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Galaxy S26 Ultra de 16 GB de RAM: por que a versão mais completa ficou R$ 1.300 mais cara

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Matéria narrada pelo Professor

Desde 1º de outubro de 2026, a linha Galaxy S26 custa mais no Brasil. O maior aumento caiu justamente sobre a única versão com 16 GB de memória RAM, o Galaxy S26 Ultra de 1 TB: o preço sugerido passou de R$ 15.499 para R$ 16.799, R$ 1.300 a mais. As outras versões subiram entre R$ 300 e R$ 500. O reajuste aconteceu também nos Estados Unidos e na Coreia do Sul, e tem uma causa comum: a alta no preço dos chips de memória, puxada pela demanda dos servidores de inteligência artificial. Esta matéria explica o que mudou nos preços, por que a memória ficou tão cara, o que isso significa para a Samsung e o que se espera para o próximo modelo.

Os preços antes e depois

Modelo RAM + armazenamento Lançamento (25/02) Desde 1º/10 Diferença
Galaxy S26 12 GB + 256 GB R$ 7.499 R$ 7.799 + R$ 300
Galaxy S26 12 GB + 512 GB R$ 9.099 R$ 9.399 + R$ 300
Galaxy S26+ 12 GB + 256 GB R$ 9.199 R$ 9.699 + R$ 500
Galaxy S26+ 12 GB + 512 GB R$ 10.799 R$ 11.299 + R$ 500
Galaxy S26 Ultra 12 GB + 256 GB R$ 11.499 R$ 11.999 + R$ 500
Galaxy S26 Ultra 12 GB + 512 GB R$ 13.099 R$ 13.599 + R$ 500
Galaxy S26 Ultra 16 GB + 1 TB R$ 15.499 R$ 16.799 + R$ 1.300

Os preços de lançamento são os do comunicado da Samsung Brasil, de 25 de fevereiro. Os de outubro foram publicados pelo Canaltech e pelo Mobile Bit, e os três valores do Ultra conferem com a loja oficial da Samsung em 15 de outubro.

Na loja oficial, nesse dia, havia desconto para pagamento à vista: o Ultra de 256 GB saía por R$ 10.349,10, o de 512 GB por R$ 11.789,10 e o de 1 TB por R$ 13.949,10, com parcelamento em até 18 vezes sem juros no preço cheio. A versão de 1 TB na cor violeta aparecia esgotada.

A única versão com 16 GB

O Galaxy S26 Ultra foi anunciado em 25 de fevereiro de 2026, no evento Unpacked, e as entregas no Brasil começaram em 11 de março. Ele sai em três versões: 12 GB de RAM com 256 GB de armazenamento, 12 GB com 512 GB e 16 GB com 1 TB. O Galaxy S26 e o S26+ têm sempre 12 GB. A Samsung ressalva, no comunicado global, que a opção de memória pode variar de acordo com o mercado.

Vale separar as duas memórias do celular. A RAM é a memória de trabalho: guarda o que o aparelho está usando naquele momento, como os aplicativos abertos e os recursos de inteligência artificial. O armazenamento é onde ficam fotos, vídeos e aplicativos instalados. No S26 Ultra, quem quer os 16 GB de RAM precisa levar também o armazenamento de 1 TB, porque as duas coisas vêm juntas na mesma versão.

Em fevereiro, o Canaltech registrou que o Ultra de 1 TB era o primeiro modelo da linha S com 16 GB de RAM no Brasil, com chips de memória fornecidos pela Micron e pela própria Samsung, em proporção próxima de metade para cada uma.

O resto da ficha é a mesma nas três versões, segundo a Samsung: tela de 6,9 polegadas com 120 Hz, chip Snapdragon 8 Elite Gen 5 for Galaxy, câmera principal de 200 megapixels, zoom óptico de 5 vezes, bateria de 5.000 mAh e carregamento de 60 W. A empresa também anunciou a Tela de Privacidade, que impede quem está ao lado de ver o conteúdo, e declarou ganhos de até 19% no processador e de 39% na unidade de inteligência artificial em relação ao S25 Ultra.

Não foi só no Brasil

O reajuste de 1º de outubro foi mundial. Nos Estados Unidos, segundo o Canaltech, citando a PhoneArena, e o site tech-ish, a maioria das versões subiu US$ 100, e o Ultra de 1 TB subiu US$ 200, de US$ 1.799 para US$ 1.999. Na Coreia do Sul, o Seoul Economic Daily e o SamMobile relataram aumento médio de 149.600 wons, com o Ultra de 1 TB indo para 2.821.500 wons.

Nos três países, a versão de 1 TB com 16 GB foi a que mais subiu. No Brasil, o aumento dela foi de 8,4%.

Segundo o Canaltech e o Mobile Bit, a Samsung já teria citado, no lançamento, o encarecimento da memória como um dos fatores do preço. Os dois sites relatam a declaração, mas o texto original da empresa não foi localizado, e a Samsung Brasil não publicou nota sobre o reajuste de outubro na sua sala de imprensa.

Por que a memória ficou cara

A explicação mais citada está nos servidores de inteligência artificial. Segundo a CNBC, o lucro recorde da Samsung no terceiro trimestre veio da memória para IA: a HBM, um tipo especial de memória empilhada usado nos chips de inteligência artificial, além da DRAM e da memória de armazenamento. Com os centros de dados disputando a produção das fábricas de memória, a peça que vai dentro dos celulares ficou mais cara.

Os números das consultorias mostram o tamanho do salto. Segundo o Seoul Economic Daily, com dados do DRAMeXchange, o preço médio da DRAM, o tipo de memória usado como RAM, foi de US$ 13 em março para US$ 26 no fim de setembro: dobrou em seis meses. A mesma reportagem calcula que a memória passou de 27% para 43% do custo de produção de um celular topo de linha.

A TrendForce, consultoria de Taiwan especializada em semicondutores, informou em maio que os contratos de memória para celular do segundo trimestre subiram de 70% a 83% em relação ao trimestre anterior, conforme o tipo. Em dezembro de 2025, a mesma consultoria já previa que as marcas subiriam preços e cortariam especificações em 2026. Para o quarto trimestre, a previsão de setembro é de nova alta, de 10% a 15% na DRAM comum e de 15% a 20% na memória de armazenamento, em ritmo menor, com os fabricantes de celular usando os estoques que têm.

O efeito nos topos de linha

A previsão de maio da TrendForce ajuda a entender o caso do S26 Ultra. Segundo a consultoria, nos celulares topo de linha, 12 GB de RAM passaria a ser o padrão, e a adoção de 16 GB cairia. Nos intermediários, muitos modelos voltariam a 8 GB.

É exatamente o desenho da linha da Samsung: 12 GB em quase todas as versões e 16 GB só na mais cara. O Galaxy S26 FE, que chegou ao Brasil em 16 de setembro por R$ 5.499 e R$ 6.299, tem 8 GB de RAM, segundo a Samsung.

A Samsung de dois lados

A crise da memória coloca a Samsung numa posição curiosa: ela é, ao mesmo tempo, uma das maiores fabricantes de chips de memória do mundo e uma das maiores fabricantes de celulares.

Do lado dos chips, o momento é de lucro recorde. Em 8 de outubro, a Samsung estimou lucro operacional de 107,4 trilhões de wons, cerca de US$ 80 bilhões, no terceiro trimestre de 2026, puxado pela memória para inteligência artificial, segundo a CNBC e a agência Xinhua. O resultado completo, separado por divisão, sai em 29 de outubro.

Do lado dos celulares, o quadro é outro. Segundo o Seoul Economic Daily, a divisão de celulares da Samsung teria tido no segundo trimestre de 2026 o primeiro prejuízo trimestral da sua história, de 700 bilhões de wons. É um relato da imprensa coreana, ainda sem confirmação no balanço oficial por divisão.

Em outras palavras, a mesma alta que enche o caixa da Samsung com a venda de chips encarece a peça que ela mesma precisa colocar dentro dos seus celulares.

O mercado de celulares encolhe

O aumento de preços não atinge só a Samsung. Em agosto, a IDC previu queda recorde de 16,7% nas vendas mundiais de celulares em 2026, para pouco mais de 1 bilhão de aparelhos, com o preço médio subindo 27,6%, para US$ 581. Segundo a consultoria, as memórias custavam mais de 300% acima do ano anterior, e os preços devem continuar subindo até pelo menos 2028.

Em 12 de outubro, a Counterpoint divulgou uma estimativa preliminar: as vendas mundiais do terceiro trimestre caíram 20% em relação ao mesmo período de 2025, o pior terceiro trimestre desde 2012. A Samsung liderou o mercado, com 23% das vendas, e as vendas dela caíram 3%, bem menos que a média.

O que se fala do Galaxy S27

O próximo modelo ainda não foi anunciado, e tudo o que circula sobre ele é rumor. Em setembro, o informante coreano Lanzuk publicou, num blog, que o Galaxy S27 Ultra teria as mesmas opções de memória do S26 Ultra: 12 GB com 256 GB, 12 GB com 512 GB e 16 GB com 1 TB. O S27 e o S27+ ficariam com 12 GB, e haveria um modelo novo, o S27 Pro, também com 12 GB. O motivo citado é o custo. A informação foi repercutida pelo SamMobile e pelo GSMArena.

Outros rumores falam em memória de geração mais nova, a LPDDR6, nos modelos mais caros, mas o Android Headlines relatou que ela pode ficar de fora justamente por causa do preço dos componentes. A expectativa da imprensa é que a linha seja apresentada em fevereiro de 2027.

O que ainda depende de confirmação

Informação Situação
A Samsung citou a memória como causa do preço no lançamento relatada pelo Canaltech e pelo Mobile Bit; texto original não localizado
A Samsung prevê falta de memória até 2028 aparece em resumos de imprensa; o original não foi localizado
Primeiro prejuízo da divisão de celulares relato do Seoul Economic Daily; o balanço por divisão sai em 29/10
Galaxy S27 com a mesma RAM do S26 rumor do informante Lanzuk, repercutido pelo SamMobile e pelo GSMArena
Galaxy S27 sem LPDDR6 rumor relatado pelo Android Headlines, de origem não identificada

Fora do Brasil, desconto

Nos Estados Unidos, o preço de tabela subiu, mas o varejo já trabalha abaixo dele. Em 13 de outubro, o Gizmochina registrou o Galaxy S26 Ultra de 256 GB à venda na Amazon americana por US$ 1.049,99, abaixo do novo preço sugerido. No Brasil, a própria loja oficial oferece o desconto à vista citado acima.

O fecho

O aumento do Galaxy S26 Ultra de 16 GB é o retrato de uma crise maior: a memória, que respondia por 27% do custo de produção de um celular topo de linha, passou a responder por 43%, segundo o Seoul Economic Daily, enquanto os servidores de inteligência artificial disputam a produção das fábricas. A Samsung lucra com isso na fábrica de chips e paga por isso na linha de celulares. Para quem quer o S26 Ultra com a maior memória, o preço sugerido hoje é de R$ 16.799, e os relatórios das consultorias não indicam queda no preço da memória antes de 2028.

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