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Jogos antigos no PC e no navegador feitos por fãs: a Nintendo derruba Rhythm Tengoku, e Need for Speed Underground 2 viraliza

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Matéria narrada pelo Professor

Versões não oficiais de jogos antigos, feitas por fãs para rodar no PC e até no navegador, se multiplicaram em outubro de 2026. Em 23 de outubro, a Nintendo pediu ao GitHub, o site onde programadores guardam e publicam código, a remoção de 21 repositórios ligados a Rhythm Tengoku. Dias antes, um projeto que roda Need for Speed Underground 2 direto no navegador, com modo online, juntou mais de mil jogadores ao mesmo tempo. Driveclub, Twilight Princess, Jak and Daxter e Tears of the Kingdom completam o quadro, cada um num estágio diferente. Este artigo explica o que é cada técnica, o que aconteceu de fato, o que ainda é rumor e quais são os riscos.

Versões de fãs em resumo

Item Situação em 24/10/2026
Fato novo Pedido de remoção da Nintendo contra 21 repositórios de Rhythm Tengoku, em 23/10
Need for Speed Underground 2 no navegador Projeto de fãs viralizou em 21 e 22/10; a EA não se pronunciou
Outros alvos recentes da Nintendo Emuladores de Switch, em 17/08 e 01/10
Twilight Princess (Dusklight) No ar, rebatizado em maio de 2026
Jak and Daxter (OpenGOAL) Jak 1 completo; Jak II e Jak 3 em fase de testes
Driveclub no PC Roda direto no PC, sem emulação; Sony sem declaração
Tears of the Kingdom Versão nativa para Mac existe; para Windows, sem data
Exigência de cópia própria Pedida por todos os projetos de PC; no caso do navegador, a imprensa relata que o site baixa os dados do jogo na primeira visita
Posição da Sony e da Naughty Dog Nenhuma declaração encontrada

Emulação, decompilação e recompilação: qual a diferença

Para entender a notícia, vale separar três técnicas que costumam aparecer misturadas.

A emulação é a mais conhecida. O computador finge ser o console, em tempo real, para rodar o jogo original sem alterá-lo. Funciona como um intérprete que traduz cada frase na hora em que ela é dita. O preço disso é desempenho: o PC precisa ser bem mais potente do que o console que imita, segundo o site XDA Developers.

A decompilação segue outro caminho. Programadores desmontam o programa do jogo e o reescrevem, peça por peça, num código que pessoas conseguem ler, até que o resultado funcione de forma idêntica ao original. Com esse código em mãos, é possível montar uma versão que roda direto no PC, sem intérprete. É o caso dos projetos de Twilight Princess e de Jak and Daxter.

A recompilação estática é o atalho mais recente. Uma ferramenta traduz de uma vez, antes de jogar, as instruções feitas para o console e gera um programa comum de computador. Seguindo a comparação, é como traduzir o livro inteiro em vez de manter um intérprete ao lado do leitor. A tradução das instruções é automática, mas imagem, som e controles ainda exigem trabalho manual.

As duas últimas técnicas produzem o que o público chama de “port nativo”: uma versão que roda no PC como se tivesse sido feita para ele. O mesmo caminho permite converter o jogo para WebAssembly, um formato que o navegador executa, e é assim que um jogo de 2004 passou a rodar numa aba do Chrome. Segundo o Kotaku e o TechSpot, ferramentas automáticas e o uso de inteligência artificial aceleraram esse tipo de projeto em outubro.

O que a Nintendo derrubou em 23 de outubro

O registro público de pedidos de remoção do GitHub mostra que, em 23 de outubro de 2026, a Nintendo pediu a retirada de 21 repositórios ligados a Rhythm Tengoku, jogo musical lançado no Japão para o Game Boy Advance. A lista inclui a decompilação principal do jogo e várias cópias dela, entre elas duas versões preparadas para PC. A página do repositório principal já aparece como indisponível por motivo legal.

No pedido, a Nintendo chama a decompilação de obra derivada não autorizada, ou seja, um trabalho feito a partir do jogo dela sem permissão. Para sustentar o argumento, cita um caso julgado nos Estados Unidos em 1998, Micro Star contra FormGen, sobre material criado em cima de um jogo de terceiros.

Não foi o primeiro movimento da empresa no ano. O mesmo registro mostra um pedido de 17 de agosto contra o emulador de Switch chamado suyu, com 311 repositórios removidos, e dois pedidos de 1º de outubro contra cópias de outros emuladores do console. Nesses casos, o argumento foi outro: segundo a Nintendo, os emuladores contornam a proteção do console usando chaves de segurança copiadas sem autorização.

Há antecedentes mais antigos. A Nintendo derrubou uma versão de Super Mario 64 para PC em maio de 2020, segundo a Nintendo Life, e uma refeitura em alta definição de Link’s Awakening DX em dezembro de 2023, segundo o registro de remoções da loja itch.io. Em 2024, o emulador Yuzu encerrou as atividades depois de um processo da empresa.

Até 24 de outubro, porém, o registro público não mostra pedido da Nintendo contra os projetos de Tears of the Kingdom ou de Twilight Princess.

Need for Speed Underground 2 no navegador

O caso que mais circulou fora do mundo Nintendo foi o de Need for Speed Underground 2, jogo de corrida da EA lançado em 2004. Um projeto de fãs chamado Underground 2 Revived passou a rodar o jogo direto no navegador, no Chrome e no Firefox, com modo online. A notícia se espalhou em 21 de outubro, segundo o site Gameplay Cassi, e em 22 de outubro o TheGamer registrou mais de mil jogadores conectados ao mesmo tempo no modo de exploração livre, com 120 quadros por segundo e tela larga.

O projeto não tem ligação com a EA, e a empresa não se pronunciou sobre ele em nenhuma das fontes consultadas. O original vendeu cerca de 11 milhões de cópias, e seus servidores oficiais foram desligados em 1º de agosto de 2006, segundo a Wikipédia. A versão de PC saiu de venda há anos.

O site do projeto usa um domínio recente, exibe anúncios e recebe doações, segundo a ANTI/HYPE. Isso não indica, por si só, nada irregular, mas pede cautela com páginas que imitam o projeto. A mesma publicação lembra que projetos parecidos já foram derrubados: a Take-Two pediu a remoção de GTA Vice City no navegador, a Activision agiu contra uma versão de Black Ops 2, a Sega derrubou o PSO Reborn em setembro e a própria EA retirou o OpenSC2K, refeitura de SimCity 2000 feita por fãs. Por isso, o site do Underground 2 pode sair do ar a qualquer momento.

Twilight Princess no PC: o Dusklight

O projeto de Twilight Princess começou com o nome Dusk e foi rebatizado de Dusklight em maio de 2026, segundo o site Zelda Universe. É fruto de decompilação e roda em Windows, Mac, Linux, Android e iOS. Não traz nenhum arquivo da Nintendo: a pessoa precisa fornecer o disco do próprio jogo.

Jak and Daxter: o OpenGOAL

O OpenGOAL existe desde 2020 e decompila a série Jak and Daxter, do PlayStation 2. Segundo a Time Extension, vista pelo buscador, Jak 1 está completo e Jak II e Jak 3 seguem em fase de testes. A orientação do projeto é não usar a versão de PC sem uma cópia comprada do jogo. Não foi encontrada declaração da Naughty Dog nem da Sony, nem pedido de remoção conhecido.

Driveclub de volta, no PC

O Driveclub foi um jogo de corrida exclusivo do PlayStation 4. A Sony o tirou da loja em agosto de 2019 e desligou os servidores em 31 de março de 2020, segundo a Game Informer. Desde então, só quem tinha o disco ou a compra digital ainda conseguia jogar, e sem o modo online.

O projeto chamado DriveClub Recomp roda o jogo direto no PC, sem emulação, com suporte a resolução até 8K e à interface gráfica Vulkan, segundo o site espanhol Geeknetic. O projeto exige o jogo do próprio usuário e não tem modo online. A Sony não se pronunciou, segundo o HW Busters, consultado pelo buscador.

Tears of the Kingdom: o que existe e o que é expectativa

O caso mais comentado nas redes é o de Zelda: Tears of the Kingdom, do Switch. Aqui é preciso separar dois projetos diferentes.

O primeiro, chamado MacNativeGames, já fez o jogo rodar como aplicativo nativo em computadores Mac com chip da Apple e em iPhone, segundo o site Notebookcheck, que relatou 90 quadros por segundo. Ele exige o jogo e as chaves de segurança extraídas do próprio console do usuário. Não existe versão dele para Windows.

O segundo é o trabalho do modder conhecido como NotRexed, que mostrou em 14 de outubro o jogo recompilado rodando num PC com Windows, entre 32 e 59 quadros por segundo numa placa RTX 4060 Ti, segundo o Wccftech. Não há versão pública. O próprio autor disse que o jogo ainda roda de forma lenta, que não vai lançar uma versão incompleta e que a estimativa era de duas a quatro semanas a partir de meados de outubro.

O que a lei diz, em termos gerais

As empresas têm tratado a questão de duas formas: a decompilação como obra derivada não autorizada, e o emulador como ferramenta que contorna a proteção do console. Segundo o XDA Developers, não existe decisão de tribunal específica sobre a recompilação.

No Brasil, a Lei 9.610, de 1998, protege programas de computador e remete à Lei 9.609, do mesmo ano. Pelo texto dessa lei, reproduzido em resumos consultados pelo buscador, o artigo 6º permite apenas exceções estreitas, como uma cópia de segurança de um exemplar comprado. Nada autoriza distribuir o programa de terceiros. Não foi encontrada decisão judicial brasileira sobre esse tipo de projeto.

Rumores e alegações sem confirmação

Alegação Quem afirma Situação em 24/10/2026
Tears of the Kingdom para PC "na próxima semana" Posts no X de 23/10 Sem data confirmada; a única referência é a estimativa de 2 a 4 semanas feita pelo autor em meados de outubro
Tears of the Kingdom nativo no PC a 120 fps em 4K Post no X de 22/10, visto pelo buscador O próprio autor do post corrigiu: a versão nativa pronta é a de Mac
Twilight Princess a 165 fps Posts no X Não confirmado por nenhuma fonte de imprensa
A Nintendo manda pedidos de remoção todos os dias contra Tears of the Kingdom Vídeo brasileiro, visto pelo buscador Nenhum pedido no registro público do GitHub cita o projeto
Driveclub em 4K a 60 fps Desenvolvedor do projeto Medição do próprio autor, sem teste independente
Underground 2 no navegador "provavelmente" feito com inteligência artificial TheGamer Suposição do site, sem confirmação

Onde as fontes divergem

No caso de Need for Speed Underground 2, a ANTI/HYPE afirma que o site entrega os dados do jogo sem pedir cópia, e o Gameplay Cassi diz que não é preciso ter nada; O Santuário Geek descreve que o site baixa os dados do jogo na primeira visita, sem instalação nem conta da EA. Nenhuma reportagem consultada registra exigência de cópia própria nesse caso. O nome do projeto de Twilight Princess aparece como Dusk e como Dusklight, porque foi trocado em maio. E sobre Tears of the Kingdom, a versão nativa já existe para Mac, mas não para Windows, o que gera confusão nas redes.

O que muda para quem joga

Nenhum desses projetos é oficial. Os de PC exigem uma cópia própria do jogo; quem não tem o jogo não tem acesso legítimo a eles. Sites e cópias que se passam pelos projetos são um risco à parte. E a remoção é uma possibilidade concreta, como mostrou Rhythm Tengoku em 23 de outubro e como já aconteceu com outros jogos no navegador.

O quadro de 24 de outubro

Outubro de 2026 consolidou uma onda de versões não oficiais de jogos antigos para PC, Mac e navegador, feitas por fãs com ajuda de ferramentas automáticas. O fato novo é a remoção de 21 repositórios de Rhythm Tengoku pela Nintendo em 23 de outubro, o terceiro pedido da empresa em pouco mais de dois meses. Need for Speed Underground 2 viralizou no navegador sem manifestação da EA. Twilight Princess, Jak and Daxter e Driveclub seguem no ar, todos exigindo o jogo original do usuário, e Tears of the Kingdom tem versão nativa só para Mac, com a de Windows ainda sem data.

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