendem o que tornou o original especial e mudam o resto: a câmera de *Silent Hill 2*, o combate de *Final Fantasy VII*, a ilha de brinquedo de *Link’s Awakening*, o palco de *Paper Mario*, Xen reconstruído do zero em *Black Mesa*. No topo, *Resident Evil 2* fez isso melhor do que todos, e virou referência de como modernizar um clássico.

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