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MAI-Code-1.1-Flash: o modelo de programação da Microsoft que roda no próprio computador

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Matéria narrada pelo Professor

A Microsoft colocou no seu catálogo público uma versão do MAI-Code-1.1-Flash, o seu modelo de inteligência artificial para programação, feita para rodar no próprio computador, sem depender da nuvem. A versão local foi anunciada em 7 de outubro de 2026, chegou ao catálogo de modelos da empresa em formato pronto para uso doméstico e, em 15 de outubro, ganhou suporte no llama.cpp, o programa mais usado para rodar IA em computador comum. O editor de código VS Code também já tem o recurso no código, ainda fora da versão estável. Há um porém: o modelo pede mais de 120 GB de memória. Esta matéria explica o que é o MAI-Code, o que a versão local promete, o que já está confirmado e o que ainda depende de confirmação.

A ficha

Item MAI-Code-1.1-Flash, versão local
Anúncio da versão local 7 de outubro de 2026
Tamanho do modelo 137,9 bilhões de parâmetros no total, 6,8 bilhões ativos por vez
Arquivo cerca de 53 GB, no formato GGUF
Memória recomendada mais de 120 GB de RAM, segundo a Microsoft
Onde baixar catálogo de modelos da Microsoft (Azure AI Foundry)
Licença MIT, segundo o arquivo técnico do catálogo
Programas llama.cpp (suporte incorporado em 15/10); VS Code (previsto para a versão 1.143)
Custo de uso local sem cobrança por uso, segundo a Microsoft

O que é o MAI-Code

MAI é a sigla da Microsoft AI, a divisão de inteligência artificial da Microsoft, liderada por Mustafa Suleyman. Desde 2025, a divisão lança modelos próprios: de voz, de imagem, de raciocínio e de programação. O MAI-Code-1-Flash foi apresentado em junho de 2026, e a versão 1.1 chegou ao GitHub Copilot, o assistente de programação da Microsoft, em 11 de agosto, com preço 73% menor que o da versão anterior e capacidade de ler imagens.

Segundo a ficha técnica, o modelo foi construído a partir do MAI-Thinking-1, o modelo de raciocínio da casa. Tem memória de trabalho de 256 mil tokens, os pedaços de texto que a IA processa, lê texto e imagem, foi treinado entre março e agosto de 2026, com conhecimento até dezembro de 2025, e trabalha só em inglês.

A família cresceu rápido. Em agosto de 2025 vieram o MAI-Voice-1, de voz, e o MAI-1-preview, o primeiro modelo de linguagem da divisão. Em outubro de 2025 chegou o MAI-Image-1, de imagens. Em 2 de junho de 2026, na conferência Build, a Microsoft apresentou sete modelos de uma vez, entre eles o MAI-Thinking-1 e o próprio MAI-Code-1-Flash. Em agosto, o MAI-Thinking-1 entrou em teste público, com cerca de 1 trilhão de parâmetros no total.

Essa família faz parte de uma mudança maior. Em abril de 2026, Microsoft e OpenAI revisaram o acordo entre as duas: a Microsoft continua licenciada a usar a tecnologia da OpenAI até 2032, mas sem exclusividade, e deixou de pagar à OpenAI uma parte da receita, enquanto a OpenAI segue pagando à Microsoft até 2030, com teto. A Microsoft continua acionista da OpenAI. No anúncio de junho, Suleyman falou em “autossuficiência de longo prazo” e num laboratório de superinteligência.

Como um modelo gigante cabe num computador

Os números do MAI-Code local parecem contraditórios: 137 bilhões de parâmetros, mas só 6,8 bilhões ativos. A explicação está na arquitetura chamada mistura de especialistas, ou MoE, na sigla em inglês.

Os parâmetros são os números ajustáveis que o modelo aprendeu no treinamento; quanto mais parâmetros, mais conhecimento guardado. Num modelo de mistura de especialistas, esse conhecimento é dividido em muitas partes especializadas, e, a cada pedaço de texto, um sistema de triagem escolhe só algumas delas para trabalhar. É como um hospital com cem especialistas em que cada paciente passa por três ou quatro. Por isso o modelo responde com a rapidez de um modelo pequeno.

Mas o hospital inteiro precisa estar aberto. Todos os 137 bilhões de parâmetros ficam carregados na memória, e é daí que vem a exigência de memória. Para caber, a Microsoft comprimiu os números do modelo, numa técnica chamada quantização, parecida com a compressão de uma foto: cada número passa a ser guardado com cerca de 3,3 bits, as menores unidades de informação de um computador, e o arquivo fica cerca de 80% menor que a versão da nuvem, com um pouco menos de precisão. A versão local também usa um modelo auxiliar, de cerca de 700 milhões de parâmetros, que adianta palavras prováveis e acelera a resposta em até duas vezes, segundo a Microsoft.

Há um detalhe nos números que a empresa não explicou. A ficha técnica de agosto descreve o modelo com 138 bilhões de parâmetros e 5 bilhões ativos. O material de outubro, sobre a versão local, fala em 137,9 bilhões e 6,8 bilhões ativos. O total praticamente coincide, mas a parte ativa mudou, e nenhuma das duas fontes comenta a diferença.

Que computador é preciso

Aqui está a principal condição. A Microsoft recomenda mais de 120 GB de memória RAM. O arquivo técnico do catálogo indica cerca de 96 GB de memória de vídeo, e, no uso máximo, o modelo pode ocupar até 75,5 GB.

A máquina usada pela Microsoft nos testes foi o Surface Laptop Ultra, com chip NVIDIA RTX Spark e até 128 GB de memória compartilhada, rodando Windows em processador ARM e o llama.cpp com aceleração da NVIDIA. A loja da Microsoft lista o aparelho a partir de US$ 2.599,99, sem dizer se esse preço é da versão de 128 GB. Ou seja, é um recurso para estações de trabalho e notebooks topo de linha, não para o computador doméstico comum.

A Microsoft não fez promessas para máquinas com 16, 32 ou 64 GB, e nenhuma fonte oficial cita suporte ao Mac.

O que está confirmado

Ponto Situação
A versão local foi anunciada em 7 de outubro confirmado no site da Microsoft AI e no blog técnico da empresa
O modelo está no catálogo público da Microsoft confirmado: página "MAI-Code-1.1-Flash-On-Device", disponível para todos
Formato GGUF, o formato usado para rodar IA em computador comum confirmado no arquivo técnico do catálogo
Suporte no llama.cpp confirmado: o pedido de alteração número 29778 foi incorporado em 15 de outubro
Suporte no VS Code incorporado ao código em 14 de outubro, marcado para a versão 1.143, desligado por padrão e experimental

No VS Code, segundo o pedido de alteração número 341325, o recurso é ativado por uma chave de configuração experimental, o editor não instala o llama.cpp sozinho, e só oferece o modelo em placas da NVIDIA onde ele caiba. A versão estável do VS Code de 14 de outubro, a 1.142, ainda não traz o recurso.

Como deve chegar ao Copilot

Segundo a Microsoft, o acesso experimental à versão local no aplicativo do Copilot, no Copilot de linha de comando e no VS Code estava previsto para até o fim de outubro. Mesmo quando o recurso estiver ligado, há um limite: a escolha automática de modelo do Copilot, o modo “Auto”, ainda nunca seleciona o MAI local, segundo o pedido de alteração do VS Code. Quem quiser usar o modelo no computador terá de escolhê-lo à mão.

Na versão da nuvem, o modelo já está disponível no GitHub Copilot desde agosto. Em contas de empresa, porém, ele vem desligado, e o administrador precisa liberá-lo.

O MAI local aparece num movimento maior do Windows. Em 7 de outubro, o The Register relatou que a Microsoft prepara um sistema chamado HydraFusion, para distribuir tarefas entre modelos locais e da nuvem, e que o Windows ML, a camada de IA do sistema, vai passar a trabalhar com o llama.cpp. A reportagem não cita o MAI-Code, mas mostra que rodar IA no próprio computador virou parte da estratégia do Windows.

O que ainda depende de confirmação

Duas informações que circularam pedem cautela.

A primeira é a licença. O arquivo técnico do catálogo marca a versão local como MIT, uma das licenças de software mais livres, e traz o texto completo. Mas a ficha técnica da versão na nuvem, de agosto, fala em termos de produto da Microsoft e do GitHub, e a licença MIT do repositório oficial cobre o software e a documentação. O blog e a página do catálogo não usam a palavra MIT. O mais seguro é dizer que a licença é MIT segundo o catálogo, e não como regra geral.

A segunda é o download sem conta. A página do catálogo pede login para começar. O único indício de que dá para baixar sem conta é um roteiro publicado nos comentários do llama.cpp por um usuário sem vínculo identificado com a Microsoft. Não há declaração oficial.

Também houve uma divergência de datas. A Microsoft disse em 7 de outubro que já dava para baixar o modelo, mas dois sites, o Kingy AI e o Muddaser, conferiram no dia seguinte e não acharam o link. A entrada no catálogo só foi aprovada em 8 de outubro.

O desempenho, segundo a Microsoft

A Microsoft divulgou resultados em dois testes de programação: o SWE-bench Verified, que mede a resolução de problemas reais de código, e o Terminal-Bench, que mede tarefas na linha de comando.

Teste MAI 1.1 local MAI 1.1 nuvem MAI-Code-1-Flash Claude Haiku 4.5 GPT 5.4 mini GPT-OSS-120B
SWE-bench Verified 70,8% 72,6% 71,6% 69,8% 69,2% 32,0%
Terminal-Bench 2.1 66,3% 62,9% 51,7% 49,4% 60,7% 23,6%

Os números foram medidos pela própria Microsoft, no ambiente do Copilot dentro do VS Code, e não no ambiente padrão de cada teste, e não foram reproduzidos por terceiros. A versão local perde menos de dois pontos para a da nuvem no SWE-bench e foi melhor que ela no Terminal-Bench, e a empresa não explicou por quê. Na mesma tabela, a Microsoft coloca o MAI à frente de modelos pequenos da Anthropic e da OpenAI, o que também é uma medição interna. A empresa ainda diz que a versão 1.1 melhorou 22% no Terminal-Bench e 15% em tarefas da plataforma .NET em relação à versão 1.0.

O que a imprensa disse

Veículo O que relatou
The Decoder em agosto, avaliou que um modelo concorrente da DeepSeek supera o MAI-Code-1.1 em preço e desempenho
The Register num teste de ataque da empresa Adversa AI, o Copilot de linha de comando, usando o MAI-Code-1.1, caiu numa armadilha em metade das tentativas
Kingy AI não achou caminho de download nem licença própria para os arquivos no dia seguinte ao anúncio
Hacker News o anúncio da versão local teve 1 ponto e nenhum comentário no fórum

O contraste com junho é grande. Quando o MAI-Code-1-Flash foi apresentado, a discussão no Hacker News passou de 540 pontos e 255 comentários. Na época, o programador e blogueiro Simon Willison questionou a afirmação da Microsoft de que os dados de treino eram “limpos”. Já a versão local chegou quase em silêncio: até 15 de outubro, Simon Willison não tinha escrito sobre ela, e o artigo técnico do GitHub e do Windows teve 2 pontos e um comentário no fórum.

Por que importa

Rodar um modelo de IA no próprio computador tem três vantagens que a Microsoft destaca: o código não sai da máquina, não há cobrança por uso e o modelo funciona sem internet. Para empresas que lidam com código sigiloso, é uma diferença importante. O preço é o hardware: hoje, esse tipo de modelo exige computadores com muita memória.

A versão local também mostra a direção da Microsoft. Em vez de depender só de modelos de parceiros na nuvem, a empresa passa a oferecer modelos próprios que rodam nas máquinas dos desenvolvedores, dentro das suas próprias ferramentas, como o VS Code e o GitHub Copilot.

O fecho

O MAI-Code-1.1-Flash local é real, está no catálogo da Microsoft e já roda no llama.cpp. Mas ainda não é para todo mundo: exige mais de 120 GB de memória, tem licença com informações desencontradas e só chega oficialmente ao VS Code numa próxima versão. Para quem tem uma estação de trabalho potente e quer programar com IA sem mandar o código para a nuvem, é uma opção a acompanhar.

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