Desbloqueio do Switch 2: o que aconteceu, por que a Nintendo tirou um app da loja e quais são os riscos
Matéria narrada pelo Professor
Em 22 de outubro de 2026, um pesquisador de segurança divulgou o primeiro desbloqueio do Nintendo Switch 2 feito só por programa, sem nenhuma peça instalada dentro do aparelho. Ele é parcial e temporário: some quando o console é reiniciado. No mesmo dia, o aplicativo SmileBASIC 4 começou a sair da loja digital da Nintendo, segundo a imprensa especializada. A Nintendo não comentou. Este artigo explica o que se sabe, o que ainda é alegação, quais são os riscos para quem tem o console, o que diz a lei brasileira e por que, para o Switch original, não há novidade.
Desbloqueio do Switch 2 em resumo
| Item | Situação em 23/10/2026 |
|---|---|
| O que foi divulgado | Desbloqueio do Switch 2 feito só por programa |
| Quando | 22/10/2026 |
| Alcance | Parcial e temporário: desaparece ao reiniciar o console |
| Sistema em que funciona | Versão 23.0.1, a atual |
| Reação na loja | O SmileBASIC 4 começou a sair da eShop em 22/10 |
| Posição da Nintendo | Nenhuma declaração até 23/10 |
| Switch original | Nenhum fato novo encontrado |
| Desbloqueio permanente do Switch 2 | Não existe até agora |
O que aconteceu em 22 de outubro
O site americano Kotaku noticiou em 22 de outubro que o pesquisador Sammy Hajhamid, conhecido pelo apelido pepsipu, publicou o primeiro desbloqueio do Switch 2 que dispensa abrir o aparelho ou instalar um chip. Até então, o console lançado pela Nintendo em 2025 não tinha nenhum desbloqueio público desse tipo. Segundo o Kotaku, o próprio autor disse ter usado a ferramenta Codex, da OpenAI, em cerca de duas semanas de trabalho.
A palavra “desbloqueio”, nesse contexto, significa contornar as travas que a Nintendo põe no sistema para que o console só rode programas autorizados por ela. É o que o público costuma chamar de “destravar” o videogame. Os motivos de quem procura isso variam: há quem queira rodar programas caseiros, há quem queira modificar jogos, e há quem queira rodar cópias piratas, o que é ilegal.
No mesmo dia, a revista VICE publicou que o desbloqueio é temporário e não dá controle total do sistema. Um vídeo com o jogo Mario Kart World modificado circulou no X como demonstração. O site The Loadout acrescentou, em 23 de outubro, que o método funciona na versão 23.0.1 do sistema, a atual. Essa atualização, distribuída pela Nintendo no fim de setembro, só corrigia lentidão ao abrir e fechar jogos, segundo o site MP1st.
O que o desbloqueio faz e o que não faz
O ponto central, repetido por quase toda a imprensa, é que o desbloqueio é “amarrado”: ele precisa ser refeito toda vez que o console é desligado ou reiniciado. Não fica gravado no aparelho. Em linguagem simples, ele abre uma fresta por um tempo, mas não muda o videogame de forma permanente.
Segundo o Kotaku, o autor diz que a fresta já permitiria instalar programas não oficiais e copiar os próprios jogos salvos. A VICE, porém, faz uma ressalva: a demonstração divulgada não prova que todas as proteções do Switch 2 caíram. Ou seja, o que se sabe com segurança é que existe uma brecha real, temporária e limitada, e que o alcance completo dela ainda não foi demonstrado de forma independente.
Este artigo não descreve como o desbloqueio funciona, de propósito. O único detalhe técnico que entra aqui é o nome do aplicativo envolvido, porque a retirada dele da loja é, em si, uma notícia.
A retirada do SmileBASIC 4 da eShop
O SmileBASIC 4 é um aplicativo vendido na loja digital da Nintendo, a eShop, que ensina e permite programar pequenos jogos no próprio console. Segundo o site GoNintendo, ele começou a ser retirado da loja em 22 de outubro, depois que se soube que fazia parte do caminho usado no desbloqueio. O The Loadout também informou que a retirada aparenta ser decisão da Nintendo, e que a empresa não respondeu ao pedido de comentário.
Não está claro em quais países o aplicativo saiu da loja. O perfil Pirat_Nation, no X, afirmou que a retirada foi mundial. O site Nintendeal, citado pelo Windows Report, disse que foi em todas as regiões menos o Japão. A página americana do produto na loja da Nintendo passou a dar erro de página não encontrada na consulta feita pela pesquisa do Tectônica, o que é um indício de retirada, não uma prova.
A empresa que vende o SmileBASIC, a japonesa SmileBoom, não fez nenhum comentário público que tenha sido encontrado.
O que a Nintendo disse
Nada. O Kotaku procurou a empresa e não teve resposta até a publicação. O The Loadout informa que a Nintendo não explicou a retirada do SmileBASIC 4 nem anunciou uma correção do sistema. Até 23 de outubro, não havia comunicado oficial da Nintendo sobre o assunto.
Como se chegou até aqui
O Switch 2 resistiu mais de um ano sem um desbloqueio público. Segundo o site Game Overdrive, em agosto de 2026 ainda não havia nenhum desbloqueio completo conhecido, e o passo anterior, em julho, tinha sido uma falha de alcance limitado.
A Nintendo também já mostrou que reage. Segundo o Kotaku, logo depois do lançamento do console a empresa baniu usuários do Switch 2 que tinham abusado de um recurso de compatibilidade com jogos antigos. Banir, nesse caso, significa cortar o acesso do console ou da conta aos serviços online da Nintendo.
Há ainda um precedente com o próprio SmileBASIC. Segundo o Windows Report, em 2016 a primeira versão do aplicativo já tinha saído da eShop por causa de uma falha, e voltou cerca de um mês depois, corrigida. Esse histórico não garante que o mesmo vá acontecer agora, mas mostra que retirar o aplicativo e corrigir o caminho é uma resposta que a Nintendo já usou antes.
E o Switch original?
As buscas no Brasil pelo termo “desbloqueio nintendo switch” cresceram 300% num intervalo de seis horas, segundo o Google Trends. Mas a pesquisa do Tectônica não encontrou nenhum fato novo sobre o desbloqueio do Switch original nos últimos dias. A novidade é do Switch 2, e o público parece misturar os dois aparelhos na hora de buscar.
Um site chamado shattered.io publicou que uma falha no Switch original teria sido confirmada pela Nintendo. Não há confirmação disso: as notas oficiais da versão 23.0.1 listam só a correção de lentidão, e a falha citada não aparece em nenhuma outra fonte encontrada.
Os riscos para quem tem o console
Para quem usa o Switch 2 normalmente, nada muda. O desbloqueio não acontece sozinho, não aparece no uso comum e depende de um aplicativo que está saindo da loja.
Para quem pensa em desbloquear, os riscos são concretos. O primeiro é o banimento, já usado pela Nintendo no próprio Switch 2. O segundo está no contrato de uso que a Nintendo atualizou em maio de 2025: segundo o site Engadget, o texto passou a permitir que a empresa deixe o aparelho “permanentemente inutilizável, no todo ou em parte” se o usuário violar as regras, o que inclui modificações não autorizadas. Na prática, um console desbloqueado pode perder o acesso aos serviços online ou até deixar de funcionar.
O terceiro risco é perder a garantia e o suporte, já que o uso fora das regras do fabricante abre espaço para a recusa de atendimento.
O que diz a lei brasileira
No Brasil, a Lei de Direitos Autorais, a 9.610 de 1998, trata do assunto no artigo 107. Ele diz que quem altera, suprime ou inutiliza um dispositivo técnico usado para impedir a cópia de uma obra responde por perdas e danos. É uma punição civil: a pessoa pode ser obrigada a indenizar.
Além disso, usar ou distribuir cópias piratas de jogos pode configurar o crime de violação de direito autoral, previsto no artigo 184 do Código Penal. A diferença importa: desbloquear e piratear não são a mesma coisa, mas o desbloqueio costuma ser o primeiro passo para a pirataria, e é aí que o risco jurídico aumenta.
Cuidado com o “Switch 2 desbloqueado” à venda
Com a notícia, é provável que apareçam anúncios de “Switch 2 desbloqueado” em sites de venda e redes sociais. O Game Overdrive recomenda desconfiar desses anúncios, que podem ser golpe ou levar ao banimento do aparelho comprado. O próprio desenho do desbloqueio divulgado em 22 de outubro reforça o alerta: como ele some ao reiniciar, não existe console “desbloqueado de fábrica” com esse método. Quem vende um aparelho assim está, no mínimo, prometendo algo que o desbloqueio conhecido não entrega.
Alegações que ainda não foram confirmadas
| Alegação | Quem afirma | Situação |
|---|---|---|
| O desbloqueio seria "completo" | TechTimes | Não confirmada; VICE, Kotaku e The Loadout descrevem um desbloqueio parcial e temporário |
| Retirada do SmileBASIC 4 no mundo todo | Perfil Pirat_Nation, no X | Não confirmada pela Nintendo |
| Retirada em todas as regiões, menos o Japão | Nintendeal, citado pelo Windows Report | Não confirmada pela Nintendo |
| Uma falha no Switch original "confirmada pela Nintendo" | shattered.io | Não confirmada; não aparece nas notas oficiais da versão 23.0.1 nem em outra fonte |
| Daria para instalar programas não oficiais e copiar jogos salvos | O autor do desbloqueio, segundo o Kotaku | Declaração do autor; a VICE ressalta que a demonstração não prova a queda de todas as proteções |
Onde as fontes divergem
A data do desbloqueio aparece como 22 de outubro no The Loadout e no Kotaku, mas um relato técnico citado pelo site tbreak tem data de 18 de outubro, segundo o resumo do buscador. O alcance também diverge: o TechTimes fala em desbloqueio “completo”, enquanto a VICE fala em desbloqueio temporário e sem controle total do sistema. E as regiões da retirada do SmileBASIC 4 mudam conforme a fonte, como mostra a tabela acima.
O que esperar
O mais provável, segundo o The Loadout, é que a Nintendo corrija a brecha numa próxima atualização do sistema. Isso, por enquanto, é expectativa da imprensa, não anúncio da empresa. Para quem tem o Switch 2, a orientação prática é simples: manter o console atualizado pelos canais oficiais e não instalar nada de origem desconhecida.
O quadro de 23 de outubro
O Switch 2 ganhou em 22 de outubro seu primeiro desbloqueio feito só por programa, mas é uma brecha parcial, que some ao reiniciar o aparelho e depende de um aplicativo que já está saindo da loja da Nintendo. A empresa não se pronunciou. Para o dono do console, o uso normal não muda; para quem pensa em desbloquear, há risco de banimento, de ter o aparelho inutilizado pelo contrato da Nintendo e de responder pela lei brasileira. E, para o Switch original, apesar da alta nas buscas, não há fato novo.
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