Criador do God of War critica a Collector Box de God of War Laufey: “brinquedo de plástico da Temu”
Matéria narrada pelo Professor
David Jaffe, criador de God of War, atacou a caixa de colecionador de God of War Laufey, o próximo jogo da série, que sai em 16 de fevereiro de 2027. Em fala publicada em 19 de outubro de 2026, ele comparou a estátua da caixa a “um brinquedo de plástico tirado da prateleira de pechincha da Temu” e disse que a PlayStation perdeu a “alma”. A crítica se soma a uma onda de reclamações: a Collector Box custa US$ 149,99, não traz o jogo e não será vendida no Brasil, e o próprio God of War Laufey divide os fãs ao tirar Kratos do papel de protagonista e colocar em seu lugar Faye, a mãe de Atreus. Este artigo explica o que é a caixa, o que disseram Jaffe, a imprensa e os fãs, o que defende a Sony e quem é o homem que criou Kratos.
A Collector Box
| Item | Dado oficial |
|---|---|
| Nome | Collector Box |
| Preço | US$ 149,99, € 149,99 ou £ 129,99 |
| Inclui o jogo? | não: "jogo vendido separadamente", diz a arte oficial |
| Estátua | Faye com luz, de 8 polegadas (cerca de 20 cm), com Phranque e Rue contra soldados de Begtse |
| Extras | baralho oracular de 51 cartas ilustrado por Megan Lara e mini artbook |
| Pré-venda | 13 de outubro de 2026, uma por pedido, em "quantidades muito limitadas" |
| Onde vende | só na loja direta da PlayStation, em EUA e países da Europa; o Brasil não está na lista |
| Entrega | 16 de fevereiro de 2027 |
Os dados vêm do PlayStation Blog, em texto de 28 de setembro de 2026. O cubo Phranque da estátua acende quando ligado a uma fonte USB. A PlayStation não informa o material no blog; segundo o Canaltech, o Beebom e o OtakuPT, a estátua é de resina.
O que disse David Jaffe
A fala de Jaffe chegou à imprensa em 19 de outubro, publicada pelos sites Playfront e Tech4Gamers. Segundo o Playfront, ele comparou a estátua a “um brinquedo de plástico tirado da prateleira de pechincha da Temu”, o site chinês de produtos baratos, e disse que, na PlayStation de sua época, um produto assim provocaria “um motim absoluto no prédio”.
“Tínhamos brigões nos corredores da PlayStation, na Santa Monica, na Naughty Dog, em Foster City”, disse, segundo o Playfront, referindo-se a funcionários que barravam o que não estivesse à altura. “Os brigões foram silenciados, se esgotaram ou saíram do prédio.” E completou: “No fundo, todos servimos ao público. Isso não está à altura dos fãs, da marca e de nós mesmos.”
Para o Tech4Gamers, Jaffe resumiu o problema como “falta total de supervisão criativa, a falha em dizer ‘não, isso não está bom o suficiente'”. “Estou triste porque sinto falta da alma de uma empresa que representava grandeza”, afirmou. Na mesma fala, ele criticou de novo God of War: Sons of Sparta, o jogo em duas dimensões da série lançado em fevereiro, segundo o site italiano GameTimers.
Jaffe contou também um caso antigo, segundo o Playfront: máscaras de Sweet Tooth, o palhaço de Twisted Metal, feitas para uma Comic-Con, ficaram ruins; ele e o marketing suspenderam a distribuição, e o fabricante perdeu o contrato. A fonte primária da fala não pôde ser conferida: o Playfront aponta um vídeo no YouTube cujo canal não foi possível identificar.
A imprensa e os fãs
As reclamações começaram antes da fala de Jaffe, na abertura da pré-venda, em 13 de outubro. O site mexicano LevelUp escreveu que a caixa decepcionou e irritou os fãs, lembrando que a anterior da série trazia o jogo. O site francês Journal du Geek resumiu: “150 euros por uma edição de colecionador sem o jogo começa a ser demais”.
O site TheGamer observou, em 15 de outubro, que a principal crítica não era a falta do jogo, mas o rosto de Faye na estátua. “Nem parece com ela”, escreveu no X o usuário @nib95_, citado pela publicação. Nos comentários da PlayStation França, segundo o Beebom, os fãs reclamaram da ausência do disco.
No Brasil, o Canaltech comparou a caixa à de GTA 6, também vendida sem o jogo, por R$ 2.000, e o site EiNerd avaliou que o produto funciona mais como artigo de marca de luxo do que como edição especial.
O que as edições anteriores traziam
| Edição | Preço | Destaques |
|---|---|---|
| God of War (2018), Collector’s Edition | US$ 129,99 | estátua de 9 polegadas de Kratos e Atreus, mapa de tecido |
| God of War (2018), Stone Mason Edition | US$ 149,99 | tudo da anterior, mais anel e chaveiro falante do Mímir |
| God of War Ragnarök (2022), Collector’s Edition | US$ 199,99 | réplica do Mjölnir de 16 polegadas; o jogo vinha em código digital |
| God of War Ragnarök (2022), Jötnar Edition | US$ 259,99 | tudo da anterior, mais disco de vinil, broches e anel Draupnir |
| God of War Laufey (2027), Collector Box | US$ 149,99 | estátua de 8 polegadas e baralho; sem o jogo |
Os dados vêm do PlayStation Blog e, para os preços do Ragnarök, do site T3. As edições de 2018 traziam o jogo; a de 2022 trazia o jogo em código digital.
Para quem está no Brasil, a conta é ainda mais pesada. Como a caixa não é vendida no país, a única saída seria importar. Na cotação de R$ 5,22 por dólar registrada em 28 de setembro, os US$ 149,99 equivalem a cerca de R$ 783, sem frete e sem impostos de importação, e o comprador ainda precisaria pagar à parte os R$ 399,90 do jogo.
O jogo: Faye no lugar de Kratos
As críticas à caixa caem sobre um jogo que já dividia os fãs. God of War Laufey, da Santa Monica Studio, foi revelado no State of Play de 2 de junho de 2026 como “o próximo jogo da linha principal” da série. A protagonista é Faye, também chamada Laufey, a esposa de Kratos e mãe de Atreus, que nos jogos anteriores aparecia só em lembranças. A voz é de Deborah Ann Woll. Kratos deixa de ser o personagem jogável.
A história se passa no Everywhen, “a vida após a morte dos deuses”, e os planos de Faye servem “para proteger Kratos e Atreus”, segundo o PlayStation Blog. Ela luta ao lado de Phranque, um cubo cósmico com voz de Jack Quaid, e de Rue, uma fita encantada, e usa um arco novo, o Serpent Bow.
| Item | Dado |
|---|---|
| Lançamento | 16 de fevereiro de 2027, só no PS5 |
| Edição padrão no Brasil | R$ 399,90 |
| Digital Deluxe no Brasil | R$ 455,90 |
| Edição padrão nos EUA | US$ 69,99 |
Os preços vêm da PlayStation Store. A pré-venda do jogo abriu em 29 de setembro, duas semanas antes da Collector Box. Jaffe já tinha criticado o jogo na revelação. Na transmissão em que reagiu ao State of Play, disse que o jogo “parece uma porcaria” e que lembrava Forspoken, um fracasso da Square Enix, segundo o OpenCritic. Na mesma transmissão, afirmou que a Santa Monica parecia ter virado “um estúdio de produtor”, em vez de um estúdio guiado por criadores. Ao site Critical Hits, a fala foi traduzida como uma previsão de que o jogo não venderia o esperado e de que a fórmula de 2018 se esgotou.
Outras vozes pesaram. Bruce Straley, ex-diretor de The Last of Us, usou Laufey como exemplo de falta de inovação nos grandes jogos em entrevista à revista Edge, e depois pediu desculpas à equipe no X, segundo o VGC. Parte da rejeição dos fãs à troca de protagonista, segundo o OpenCritic, mira a aparência da própria personagem.
Quem defende
A Santa Monica defendeu a escolha desde o início. “Faye sempre foi uma guerreira formidável na nossa história”, escreveu o estúdio no blog oficial, ao explicar que o jogo explora “a humanidade, as forças e as falhas” da personagem. “Entendo o ceticismo. Espero que deem uma chance”, disse a diretora Ariel Lawrence ao site GameSpot, segundo o tbreak.
Em julho, na Comic-Con de San Diego, Cory Barlog, diretor do God of War de 2018, confirmou um próximo jogo principal estrelado por Kratos, ligado à história de Laufey. Christopher Judge, voz de Kratos, disse no painel que sempre achou que Faye foi “a origem da mudança de Kratos”, segundo o site 80.lv. Deborah Ann Woll declarou estar “nem um pouco abalada” com os ataques, segundo o Push Square, e o ator Vincent D’Onofrio a defendeu publicamente.
Sobre a caixa, o site GeekCulture considerou o preço bem mais razoável que o da caixa de GTA 6, e o Playfront lembrou que não dá para julgar a qualidade da estátua antes da entrega, em fevereiro de 2027. A Sony não respondeu publicamente às críticas à Collector Box nem às falas de Jaffe.
Quem é David Jaffe
| Ano | O que fez |
|---|---|
| 1994 | designer de Mickey Mania, na Sony Imagesoft |
| 1995 | co-criador de Twisted Metal, com Mike Giam |
| 2001 | diretor de Twisted Metal: Black |
| 2005 | criador e diretor de God of War, na Santa Monica Studio |
| 2007 | diretor criativo de God of War II e fundador da Eat Sleep Play |
| 2012 | Twisted Metal para PS3; sai da Eat Sleep Play por divergências criativas |
| 2017 | Drawn to Death, do seu estúdio próprio |
Os dados vêm da Wikipedia. Jaffe começou na Sony como testador e designer, e a ideia de Twisted Metal, segundo a Wikipedia, surgiu num engarrafamento numa rodovia de Los Angeles. God of War, lançado em 22 de março de 2005, vendeu mais de 4,6 milhões de cópias até 2012 e criou Kratos, o guerreiro espartano que virou um dos símbolos do PlayStation.
O nome do personagem tem uma história própria. O nome provisório de Kratos durante o desenvolvimento foi Dominus, contou Stig Asmussen, que dirigiu God of War III, à revista Game Informer em 2019; segundo ele, o marketing não gostou. A curiosidade voltou a circular nesta semana, atribuída a Jaffe por sites como o LevelUp, junto com a explicação de que o nome caiu por causa das brincadeiras da equipe com a pizzaria Domino’s.
Hoje, Jaffe comenta a indústria no seu canal no YouTube e no X, quase sempre com críticas à Sony. Em fevereiro, chamou Sons of Sparta de “uma das piores decisões” da equipe, segundo o Push Square. Em setembro, disse que Hermen Hulst, chefe dos estúdios da PlayStation, “deveria ser demitido”, segundo o site OtakuKart.
O que fica
A crítica de Jaffe pesa porque vem de quem criou Kratos, mas ela toca num ponto que a imprensa e os fãs já vinham levantando: uma caixa de US$ 149,99 sem o jogo, com uma estátua que muitos acharam abaixo do esperado, para um jogo que mudou o protagonista da série. A resposta definitiva só virá em 16 de fevereiro de 2027, quando chegarem às mãos dos fãs tanto a estátua quanto o jogo de Faye. Para o leitor brasileiro, a caixa nem é uma opção: ela não será vendida no país.
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