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Dragon Ball Z Budokai Tenkaichi 3: fãs reconstroem o código e o clássico de 2007 volta a rodar no PC

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Matéria narrada pelo Professor

O Dragon Ball Z Budokai Tenkaichi 3, jogo de luta lançado em 2007 para PlayStation 2 e Wii, voltou a ser um dos assuntos mais buscados do mundo dos games em outubro de 2026. O motivo não é um anúncio da Bandai Namco: é um projeto de fãs. No dia 6 de outubro, um programador publicou no GitHub uma reconstrução completa do código do jogo de PS2, e em cima dela surgiram uma versão nativa para computador, com partidas online, e sites que rodam o jogo direto no navegador. Esta matéria explica o que os fãs fizeram, o que é oficial e o que não é, por que o Tenkaichi 3 desperta tanta paixão e qual é a sequência oficial que se pode comprar hoje.

O que aconteceu

Data Fato
4 de outubro de 2007 o jogo sai no Japão, para PS2 e Wii, com o nome Sparking! METEOR
novembro de 2007 lançamento no PS2 na Europa e nos Estados Unidos
6 de outubro de 2026 publicação da reconstrução do código, o BT3-Decompiled, e da versão para PC, o Tenkaichi3Decomp
13 a 15 de outubro de 2026 sites que rodam o jogo no navegador viralizam no X e na imprensa latino-americana e brasileira
até 15 de outubro de 2026 nenhum comunicado da Bandai Namco sobre o assunto

Reconstruir o código de um jogo

Um jogo de videogame chega ao disco em linguagem de máquina, uma sequência de números que o console entende, mas que pessoas não conseguem ler. O jogo foi criado pela Spike, um estúdio japonês, e é esse código de máquina que está no disco.

O projeto BT3-Decompiled, do programador conhecido como z3xox, fez o caminho inverso: reescreveu o jogo inteiro em linguagem C, legível por humanos, de modo que, ao ser transformado de novo em linguagem de máquina, gere exatamente os mesmos bytes do disco original. Esse tipo de trabalho se chama descompilação “matching”, ou equivalente. Segundo a página do projeto, a reconstrução cobre 99,92% do programa principal e 99,97% do programa de menus da versão americana do jogo, e foi feita “com a ajuda de IA”.

O ponto importante é o que o projeto não contém. Segundo o próprio autor, o repositório traz só o código reescrito, sem os gráficos, sons e personagens do jogo, e exige que o usuário tenha a sua própria cópia legítima do disco americano.

O jogo de 2007 rodando como programa de PC

Sobre essa reconstrução, o mesmo autor publicou o Tenkaichi3Decomp, uma versão nativa para computador. Não é um emulador, o programa que imita um console dentro do PC: é o jogo transformado em programa de computador. Segundo a página do projeto, ele roda no Windows 10 e 11 e no Linux, com suporte experimental ao macOS em chips da Apple.

A lista de recursos vai além do original:

Recurso Tenkaichi3Decomp, segundo o projeto
Resolução imagem até 8 vezes maior que a do PS2
Formato de tela telas largas, 16:9 e 21:9
Fluidez movimento suave experimental a 60, 120 e 240 quadros por segundo
Modos tela dividida e partidas online experimentais
Online salas com código de 6 caracteres, rollback e chat
Mods troca de texturas, cenários e músicas
Requisito a cópia própria do disco americano

O online é a grande novidade. A versão de PS2 do Tenkaichi 3 não tinha partidas pela internet, só a de Wii, pela antiga rede da Nintendo. O projeto usa rollback, uma técnica que reduz a sensação de atraso nas lutas online. O mesmo autor mantém ainda um terceiro projeto, o BT3-Recomp, que chega a um resultado parecido por outra técnica: em vez de reescrever o código à mão, ele traduz automaticamente o programa do disco para um programa de computador, o que se chama recompilação estática. A página do BT3-Recomp credita os direitos à Spike e à Bandai Namco e também declara não ter vínculo com as empresas.

Os projetos declaram não ter vínculo nem aprovação da Bandai Namco ou da Spike. Em 14 de outubro, o Tenkaichi3Decomp mudou a licença de uso do código, da MIT para a AGPL-3.0, que obriga quem distribuir versões alteradas, inclusive pela internet, a publicar também o código delas.

Os sites no navegador

O que viralizou, porém, foram sites que permitem jogar o Tenkaichi 3 direto no navegador, sem instalar nada, com duelos online. Segundo o site mexicano Tarreo Gamer, um deles usa WebAssembly, uma tecnologia que executa programas pesados dentro do navegador, sobre o código descompilado, e avisa que não é oficial e que pode sair do ar. O jornal peruano El Comercio destacou que não é um produto da Bandai Namco. O Infobae informou que o projeto não é uma sequência nem um relançamento comercial e que roda até no navegador do iPhone. No Brasil, o VZone relatou que a versão é experimental, com instabilidade, desconexões e filas.

Aqui está o ponto delicado. Esses sites não pedem o disco do usuário. Os mantenedores do projeto no GitHub foram explícitos: o projeto não faz, não opera e não apoia nenhum site que rode o jogo no navegador, e um site assim, segundo eles, está distribuindo código e dados protegidos por direito autoral. Um dos sites, segundo a própria página, diz não distribuir a imagem do disco, mas traz links para páginas de download de terceiros.

Por isso, esta matéria não indica nem os endereços desses sites nem caminhos para baixar o jogo. A situação legal deles é, no mínimo, duvidosa, e a Bandai Namco, dona dos direitos, não se pronunciou. Até 15 de outubro, também não havia relato de pedido de retirada dos sites.

O que dizem os números, e quem os diz

Informação Quem diz Situação
Mais de 350 mil sessões no navegador nas primeiras 20 horas a própria plataforma, segundo o SpaceMoney alegação, sem verificação independente
60 quadros por segundo nativos e atraso abaixo de 16 milissegundos um dos sites alegação; o contador da página aparecia vazio
357 estrelas e 51 cópias do projeto no GitHub em 14/10 página do Tenkaichi3Decomp fato verificável
Remaster oficial do Tenkaichi 3 nenhuma fonte atual sem base: o único precedente é um boato de 2015 num fórum

Por que o Tenkaichi 3 é tão querido

O Budokai Tenkaichi 3 foi o último jogo da trilogia Tenkaichi da Spike. A Nintendo descreve, na página oficial da versão de Wii, mais de 160 personagens, mais de 30 arenas e dez modos de jogo. A conta inclui as transformações: segundo a Wikipédia, são 98 personagens em 161 formas.

Em 2023, o Voxel, do TecMundo, chamou o jogo de um dos melhores títulos do PS2 e de o mais emulado do console. O site TV Tropes registra que ele é muito querido na América Latina, onde há uma grande comunidade de mods.

Sobre vendas, não há número oficial. O VGChartz, que faz estimativas, calcula 1,03 milhão de unidades. Segundo dados da época reproduzidos no fórum Kanzenshuu, o jogo vendeu 204 mil cópias no PS2 na semana de estreia no Japão, em primeiro lugar, e 40 mil no Wii, em quarto.

A versão de Wii

O Tenkaichi 3 teve duas versões. A de Wii chegou aos Estados Unidos em 3 de dezembro de 2007 e à Europa em 15 de fevereiro de 2008. Segundo a página oficial da Nintendo, ela permitia soltar golpes especiais com gestos do controle Wii Remote e era a única com partidas pela internet, pela Nintendo Wi-Fi Connection, a rede online da Nintendo na época. Por isso, para quem jogou no PS2, o online do projeto de fãs é uma novidade completa. O site francês Gameblog registra nota 65 no Metacritic para a versão de Wii; o dado não foi conferido diretamente no Metacritic.

A sequência oficial: Sparking! Zero

Quem quer o Tenkaichi de forma oficial e com tudo em dia tem uma opção: o Dragon Ball: Sparking! Zero, a sequência direta da trilogia, feita pela Spike Chunsoft. Ele saiu em 11 de outubro de 2024 para PlayStation 5, Xbox Series e PC, e em 14 de novembro de 2025 para Nintendo Switch e Switch 2, com 182 personagens no lançamento.

O jogo foi um sucesso. Segundo a Shacknews e a GamesRadar, citadas pela Wikipédia, ele vendeu 3 milhões de cópias nas primeiras 24 horas, com cerca de 90% das vendas na América do Norte e na Europa. Em fevereiro de 2025, a Bandai Namco anunciou que ele passou de 5 milhões de unidades vendidas no mundo. Em 30 de julho de 2026 chegou o conteúdo extra Super Limit-Breaking NEO, com 33 personagens, um modo solo e quatro cenários, para PS5, Xbox e Steam, junto com uma atualização gratuita que trouxe as mecânicas Sparking! Boost e Chain Blast. O pacote marcou a estreia de Vegeta e Trunks na versão de Dragon Ball GT na série Tenkaichi. Nas versões de Switch e Switch 2, segundo a Bandai Namco, o conteúdo segue um calendário diferente, ainda sem data.

Na Steam brasileira, em 15 de outubro de 2026, os preços eram estes, sem desconto ativo:

Edição Preço na Steam Brasil
Padrão R$ 206,50
Super Limit-Breaking NEO R$ 330,50
Legendary R$ 495,50
Conteúdo NEO avulso R$ 144,50
Passe de Temporada R$ 142,50

O Sparking! Zero tem legendas e menus em português, mas não tem dublagem no idioma, ponto lembrado por fãs brasileiros, que chegaram a fazer um abaixo-assinado pela dublagem clássica, segundo o Voxel. Na Steam, as avaliações em português eram 90% positivas, em 2.885 análises. Nos 30 dias anteriores a 15 de outubro, a proporção era menor, de 71% positivas em 353 análises.

E a Bandai Namco?

Até 15 de outubro de 2026, a Bandai Namco não havia anunciado relançamento, remaster ou nova versão do Tenkaichi 3 para Switch, PS5 ou PC, nem a chegada do jogo a serviços de assinatura como o PlayStation Plus ou o Nintendo Switch Online. No evento Battle Hour, em abril, a empresa apresentou o Dragon Ball Xenoverse 3, previsto para 2027, e novidades do Sparking! Zero, sem citar o Tenkaichi 3.

A coletânea em alta definição lançada em 2012 para PS3 e Xbox 360 reuniu o Budokai 1 e o Budokai 3, outra série de jogos de luta de Dragon Ball, e não o Tenkaichi 3.

O fecho

A volta do Budokai Tenkaichi 3 é um fenômeno de fãs: um trabalho técnico de reconstrução de código que transformou um jogo de 2007 num programa de PC com resolução alta, tela larga e partidas online, exigindo o disco original. Os sites que rodam o jogo no navegador sem o disco são outra história, sem apoio dos próprios autores do projeto e com situação legal duvidosa. Para quem quer o Tenkaichi oficial, o caminho é o Sparking! Zero, a partir de R$ 206,50 na Steam.

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