PS5 desbloqueado: o Relapse abre consoles antigos para emuladores de PS2, PS3 e Switch
Matéria narrada pelo Professor
Desde o fim de setembro de 2026, o PlayStation 5 voltou ao centro de um dos assuntos mais antigos do mundo dos videogames: o desbloqueio do console, o chamado jailbreak. Em 29 de setembro foi publicado o Relapse, uma falha que abre o PS5 por software, sem abrir o aparelho, em consoles que estão nas versões de sistema 7.00 a 13.60. Em poucas semanas, programadores independentes adaptaram emuladores, os programas que imitam outros videogames, e o PS5 passou a rodar jogos de PlayStation 2, demonstrações de PS3 e títulos de Nintendo Switch. A Sony respondeu com atualizações de sistema e não comentou o caso publicamente. Esta matéria explica o que é o Relapse, quais consoles ele alcança, o que os emuladores fazem, o que é confirmado e o que ainda é alegação, e quais são os riscos para quem tem um PS5.
O que aconteceu
| Data | Fato |
|---|---|
| 16 de setembro de 2026 | a Sony lança a versão 14.00 do sistema do PS5, fora do alcance do Relapse |
| 29 de setembro de 2026 | o Relapse é publicado, para as versões 7.00 a 13.60 |
| 1º ou 2 de outubro de 2026 | sai a versão 14.10, descrita pela Sony apenas como "correções de segurança" |
| 8 e 10 de outubro de 2026 | o emulador de PS2 ganha geração de quadros e, depois, leitura de discos físicos |
| 12 de outubro de 2026 | um disco de PS3 aparece rodando num PS5 desbloqueado, em vídeo |
| 12 e 13 de outubro de 2026 | surge o Byepervisor Reborn, que quebra uma camada mais profunda de proteção |
O que é um desbloqueio
Todo console funciona como um cofre. O sistema da Sony só deixa rodar programas assinados por ela, ou seja, jogos e aplicativos aprovados. Desbloquear o console é encontrar uma falha nesse cofre que permita rodar programas sem essa assinatura. Os programas criados por fãs e desenvolvedores independentes para rodar nesses consoles são chamados de homebrew, algo como “feito em casa”.
O Relapse, segundo a página do projeto e a cobertura do site Hardware.com.br, funciona em duas etapas, só por software. A primeira explora uma falha no navegador interno do PS5, o motor chamado WebKit. A segunda explora uma falha no núcleo do sistema, a parte que controla a memória e os programas: o sistema volta a usar um pedaço de memória que já tinha liberado, um erro clássico de programação. Não precisa abrir o console, soldar peças nem usar disco ou jogo.
O desbloqueio é temporário. Segundo o Hardware.com.br e o Decrypt, ele precisa ser refeito toda vez que o console é reiniciado. A página do projeto avisa que a etapa do navegador pode exigir várias tentativas e que a etapa do núcleo pode travar o console. Houve um relato de aparelho que precisou ser restaurado de fábrica.
Uma história de quatro anos
O Relapse não é o primeiro desbloqueio do PS5. Em 3 de outubro de 2022, o pesquisador SpecterDev publicou uma falha, também pelo navegador, para a versão 4.03 do sistema, baseada no trabalho de TheFloW, apelido do pesquisador Andy Nguyen, segundo o site XDA. Ela dava acesso à memória do console, mas não rodava jogos. Em 2024, na conferência de segurança Hardwear.io, na Holanda, SpecterDev apresentou a palestra sobre como quebrar o hypervisor do PS5 em versões até a 2.xx.
A diferença agora é o alcance. O Relapse chega a versões de julho de 2026, quase atuais, e veio acompanhado de emuladores prontos para uso. Quando ele saiu, o desenvolvedor de jogos Lance McDonald resumiu a novidade num post que dizia que um novo desbloqueio do PS5 tinha acabado de sair, segundo o Kotaku. No mesmo período, o emulador de PS3 para computador RPCSX conseguiu reproduzir no PC o menu principal do PS5, segundo o Kotaku, sem rodar jogos.
Quais consoles ele alcança
| Ponto | O que se sabe |
|---|---|
| Versões do sistema | 7.00 a 13.60 |
| Versões fora do alcance | 14.00 e 14.10 |
| Modelos | PS5 original, Slim e Pro, desde que estejam na faixa de versões |
| Volta para versão antiga | não existe forma oficial de rebaixar o sistema |
| Tipo | só software, temporário, refeito a cada reinício |
Na prática, só funciona num PS5 que não recebeu a versão 14.00, lançada em setembro; segundo o Kotaku, a última versão alcançada é a de julho de 2026. Segundo o site Cyber Security News, não há forma oficial de voltar a uma versão anterior do sistema, então quem já atualizou para a 14.00 está fora. A Tom’s Hardware registrou que jogos novos já exigem a versão 14.00 para rodar, o que obriga o dono do console a escolher entre manter o desbloqueio e jogar os lançamentos.
A página do projeto credita a falha do núcleo a Sonic_Iso, a falha do navegador a Jordy, o desenvolvimento a ntfargo e ufm42 e os testes a Dr. Yenyen, com ajuda de nomes conhecidos da cena, como TheFloW e Flatz. O projeto se declara voltado a pesquisa de segurança e educação e cita o banimento de conta entre os riscos.
O PS5 rodando PlayStation 2
O emulador que mais chamou atenção é o PS5SX2, uma adaptação do PCSX2, o emulador de PS2 mais conhecido do computador, feita por um desenvolvedor que assina como Sword. Segundo a página do projeto e o Hardware.com.br, ele roda jogos com resolução interna até 6 vezes maior que a do PS2, entrega imagem em 4K e, com ajustes, leva alguns jogos de 30 para 60 quadros por segundo.
O desenvolvimento foi feito num PS5 Pro, e a diferença de potência aparece: segundo a página do projeto, Shadow of the Colossus chega a 53 a 55 quadros por segundo no Pro nas resoluções mais altas e fica lento no PS5 comum. Nos testes de setembro, 108 jogos chegaram a iniciar, sem garantia de que funcionem do começo ao fim.
A versão 2.00, de 8 de outubro, trouxe geração de quadros experimental, que cria quadros intermediários para deixar a imagem mais fluida, resolução até 8 vezes maior no PS5 Pro, partidas online e pacotes de texturas em alta definição, segundo o site espanhol Profesional Review. A geração de quadros entrega à televisão até 120 quadros por segundo, mas o jogo continua rodando internamente a 30 ou 60.
Dois dias depois, a versão 2.01 passou a aceitar discos físicos de PS2: o emulador copia o disco para o armazenamento do console e inicia o jogo, segundo o Kotaku e o eTeknix. Há uma limitação de hardware: a leitora do PS5 não lê CD. Ficam de fora os jogos de PS2 em CD, os de fundo azul, e todos os de PS1. Segundo o Kotaku, o assistente de IA Claude aparece como um dos três contribuidores do projeto no GitHub.
Switch, PS3 e Xbox
| Plataforma | O que existe | Situação |
|---|---|---|
| Nintendo Switch | ProsperoEden, adaptação do emulador Eden, em fase alfa | Cuphead a 60 quadros por segundo e Metroid Dread até 40, segundo o PCGuia; alguns jogos param na tela inicial |
| PlayStation 3 | RPS5S3, versão de teste sem código público | vídeo de Gran Turismo 5 rodando a partir do disco, segundo o Kotaku |
| Xbox na nuvem | PSBox Cloud Gaming, do brasileiro RafaelNGP | não é emulador: transmite os jogos do Xbox Cloud a até 1080p e 60 quadros, segundo o Hardware.com.br |
| Xbox 360 e Xbox original | demonstrações em posts no X | sem versão pública |
O caso do PS3 tem um detalhe: o PS5 nunca rodou jogos de PS3, nem pela leitora. Ver um disco de Gran Turismo 5 iniciando num PS5, ainda que numa versão de teste, foi o que mais chamou atenção na imprensa especializada.
E o Linux?
O PS5 também roda Linux, o sistema operacional livre, mas por outro caminho. Segundo o site GamingOnLinux, o projeto ps5-linux funciona no PS5 original e no Slim nas versões de sistema 3.00 a 7.61, usando falhas antigas, e não o Relapse. O projeto informou que não vai suportar a versão 8.00 em diante.
Também em outubro surgiu o Byepervisor Reborn, que quebra o hypervisor, a camada de proteção que fica abaixo do próprio sistema do PS5, nas versões 13.60 e 13.20. Segundo o Wccftech, os próprios autores disseram que ele ainda não tem utilidade para usuários comuns: é uma base para desenvolvedores.
O que ainda é alegação ou rumor
| Informação | Quem diz | Situação |
|---|---|---|
| Um usuário foi banido da PSN, com conta e console, depois de conectar um PS5 desbloqueado | grupo não oficial numa rede social | caso isolado, post original apagado, sem confirmação da Sony |
| A versão 14.10 é obrigatória para entrar na PSN | post num fórum do Reddit | a Sony não declarou isso; a nota oficial fala só em segurança |
| A Sony notificou uma loja pirata para sair do ar | um usuário no X | nem a Sony nem os desenvolvedores confirmaram |
| Jogos recentes rodam pirateados na versão 13.60 | usuários do Reddit | contradiz relatos de que esses jogos exigem a versão 14.00 |
| GTA 6 vai exigir a versão 14.10 ou superior | vazamento com base no banco de dados da PS Store | rumor; Rockstar e Sony não confirmaram |
| Emulação de Wii U, 3DS, GameCube e Wii | post no X | rumor, sem demonstração verificada |
A pirataria no meio do caminho
Os emuladores pedem os jogos e o BIOS, o programa básico do console original, do próprio usuário. Mas o desbloqueio também abriu espaço para a pirataria. Segundo o Adrenaline e o site francês Next.ink, uma loja pirata chamada Overdrive, que oferecia jogos de PS5, saiu do ar entre 13 e 14 de outubro, e cópias dela apareceram em seguida. O motivo da saída não foi confirmado.
Por isso, esta matéria não indica endereços para baixar o desbloqueio, os emuladores ou jogos.
Os riscos para o dono do console
A Sony não fez nenhuma declaração pública sobre o Relapse, segundo o Cyber Security News. A resposta tem sido técnica: a versão 14.00 fechou a porta, e a 14.10 trouxe novas correções de segurança.
Os termos de uso da PlayStation Network são claros. A seção 10.6 proíbe contornar qualquer mecanismo de criptografia, segurança, proteção anticópia ou autenticação. As seções 12.2 e 12.5 permitem à Sony restringir, suspender ou encerrar a conta e o próprio console, com ou sem aviso. Um console suspenso perde os serviços online e o acesso ao conteúdo comprado; jogos em disco que não exigem internet continuam rodando.
Sobre garantia, a imprensa cita a perda como risco, mas não foi encontrado texto atual da Sony sobre o PS5. Em 2011, no PS3, a empresa afirmou que esse tipo de programa anulava a garantia, segundo o TechRadar.
A legalidade depende do país. Nos Estados Unidos, a lei de direitos autorais digitais, o DMCA, restringe contornar proteções, e em 2012 o órgão de direitos autorais do país negou uma exceção para o desbloqueio de consoles, segundo a EFF, entidade de direitos digitais. No Brasil, não foi encontrada análise jurídica específica. O caso mais próximo, de 2021, é uma decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo que mandou a Sony desbloquear um PS5 banido por compartilhamento de jogos, não por desbloqueio, segundo o Tecnoblog.
Por que o assunto mexe com os jogadores
O Decrypt ligou o desbloqueio a uma discussão maior, sobre quem é dono do que se compra. Segundo o site, em 21 de agosto de 2026 a Sony afirmou a um tribunal federal dos Estados Unidos que consumidores razoáveis não acreditam ser donos dos jogos digitais que compram. Os emuladores, por sua vez, permitem rodar no PS5 discos de PS2 e PS3 que o console nunca aceitou oficialmente.
O fecho
O Relapse é real, funciona em PS5 original, Slim e Pro nas versões 7.00 a 13.60 e já roda emuladores de PS2 com resultados impressionantes no PS5 Pro, além de demonstrações de Switch e PS3. Mas é temporário, instável em parte das tentativas e não alcança consoles atualizados, e quem atualiza perde o desbloqueio. Para quem tem um PS5 em uso diário, com conta e jogos comprados na PSN, o risco previsto nos termos da Sony inclui perder o acesso online e o conteúdo digital.
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