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RTX PRO 5500: gigantes chinesas encomendam mais de US$ 35 bilhões em placas da Nvidia, segundo a Reuters

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Matéria narrada pelo Professor

ByteDance, dona do TikTok, Alibaba e Tencent fizeram pedidos de mais de 3 milhões de placas de vídeo RTX PRO 5500 da Nvidia, num valor de tabela acima de US$ 35 bilhões, segundo reportagem exclusiva da agência Reuters publicada em 20 de outubro de 2026, com base em fontes que não se identificaram. A Nvidia não confirmou o pedido, e as três empresas não responderam. A placa é um produto profissional lançado em setembro, com a mesma pastilha de silício da RTX 5090, e virou a aposta das empresas chinesas depois de quatro anos de restrições dos Estados Unidos e da própria China à compra de chips americanos de inteligência artificial. Este artigo separa o que está confirmado do que ainda é reportagem, explica a placa e conta como se chegou até aqui.

O que está confirmado e o que não está

Confirmado por documento ou fonte oficial Fonte
A RTX PRO 5500 existe, com 84 GB de memória e status "em breve" no site da Nvidia página oficial da Nvidia
A Tansun Technology, empresa chinesa listada em Shenzhen, informou à bolsa em 13/10 que vai comprar 20 mil RTX PRO 5500 documento à bolsa, citado pela Reuters
A Nvidia faturou US$ 7,88 bilhões com clientes sediados na China no trimestre encerrado em julho de 2026 relatório trimestral à SEC
A previsão da Nvidia para o trimestre seguinte não conta com receita de data center da China comunicado oficial da Nvidia
Reportado por fontes anônimas, sem confirmação Quem publicou
ByteDance, Alibaba e Tencent pediram mais de 3 milhões de placas, acima de US$ 35 bilhões Reuters, duas fontes
Os pedidos de todos os clientes chineses passam de 6 milhões de placas Reuters, duas fontes
A Nvidia só conseguiria entregar de 5% a 10% do volume pedido Reuters
Amostras em dezembro e entregas comerciais no primeiro trimestre de 2027 Reuters, duas fontes
O governo chinês sinalizou que vai aprovar as compras The Information; a Reuters não conseguiu verificar

A placa: RTX PRO 5500

A RTX PRO 5500 Blackwell é uma placa de vídeo profissional da Nvidia, da linha voltada a estações de trabalho e servidores, e não a jogos. Foi lançada em 14 e 15 de setembro de 2026 e ainda aparece no site da empresa como “em breve”, sem preço oficial.

Item Dado oficial (preliminar)
Arquitetura Blackwell
Memória 84 GB GDDR7, com correção de erros
Banda de memória 1.398 GB/s
Consumo até 600 W
Conexão PCIe 5.0 x16
Divisão até 2 partes isoladas (MIG)

A própria página da Nvidia avisa que as especificações são preliminares. Segundo os sites TechPowerUp e Gigazine, a placa usa o mesmo chip da RTX 5090, a placa de jogos mais potente da Nvidia, o GB202, com 21.760 núcleos CUDA. Na linha profissional, ela fica entre a RTX PRO 5000, de 48 GB, e a RTX PRO 6000, de 96 GB, segundo o site alemão Igor’s Lab. É vendida no mundo todo, não é uma versão feita só para a China.

A linha RTX PRO é diferente das placas de data center que a Nvidia vende para treinar modelos, como as da família Blackwell para servidores. Ela é pensada para estações de trabalho, os computadores de engenheiros, arquitetos e criadores de vídeo, e a RTX PRO 5500 aparece nas fotos oficiais como uma placa preta e fosca, com aletas ao longo da lateral e sem ventoinha aparente.

A memória grande é o que interessa às empresas de IA. Um modelo de linguagem precisa caber na memória da placa para responder rápido, e 84 GB comportam modelos grandes numa única placa. Segundo três fontes ouvidas pela Reuters, o uso principal na China seria a inferência, que é o trabalho de rodar um modelo já treinado para responder às perguntas dos usuários, e não o treino de modelos novos.

O tamanho do pedido

Segundo a Reuters, o pedido de mais de 3 milhões de placas teria preço de tabela em torno de US$ 11.400 por unidade. A conta de 3 milhões vezes US$ 11.400 dá US$ 34,2 bilhões; a Reuters fala em “mais de 3 milhões” de placas e “mais de US$ 35 bilhões”. É um valor de tabela, não receita da Nvidia: o dinheiro só entra quando as placas são entregues.

E a entrega é o gargalo. Segundo as fontes da agência, os parceiros da Nvidia receberiam de 5% a 10% do volume pedido, e a produção global da placa em 2027 seria de no máximo 3 milhões de unidades, para todos os clientes do mundo. A partir de 2027, a capacidade contratada na TSMC, a fabricante que produz os chips da Nvidia, iria para a próxima geração de chips de data center, a Rubin. A TSMC não comentou.

Um pedido menor e documentado mostra o interesse: a Tansun Technology, de Shenzhen, comunicou à bolsa em 13 de outubro que vai comprar 20 mil RTX PRO 5500, e avisou os investidores do risco de atraso por falta de oferta e por controles externos.

O que disseram as empresas

Um porta-voz da Nvidia disse à Reuters que os fabricantes chineses de placas para estações de trabalho tiveram crescimento “sem precedentes desde 2022”. Para ele, as empresas americanas seguem limitadas por “controles de exportação desatualizados” dos Estados Unidos, que alcançam produtos de jogos de quase cinco anos atrás, e pelos limites da própria China às importações americanas. A Nvidia não confirmou o pedido.

ByteDance, Alibaba e Tencent não responderam à Reuters. O escritório de controle de exportações do Departamento de Comércio dos Estados Unidos e o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China também não.

Como se chegou até aqui

A disputa por chips de IA entre Estados Unidos e China tem quatro anos de idas e vindas, registradas pela própria Nvidia nos relatórios à SEC.

Data O que aconteceu Fonte
Ago. 2022 Os EUA restringem a venda das placas de data center A100 e H100 à China relatório anual da Nvidia
Out. 2023 A regra se amplia e alcança também a RTX 4090, de jogos relatório da Nvidia
Abr. 2025 O H20, chip feito para a China, passa a exigir licença; a Nvidia registra perda de US$ 4,5 bilhões em estoque relatório da Nvidia
Ago. 2025 Os EUA dão licenças para o H20, mas o governo chinês restringe as compras relatório da Nvidia
Set. 2025 O órgão de concorrência chinês conclui, de forma preliminar, que a Nvidia violou condições de uma aquisição antiga relatório da Nvidia
Dez. 2025 Trump libera o H200 para clientes aprovados na China, com 25% para o governo americano The National
Fev. 2026 Primeiras licenças de H200, em pequenas quantidades; o governo chinês restringe as compras relatório da Nvidia
Set. 2026 Lançamento da RTX PRO 5500 TechPowerUp
20 out. 2026 Reuters noticia o pedido de mais de US$ 35 bilhões Reuters

O efeito aparece nos números. No ano fiscal encerrado em janeiro de 2025, os clientes sediados na China responderam por cerca de 19% da receita da Nvidia, US$ 25 bilhões. No ano seguinte, a fatia caiu para cerca de 9%. No trimestre encerrado em julho de 2026, foram US$ 7,88 bilhões, cerca de 8% do total de US$ 96,2 bilhões. Esses valores incluem placas de jogos e outras linhas, e o critério é a sede do cliente, não o país de entrega.

O caso do H200 mostra como as duas pontas se travam. Em dezembro de 2025, Trump liberou a venda do chip a clientes chineses aprovados, com 25% do valor para o governo americano. Segundo o relatório da Nvidia à SEC, cada H200 enviado passa por inspeção nos Estados Unidos e paga uma tarifa de 25%, que a empresa não repassa ao cliente. Do outro lado, segundo a Reuters, a alfândega chinesa barrou o H200 em janeiro de 2026. O resultado aparece no relatório: os envios de H200 somaram menos de 1% da receita de data center da Nvidia, e a empresa lançou uma despesa de US$ 400 milhões com estoque do chip parado.

O mesmo aconteceu com a geração anterior de placas profissionais. Em setembro de 2025, segundo o jornal Financial Times, o órgão regulador da internet na China mandou a ByteDance e a Alibaba suspenderem os testes e os pedidos da RTX Pro 6000D, a versão reduzida feita para o mercado chinês. Segundo uma fonte ouvida pela Reuters, as especificações da nova RTX PRO 5500 indicam desempenho parecido com o da 6000D, que foi descontinuada e teve o preço dobrado na China.

Em abril de 2026, o presidente da Nvidia, Jensen Huang, disse num podcast que a participação da empresa no mercado chinês de chips de IA para data centers tinha caído “a zero”, e que a política de restrições já tinha se voltado em grande parte contra os próprios Estados Unidos.

Por que a China quer a placa

Do lado chinês, a demanda por cálculo de IA cresce mais rápido que a produção nacional. Eric Xu, presidente rotativo da Huawei, a principal fabricante chinesa de chips de IA, reconheceu em setembro de 2026, na conferência Huawei Connect, que a produção da empresa ainda não atende a demanda do país.

Os números de mercado ajudam a entender o espaço. Segundo a consultoria IDC, citada pelo boletim Leon Liao, a China recebeu cerca de 4 milhões de aceleradores de IA em 2025; cerca de 41% eram de fabricantes chineses, e a Nvidia ficou com cerca de 55%. As duas medidas não coincidem: a frase de Huang trata da participação em chips de IA para data center em abril de 2026, e a estimativa da IDC cobre o ano de 2025 inteiro.

Há também o software. Um colunista de um site ligado ao ministério chinês de tecnologia escreveu, segundo o Asia Times, que a placa da Nvidia mantém todo o ecossistema CUDA, o conjunto de programas sobre o qual a maior parte do código de IA foi escrita, e que isso pode atrasar a troca por chips chineses. A Cambricon, outra fabricante chinesa, dobrou o faturamento no primeiro semestre de 2026, para quase 6 bilhões de yuans, segundo o site Implicator.

O que ainda está em aberto

Pergunta Situação
A venda da RTX PRO 5500 à China precisa de licença dos EUA? Não há regra publicada nem documento da Nvidia sobre isso; o site Tom’s Hardware afirma que a placa não é restringida, mas sem documento oficial
O governo chinês vai aprovar as compras? O The Information diz que sim, com consulta às empresas sobre quantidade e uso; a Reuters não confirmou
Quantas placas serão entregues? Segundo a Reuters, de 5% a 10% do pedido

Há precedentes que pedem cautela. Em abril de 2025, um pedido noticiado de US$ 16 bilhões em H20 pelas mesmas três empresas não virou venda: o chip foi barrado logo depois, e a Nvidia registrou a perda de US$ 4,5 bilhões em estoque. Em agosto de 2026, a Nvidia chamou de “incorreta” outra reportagem, do The Information, sobre um chip para a China.

E a RTX 5090?

A RTX PRO 5500 usa o mesmo chip GB202 da RTX 5090, a placa de jogos mais potente da Nvidia, que já anda escassa nas lojas. Um rumor publicado pelo vazador conhecido como MEGAsizeGPU, e repercutido pelo Canaltech em 14 de outubro, diz que todo o chip GB202 passaria a ir para a linha RTX PRO, o que encerraria a produção da RTX 5090. É um rumor de fonte única, sem confirmação da Nvidia. O que se pode dizer com segurança é que a mesma pastilha de silício agora tem dois destinos, e que o profissional, segundo os números da Reuters, tem pedidos muito maiores que a capacidade de produção.

O que fica

O pedido mostra o tamanho da fome chinesa por chips de IA e o espaço que a Nvidia ainda tem no país, mesmo depois de quatro anos de restrições dos dois lados. Mas, até agora, é uma reportagem baseada em fontes anônimas, sobre placas que ainda não foram fabricadas em volume, para um mercado em que governos já barraram vendas anunciadas. O que vai importar é quantas placas chegam de fato, a partir de dezembro, e se Washington e Pequim deixam a venda acontecer.

Fontes: 1 · 2 · 3 · 4 · 5 · 6 · 7 · 8 · 9 · 10 · 11 · 12 · 13 · 14 · 15 · 16 · 17 · 18 · 19 · 20 · 21 · 22

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