Gears of War: E-Day chega em 6 de outubro com a melhor nota da série em 15 anos e um combate que parte da crítica chama de o melhor da franquia
Matéria narrada pelo Professor
Gears of War: E-Day, da The Coalition, chega ao Xbox Series X|S e ao PC em 6 de outubro de 2026, no mesmo dia em que entra no Game Pass Ultimate e no PC Game Pass. Quem comprou a Edição Premium joga desde 1º de outubro. A crítica recebeu bem: média de 88 no OpenCritic e entre 87 e 88 no Metacritic, a melhor avaliação da série desde Gears of War 3, de 2011. O combate, com um novo sistema de cobertura, é o ponto mais elogiado; a história, o mais criticado. Na Steam, onde custa R$ 299, o jogo tinha 79% de avaliações positivas em 5 de outubro, em meio a uma reação de parte da comunidade contra a personagem Mags Carter. Esta matéria explica o que é o jogo, o que a crítica disse, como ele roda no PC, o que se discute nas redes e o que se sabe sobre a exclusividade no Xbox.
O que é Gears of War: E-Day
Gears of War é uma das séries mais conhecidas do Xbox. Desde o primeiro jogo, lançado pela Epic Games no Xbox 360, ela define o jogo de tiro em terceira pessoa com cobertura: a câmera fica atrás do ombro do soldado, e sobreviver depende de se abrigar atrás de muros e escombros antes de atirar.
E-Day é o primeiro jogo principal da série desde Gears 5, de 2019. Foi anunciado em junho de 2024 e é desenvolvido pela The Coalition, o estúdio da Microsoft que cuida da franquia, em parceria com o estúdio People Can Fly, que já tinha ajudado nos três primeiros jogos.
O pacote tem três partes:
– A campanha, que pode ser jogada sozinho ou em cooperação com até quatro pessoas pela internet, ou duas na mesma tela, no console;
– O Cerco da Horda (*Horde Siege*), em que até doze jogadores, em três esquadrões de quatro, resistem juntos a ondas de inimigos, escolhendo entre quatro classes: assalto, atirador de precisão, médico e arrombador;
– O Versus, o modo competitivo, com partidas de quatro contra quatro.
A história: o dia em que o chão se abriu
E-Day é um prequel, uma história que se passa antes da série original: catorze anos antes do primeiro Gears of War. O nome vem do *Emergence Day*, o “Dia da Emergência”, a data em que os Locust, uma horda de criaturas que vivia sob a superfície do planeta Sera, irrompem do subsolo e atacam a humanidade de surpresa.
Esse dia aparecia na série só como lembrança. Agora ele é o jogo inteiro, ambientado em Kalona, cidade industrial criada para este título, ao longo de três noites. No centro estão os jovens Marcus Fenix e Dominic “Dom” Santiago, a dupla da trilogia original, com as vozes de sempre: John DiMaggio e Carlos Ferro.
Mags Carter e o Esquadrão Bravo
Marcus e Dom formam o Esquadrão Bravo com dois personagens novos:
– Mags Carter, ex-soldada que trabalha na refinaria de Imulsion de Kalona, o combustível que move aquele mundo;
– Lucas Reyes, jovem oficial de comunicações que nunca esteve na linha de frente.
Segundo o Xbox Wire, o canal oficial de notícias da Xbox, quem joga a campanha sozinho controla Marcus. Na cooperação pela internet, cada jogador pode assumir um dos quatro integrantes do esquadrão. É assim que Mags se torna personagem jogável.
O que mudou no combate
A grande novidade está no movimento. Marcus agora pula, escala e desliza, e o sistema de cobertura foi reconstruído para se adaptar à altura e ao formato de cada obstáculo. O estúdio e a crítica o chamam de cobertura adaptativa.
Na prática, há abrigos de várias alturas, inclusive muros baixos e destroços no chão. Se um tiro arranca a metade de cima da proteção, o soldado pode se deitar atrás do que sobrou: fica mais lento e mais exposto, mas ganha uma posição que pode decidir a luta.
O jogo foi feito no Unreal Engine 5, o motor gráfico da Epic Games, com promessa de resolução 4K e traçado de raios, técnica que simula o caminho da luz para gerar sombras e reflexos mais realistas.
O que a crítica disse
As análises foram liberadas em 1º de outubro. Os agregadores, sites que reúnem e fazem a média das notas da imprensa, registraram o seguinte:
| Onde | Nota | Observação |
|---|---|---|
| OpenCritic | 88 | 92% dos críticos recomendam |
| Metacritic (contagem de 1º de outubro) | 88 | 49 análises, segundo The Shortcut |
| Metacritic, Xbox Series X (5 de outubro) | 87 | 36 análises |
| Metacritic, PC (5 de outubro) | 83 | versão de computador |
| Steam, jogadores (5 de outubro) | 79% positivas | 3.058 avaliações |
Para dar contexto: os três primeiros jogos da série tiveram 94, 93 e 91 no Metacritic, e o terceiro saiu em setembro de 2011. Como Gears of War 4, Gears 5, Judgment e Gears Tactics ficaram abaixo de E-Day, o site 80 Level o classificou como o Gears mais bem avaliado em mais de 15 anos.
O mais elogiado foi o combate. O TechRaptor deu 9,5 e chamou E-Day de o melhor jogo da série. GameRant, GamingBolt, Press Start e The Games Machine deram 9; Pure Xbox e DayOne, nota máxima. O editor Andy Brown, da GamesRadar+, chamou E-Day de o melhor jogo de tiro com cobertura desde a época do Xbox 360, e de revolucionário o sistema de cobertura adaptativa.
Até a análise mais dura reconhece esse ponto. A PC Gamer, que publicou o texto ainda sem nota porque o multijogador não estava disponível, escreveu que Gears nunca foi tão bom de jogar. Também foram elogiados o visual, a iluminação, o som e o clima mais sombrio.
Onde a crítica fez ressalvas
A ressalva mais repetida é a história. A GameSpot, que deu 7, considerou o enredo decepcionante e as áreas abertas pouco aprofundadas. A Wccftech, que deu 7,4, viu um passo atrás em relação a Gears 5 na narrativa.
A PC Gamer foi mais longe. Para a revista, o prequel tem dificuldade de justificar a própria existência, porque o Marcus jovem é praticamente o mesmo veterano de sempre, e a campanha, de mais de 20 horas, é longa demais para combates parecidos entre si.
Há ainda queixas sobre missões secundárias que não mudam nada na história, segundo uma compilação do site GeekBlog, e sobre cenários repetidos e coletáveis em excesso, segundo o The Guardian, citado pelo Critical Hits.
Em resumo, a crítica vê um jogo que acerta no que a série tem de mais característico e divide opiniões no que tenta acrescentar em narrativa e estrutura.
A reação de parte da comunidade
Fora da imprensa, a semana de acesso antecipado teve outra discussão, concentrada na Steam e na rede social X.
Em 4 de outubro, o perfil Pirat_Nation, que comenta jogos no X e tem cerca de 350 mil seguidores, publicou uma mensagem vista mais de 400 mil vezes. O perfil afirma que o jogo foi divulgado como uma história de Marcus e Dom, mas que Mags Carter parece ser a personagem principal, e que avaliadores da Steam chamam isso de *bait and switch*, expressão em inglês para anunciar uma coisa e entregar outra. O perfil também atribui a ausência da personagem nas peças de divulgação a uma estratégia de venda; isso é opinião dele, não informação confirmada.
Dois fatos ajudam a pesar a discussão. A descrição oficial do jogo na Steam fala, de fato, em juntar-se a Marcus Fenix e Dominic Santiago na campanha. Mas Mags já tinha sido apresentada pela própria Xbox, no Xbox Wire, em agosto. E, segundo o site russo Shazoo, o visual da única mulher do esquadrão já dividia opiniões nas redes desde junho, quando o grupo foi revelado.
O site TheGamer informou, em 5 de outubro, que uma leva de avaliações negativas na Steam acusava o jogo de carregar mensagem política, mirando uma personagem nova e emblemas de perfil com bandeiras de orientações sexuais, como bissexual, demissexual e lésbica.
A disputa chegou às etiquetas da Steam, as palavras-chave que os próprios usuários aplicam a cada jogo para ajudar outros a encontrá-lo. Em 5 de outubro, a etiqueta mais aplicada na página de E-Day era “LGBTQ+”, marcada por 540 usuários, à frente de “Ação”, com 417. No fórum do jogo na Steam, um tópico conclamava os jogadores a aplicá-la, e as respostas mostram a comunidade dividida.
Mesmo assim, a recepção de quem comprou segue majoritariamente favorável: em 5 de outubro, eram 2.405 avaliações positivas e 653 negativas, na faixa “Ligeiramente positivas”. Entre as avaliações em português, a aprovação era de 40 em 48.
Desempenho no PC
O jogo é exigente. O site TechPowerUp testou 35 placas de vídeo na configuração máxima, chamada Ludicrous. Em resolução 1080p, só sete placas, todas de topo de linha, passaram de 60 quadros por segundo; em 4K, nenhuma.
A conclusão do teste é que o jogo foi pensado para ser jogado com ampliação de imagem, recurso como o DLSS da Nvidia e o FSR da AMD, que desenha a cena em resolução menor e a amplia com ajuda de inteligência artificial. Descer da configuração Ludicrous para a Ultra já rende 49% a mais de quadros, com diferença visual pequena.
Há três pontos de atenção:
– Compilação de sombreadores. Sombreadores são pequenos programas que a placa de vídeo usa para desenhar a imagem. Na primeira abertura, o jogo os preparou por mais de 15 minutos, e repete isso a cada troca de placa ou de driver. O sistema da Microsoft que baixa esses programas prontos ainda não funciona em placas Nvidia, que dependem de um driver futuro;
– Travamentos. Na cópia enviada à imprensa, o jogo fechou várias vezes ao carregar a fase depois de cada troca de placa, e depois estabilizou. Dentro do jogo, não houve engasgos;
– Memória de vídeo. Na configuração máxima, o jogo usa 13 GB em 4K, e placas de 8 GB ficam sem memória já em 1440p.
No Steam Deck, o portátil da Valve, a loja promete o jogo otimizado, mas o site Steam Deck HQ não o recomendou em teste de 1º de outubro: mesmo no mínimo, a taxa de quadros, a quantidade de imagens desenhadas por segundo, caía com frequência abaixo de 30.
Exclusivo do Xbox, e a dúvida sobre o PlayStation
E-Day sai apenas para Xbox Series X|S e PC, pela loja da Microsoft e pela Steam, além de jogo por nuvem no Game Pass Ultimate e no GeForce NOW. A exclusividade nos consoles foi anunciada pela presidente-executiva da Xbox, Asha Sharma, em junho de 2026. A decisão chamou atenção porque a própria série já tinha ido ao PlayStation: Gears of War: Reloaded, versão remasterizada do primeiro jogo, saiu para PS5 em maio de 2025.
Segundo a Game Informer, em 11 de junho de 2026, a Xbox negou ter mudado de ideia na última hora. O diretor criativo da The Coalition, Matt Searcy, disse que nunca se falou em levar o jogo ao PS5, e a diretora de marca, Nicole Fawcette, afirmou que o plano nunca mudou.
A mesma reportagem registrou relatos em sentido contrário: o jornalista Tom Warren, do The Verge, e fontes da agência Bloomberg falaram em planos para o PS5, e o logotipo do console chegou a aparecer numa arte oficial de podcast da Xbox, depois apagada. São relatos de bastidor, sem confirmação oficial.
Preço, edições e requisitos
Na Steam brasileira, E-Day custa R$ 299,00 na edição padrão e R$ 449,00 na Edição Premium, que nos Estados Unidos sai por 100 dólares e deu acesso antecipado, o direito de jogar cinco dias antes, a partir de 1º de outubro. Assinantes do Game Pass Ultimate e do PC Game Pass, o serviço de assinatura da Microsoft, recebem o jogo em 6 de outubro. A classificação etária no Brasil é 18 anos.
No PC, segundo a Steam:
– Mínimo: Windows 10, 12 GB de memória e placa de vídeo com traçado de raios, do nível de uma GeForce RTX 2060 ou Radeon RX 6600;
– Recomendado: Windows 11, 16 GB de memória e placa do nível de uma GeForce RTX 3060 Ti ou Radeon RX 6700 XT;
– Em ambos: 115 GB livres em SSD, a unidade de armazenamento rápido que substituiu o disco rígido.
O que não se sabe
– A nota final de várias revistas. Muitas análises saíram sem avaliar o multijogador, que só abre de verdade com o lançamento.
– Quantas cópias o jogo vendeu. A Microsoft não divulgou números.
– Quando chega o driver da Nvidia que dispensa a longa espera dos sombreadores.
– Se haverá versão para PlayStation. A Xbox nega qualquer plano, e não há anúncio.
O fecho
Gears of War: E-Day volta ao começo de tudo para contar o dia em que o mundo da série desabou, e chega com a crítica mais favorável que a franquia recebe desde 2011. O consenso é claro num ponto: o tiroteio atrás da cobertura, marca registrada da série, nunca foi tão bom, agora com pulo, deslizamento e abrigos que mudam durante a luta.
O jogo serve a quem gosta de combate intenso e tático, a quem quer jogar a campanha com amigos e a quem acompanha Marcus e Dom desde a trilogia original. Para quem assina o Game Pass, a porta abre em 6 de outubro, sem custo extra. No PC, o melhor caminho é ligar a ampliação de imagem e ter paciência na primeira abertura.
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