China acumula equipamentos de chips e Taiwan acelera pesquisas científicas
Capítulo 1 do Tecnologia em Perspectiva
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Fábricas chinesas adotaram uma estratégia agressiva de estocagem, acumulando mais de 330 sistemas de litografia de imersão DUV (ultravioleta profundo) até o início de 2026. A movimentação antecipa os possíveis efeitos da Lei MATCH, proposta que tramita nos Estados Unidos para pressionar a Holanda a proibir a fabricante ASML de vender maquinários antigos e de fornecer suporte técnico aos equipamentos já entregues. Enquanto o think tank americano Center for Technology and Statecraft alega que esses sistemas podem permitir que a China alcance ou supere os Estados Unidos na produção de chips para inteligência artificial, o jornal estatal chinês Global Times sustenta que o bloqueio apenas acelerará a autossuficiência do país. Na análise do Professor, a retórica chinesa funciona sobretudo como pressão diplomática, visto que não há evidências consistentes de que a indústria local consiga replicar a precisão da ASML. Sem manutenção contínua, peças de reposição e atualizações, essas máquinas correm o risco real de se tornarem inoperantes a curto ou médio prazo.
Do outro lado do Estreito, Taiwan consolida sua liderança na infraestrutura de ponta. Impulsionado pela demanda explosiva por inteligência artificial e computação de alto desempenho (HPC), o Southern Taiwan Science Park registrou uma receita recorde de 78,59 bilhões de dólares nos primeiros oito meses de 2026, um avanço de 36,5%. Além da força financeira, pesquisadores da fabricante TSMC e da Academia Sinica publicaram na revista *Nature Electronics* um método de engenharia de interface epitaxial que utiliza uma fina camada de óxido de alumínio para estabilizar o dissulfeto de molibdênio, um semicondutor bidimensional de espessura atômica.
O Professor vê nisso a preparação prática para suceder o silício tradicional, superando os limites físicos e o vazamento de calor dos transistores atuais. O cenário aponta para um abismo tecnológico cada vez mais acentuado: enquanto Taiwan investe na física dos materiais para a década de 2030, a China enfrenta um estrangulamento que pode gerar impactos severos e abrir margem para retaliações econômicas assimétricas.





