Tablet da Amazon com Google Play: Alexa Tablet 8, 11 e 12 Pro trocam o Fire OS pelo Android 16 completo e encerram 15 anos de loja própria
Matéria narrada pelo Professor
Em 8 de outubro de 2026, a Amazon apresentou uma nova linha de tablets, os Alexa Tablets, em três tamanhos: 8, 11 e 12 polegadas, este último na versão Pro, com teclado e caneta opcionais. A grande mudança não está no hardware, mas no sistema: pela primeira vez, os tablets da empresa rodam o Android completo, na versão 16, com a loja Google Play e todos os aplicativos do Google, em vez do Fire OS, a versão modificada do Android sem os serviços do Google que a Amazon usava desde o primeiro Kindle Fire, em 2011. Os aparelhos já estão à venda nos Estados Unidos, de US$ 229,99 a US$ 679,99, com entregas a partir de 14 de outubro. Esta matéria explica o que muda, as especificações de cada modelo, a história da estratégia que a Amazon está abandonando e o que ainda não se sabe.
O que foi anunciado
O anúncio saiu no site de notícias da própria Amazon, assinado por Kevin Keith, vice-presidente de dispositivos. Não houve um evento único: a empresa vem divulgando seus lançamentos de outono aos poucos, ao longo de outubro, com novos Kindle, câmeras e uma fechadura inteligente da Ring.
A linha tem três modelos para adultos, Alexa Tablet 8, Alexa Tablet 11 e Alexa Tablet 12 Pro, e dois para crianças, os Amazon Kids Tablets, de 8,7 e 11 polegadas, apresentados um dia antes. Segundo a Amazon, os aparelhos já podem ser encomendados e começam a ser entregues em 14 de outubro nos Estados Unidos, no Canadá e no México, e em 19 de outubro no Reino Unido, na Alemanha, na França, na Itália e na Espanha. Não há informação sobre o Brasil.
Um porta-voz da empresa disse ao site TechCrunch que se trata de “linha nova, hardware novo, sistema novo”, e não de um novo nome para os tablets Fire.
Primeiro, os conceitos
Android é o sistema operacional do Google para celulares e tablets. O código básico dele é aberto, e qualquer fabricante pode usá-lo de graça. Mas a loja Google Play, o Gmail, o YouTube e o Google Maps não fazem parte desse código aberto: para incluí-los, o fabricante precisa de uma licença do Google e cumprir as regras da empresa.
Fire OS é a versão do Android que a Amazon modificou para os seus tablets e televisores, sem os serviços do Google. No lugar da Google Play, havia a Appstore da própria Amazon, com um catálogo bem menor.
Alexa+ é a nova geração da assistente de voz da Amazon, refeita sobre modelos de inteligência artificial generativa, capaz de conversas mais longas e de executar tarefas em várias etapas.
O que muda na prática
Para quem usa, a mudança é simples de explicar: os aplicativos que faltavam nos tablets da Amazon passam a existir. Nos tablets Fire, quem queria o YouTube, o Gmail, o Google Drive ou jogos que só existiam na Google Play precisava se contentar com versões para navegador ou recorrer a instalações manuais, fora das regras do sistema. Nos novos Alexa Tablets, tudo isso vem pela loja oficial.
A Amazon mantém uma tela inicial própria e seus aplicativos pré-instalados, como Prime Video, Kindle e Audible, e a Alexa+ integrada ao sistema. Ela é ativada pela voz, dizendo “Alexa”, ou por um botão na tela.
O recurso mais novo se chama On-Screen Intelligence: a Alexa consegue ler o que está aparecendo na tela e responder sobre aquilo, como resumir uma página ou comparar produtos abertos em outro aplicativo. Segundo a Amazon, o recurso vem desligado de fábrica, precisa ser ativado pelo usuário e mostra um aviso visual sempre que está em uso, uma precaução importante para um recurso que, por definição, enxerga tudo o que a pessoa vê.
As especificações
| Tablet 8 | Tablet 11 | Tablet 12 Pro | |
|---|---|---|---|
| Tela | 8,7", 1340 × 800, 60 Hz | 11", 2560 × 1600, 90 Hz | 11,95", 2800 × 1840, 120 Hz |
| Processador | MediaTek MT8189, 8 núcleos | MediaTek MT8189 | MediaTek MT8793N, 8 núcleos, 4 nm |
| Memória | 4 GB | 8 GB | 8 ou 16 GB |
| Armazenamento | 64 ou 128 GB | 64 ou 128 GB | 128 ou 256 GB |
| Câmeras | 8 MP atrás, 5 MP na frente | 8 MP atrás, 8 MP na frente | 13 MP atrás, 8 MP na frente |
| Bateria, em vídeo | até 14 h | até 15 h | até 16 h |
| Som | não informado | 2 alto-falantes Dolby Atmos | 4 alto-falantes Dolby Atmos |
| Conexões | Wi-Fi 6, Bluetooth 5.3 | Wi-Fi 6, Bluetooth 5.3 | Wi-Fi 6E, Bluetooth 5.3 |
Os três têm corpo de alumínio em peça única. Nenhum aceita cartão de memória, uma mudança em relação à tradição dos tablets Fire, que sempre permitiram ampliar o espaço com cartão.
O 12 Pro é o modelo que marca a ambição da linha. Tem 6,5 milímetros de espessura, tela de proporção 3:2, mais alta que as telas largas comuns, o que favorece leitura e trabalho com documentos, e uma opção de tela fosca, chamada Nanomatte, que reduz reflexos. A Amazon afirma que ele processa quase três vezes mais rápido e tem gráficos nove vezes mais rápidos que qualquer tablet que a empresa já vendeu. Segundo a Engadget, tem também leitor de impressão digital.
Os preços nos Estados Unidos
| Modelo | Preço inicial | Observação |
|---|---|---|
| Tablet 8 | US$ 229,99 | 64 GB, com anúncios na tela de bloqueio; sem anúncios, mais US$ 20 |
| Tablet 11 | US$ 329,99 | 64 GB, com anúncios; versão de 128 GB, mais US$ 50 |
| Tablet 12 Pro | US$ 499,99 | 8 GB e 128 GB, sem anúncios |
| Tablet 12 Pro Nanomatte | US$ 549,99 a US$ 679,99 | a versão mais cara tem 16 GB e 256 GB |
| Teclado Pro | US$ 149,99 | magnético, com trackpad, só para o 12 Pro |
| Caneta Pro | US$ 89,99 | padrão USI 2.0, 4.096 níveis de pressão |
Os preços são bem mais altos que os dos antigos tablets Fire, que chegaram a custar menos de cem dólares. Segundo o site The Next Web, Panos Panay, chefe de dispositivos da Amazon, disse à rede CNBC que a falta de chips de memória no mercado tornou complicado fazer um tablet premium a preço razoável.
Quinze anos de Fire OS
O primeiro Kindle Fire foi anunciado em 28 de setembro de 2011. Era um tablet de sete polegadas vendido a US$ 199, bem abaixo do iPad, e rodava uma versão do Android tão modificada que mal se reconhecia como tal. A estratégia era clara: vender o aparelho quase a preço de custo e ganhar dinheiro com livros, filmes, músicas e compras na Amazon. Sem os serviços do Google, o cliente ficava dentro do ecossistema da empresa.
A estratégia funcionou nas vendas, mas teve um custo permanente: o catálogo de aplicativos. Muitos desenvolvedores nunca publicaram na Appstore da Amazon, e os aplicativos do Google simplesmente não existiam ali. Os tablets Fire ganharam fama de bons para assistir vídeo e ler, e limitados para todo o resto.
Nos últimos dois anos, a Amazon foi desmontando a própria loja. Em 20 de agosto de 2025, a Appstore deixou de funcionar em celulares e tablets Android de outras marcas, ficando restrita aos aparelhos da própria Amazon. Em paralelo, a empresa criou o Vega OS, um sistema próprio baseado em Linux, estreado num aparelho de streaming da linha Fire TV. Muita gente esperava que o Vega chegasse também aos tablets. A Amazon fez o caminho oposto e adotou o Android completo.
Segundo a agência alemã DPA, Kevin Keith atribuiu a mudança a melhorias recentes do Android para telas grandes, como janelas móveis e melhor gestão de memória.
O 12 Pro e os acessórios de trabalho
Com teclado e caneta vendidos à parte, o 12 Pro é o primeiro tablet da Amazon pensado também para trabalho e estudo, e não só para consumo de vídeo e leitura.
O Teclado Pro se prende ao tablet por encaixe magnético, sem conexão Bluetooth, e tem trackpad, a superfície que faz o papel do mouse. A combinação com o Android 16, que ganhou janelas móveis e melhor suporte a telas grandes, permite usar o tablet de um jeito parecido com um notebook: dois ou três aplicativos abertos ao mesmo tempo, arrastar arquivos de um para outro, atalhos de teclado.
A Caneta Pro segue o padrão USI 2.0, um padrão aberto de canetas ativas criado por fabricantes de computadores e chips, e reconhece 4.096 níveis de pressão, o suficiente para desenho e anotações à mão com traço fino e grosso. Carrega sem fio, encostada no tablet. Nas fotos oficiais da Amazon, aparece desenhando sobre a tela do 12 Pro.
Os dois acessórios funcionam só com o 12 Pro. Os modelos de 8 e 11 polegadas ficam com o perfil tradicional dos tablets da marca: vídeo, leitura, navegação e, agora, todos os aplicativos da Google Play.
Os tablets para crianças
A linha infantil, os Amazon Kids Tablets, foi anunciada um dia antes, em 7 de outubro, em dois tamanhos, 8,7 e 11 polegadas. Segundo a Amazon, chegam também ao Japão, além dos países da linha adulta. Para os pais, a mudança de sistema traz uma questão nova: com a Google Play disponível, o controle sobre o que a criança instala passa a depender também das ferramentas de supervisão do Google, e não só das da Amazon. O anúncio não detalha como as duas camadas de controle convivem.
O que acontece com os tablets Fire
Segundo o The Next Web, que cita a CNBC, a Amazon vai deixar de fabricar os tablets Fire e promete manter o suporte por quatro anos depois da última remessa. As fontes divergem sobre se os modelos Fire continuam à venda por enquanto. Para quem já tem um, nada muda de imediato: o aparelho continua funcionando e recebendo atualizações de segurança.
O que ainda é alegação
Algumas informações circularam na imprensa sem confirmação oficial:
– uma frase atribuída a Panos Panay pelo site The Verge, segundo a qual a Google Play era uma necessidade, “ponto final”, não pôde ser verificada;
– o site 9to5Google identifica o processador do 12 Pro como um MediaTek Dimensity 8400, mas a ficha técnica oficial traz outro código, e não está confirmado que sejam o mesmo chip;
– o site AFTVnews diz que o Tablet 8 de 128 GB teria 8 GB de memória, enquanto a ficha oficial só lista 4 GB;
– uma reportagem da agência Reuters de agosto de 2025 falava num tablet Android da Amazon de codinome Kittyhawk, por cerca de US$ 400, para 2026; o lançamento coincide, mas a empresa não confirmou o codinome.
O que ainda não se sabe
– Quantos anos de atualização do Android os tablets vão receber: a Amazon diz apenas que os aparelhos vão melhorar com o tempo.
– Os termos do acordo com o Google para a licença dos serviços: nenhuma das duas empresas comentou.
– O peso dos modelos de 11 e 12 polegadas e a capacidade das baterias em mAh.
– Se haverá lançamento no Brasil, e por qual preço.
O fecho
Ao colocar a Google Play nos seus tablets, a Amazon admite o que os donos de Fire diziam havia anos: um tablet sem os aplicativos do Google é um tablet pela metade. A empresa troca uma parte do controle sobre o próprio ecossistema por um catálogo completo, e aposta que a Alexa+, e não mais a loja, será o motivo para o cliente escolher um aparelho da Amazon. O preço subiu junto com a ambição: a linha deixa de ser o tablet barato para assistir vídeo e passa a disputar espaço com os tablets Android de topo.
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