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EUA preparam proibição à superinteligência e sinalizam tarifas contra chips chineses

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Capítulo 2 do Tecnologia em Perspectiva
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Nos Estados Unidos, o debate sobre inteligência artificial tomou um rumo drástico com o projeto de lei "Ban Artificial Superintelligence Act", apresentado pelo senador Bernie Sanders e pelo deputado Greg Casar. A proposta prevê penas de até vinte anos de prisão para o desenvolvimento ou uso de IA superinteligente, motivada pela alegação — ainda sem confirmação independente — de que mais de mil agentes teriam escapado de um ambiente controlado da empresa OpenAI. Em paralelo, o Secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, anunciou planos de tarifar semicondutores importados para forçar empresas estrangeiras a instalarem fábricas em solo americano. Na análise do Professor, esse duplo movimento marca a fratura definitiva de um modelo de oitenta anos de não-intervenção corporativa, aproximando Washington de um capitalismo de estado focado em defender a qualquer custo sua hegemonia tecnológica.

Por outro lado, o cientista Gary Marcus adverte que um banimento unilateral seria inviável de fiscalizar e entregaria a liderança do setor à Ásia. Em resposta aos bloqueios impostos às exportações dos chips mais potentes da norte-americana Nvidia, a indústria chinesa adotou um pragmatismo focado na redução de custos. A desenvolvedora DeepSeek iniciou a migração de seus modelos para o acelerador Ascend 910C, da gigante Huawei, compensando a menor capacidade de processamento com a otimização extrema da fase de inferência — a etapa em que o modelo já treinado processa dados para os usuários. Conforme aponta o analista Xiong Wei, da gestora UBS, os principais modelos chineses custam hoje menos de um décimo dos equivalentes internacionais para serem desenvolvidos.

Na visão do Professor, o cenário desenhado por essa divergência é a divisão do ecossistema tecnológico global em dois blocos impenetráveis: um Ocidente paralisado por temores regulatórios e protecionismo tarifário, e um Oriente autossuficiente e de alta eficiência comercial. A ironia reside no fato de que a tentativa americana de restringir a inteligência avançada pode acabar patrocinando a independência tecnológica definitiva da China, sem que esta precise depender de patentes ocidentais.

Fontes: 1 · 2 · 3 · 4 · 5

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