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RTX 5090: Nvidia teria parado de fornecer o chip às fabricantes; o que se sabe e o que é rumor

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Matéria narrada pelo Professor

Desde 10 de outubro de 2026, sites especializados noticiam que a Nvidia parou de vender às fabricantes parceiras o chip da GeForce RTX 5090, a placa de vídeo mais poderosa para jogos, para reservá-lo à linha profissional RTX PRO. A notícia se espalhou como o fim da 5090, mas a Nvidia não anunciou nada: não há comunicado, aviso de fim de vida nem resposta à imprensa, e a página oficial da placa continua no ar. O que existe é um suposto aviso de fábrica e a confirmação de um vazador. Enquanto isso, a placa sumiu das lojas americanas e chega a custar mais de R$ 34 mil no Brasil. Esta matéria separa o que é fato, o que é relato e o que é rumor, explica o papel do contrabando para a China e o que a Nvidia já diz sobre o uso de placas de jogos em servidores de inteligência artificial.

A ficha

Item GeForce RTX 5090
Lançamento janeiro de 2025
Preço sugerido nos EUA US$ 1.999, ainda registrado na página oficial
Chip GB202, arquitetura Blackwell
Núcleos CUDA 21.760
Memória 32 GB GDDR7
Consumo 575 W
Situação oficial à venda na página da Nvidia; nenhum aviso de fim de produção
Situação relatada chip GB202 não seria mais fornecido às fabricantes para montar a 5090
Menor preço no Brasil (14/10/2026) R$ 34.000, segundo o comparador GPUPrix

O que foi noticiado

Em 10 de outubro, o Tom’s Hardware, o VideoCardz, o TechPowerUp e o Wccftech publicaram a mesma informação: a Nvidia teria deixado de vender o chip GB202, o coração da RTX 5090, às empresas que fabricam as placas, como ASUS, MSI e Gigabyte. Isso valeria também para as versões chinesas da placa, a 5090 D e a 5090 D V2. Todo o GB202 passaria a ir para a linha RTX PRO, as placas profissionais para estações de trabalho, que usam o mesmo chip com muito mais memória.

A origem são duas fontes. A primeira é um suposto aviso de uma fábrica não identificada, publicado por um perfil na rede X, que diz que a Nvidia não venderá mais nenhum modelo de RTX 5090, inclusive as versões D. A segunda é o vazador conhecido como MEGAsizeGPU, que escreveu que o fim do GB202 para a 5090 estava “confirmado” e que todo o chip futuro seria exclusivo da RTX PRO. Em 12 de outubro, o TechPowerUp, citando o site taiwanês BenchLife, acrescentou que as fabricantes não recebem mais o chip para as três versões da placa.

O que a Nvidia disse

Nada. O Tom’s Hardware pediu comentário à Nvidia e não teve resposta, e nenhuma fabricante parceira se manifestou. A página oficial da RTX 5090, nos Estados Unidos e no Brasil, continua no ar, sem aviso de fim de vida, e o código da página americana ainda registra o preço sugerido de US$ 1.999.

O próprio TechPowerUp avaliou que a Nvidia provavelmente não chamaria isso de fim de vida, o termo técnico para a descontinuação formal de um produto, e sim de redirecionamento do chip. Na prática, se o relato se confirmar, as placas já montadas ainda podem ser vendidas, mas não haveria novas.

A notícia tem precedentes. Em novembro de 2025, outro boato de fim da 5090 circulou, e a Nvidia confirmou ao Wccftech que a produção estava normal. Em setembro de 2025, quando as versões Founders Edition, feitas pela própria Nvidia, sumiram do site, a empresa explicou que elas continuavam em produção e só estavam sem estoque. Em janeiro de 2026, a Nvidia disse à imprensa que seguia enviando todos os modelos GeForce, mas que a oferta de memória estava restrita.

Por que a Nvidia faria isso, segundo os relatos

Os vazamentos apontam uma razão econômica: o mesmo chip rende mais numa placa profissional. A RTX PRO 5500, por exemplo, usa os mesmos 21.760 núcleos da RTX 5090, mas com 84 GB de memória, segundo o site Adrenaline, e é vendida para empresas.

O contexto da Nvidia reforça a leitura. No resultado do trimestre encerrado em julho de 2026, publicado em 26 de agosto, a empresa faturou US$ 96,2 bilhões, dos quais US$ 89 bilhões vieram de data centers, os grandes centros de computação usados para inteligência artificial. O balanço nem traz mais uma linha separada para jogos. Somada à falta de memória que a própria Nvidia admite, a prioridade para produtos de IA e profissionais é evidente nos números, ainda que a ligação com a 5090 venha dos relatos, não de um anúncio.

O papel da China

A RTX 5090 tem uma história complicada com a China. Por causa das regras de exportação dos Estados Unidos, a versão chinesa, a 5090 D, chegou ao mercado em janeiro de 2025 com o desempenho em inteligência artificial reduzido. Em agosto de 2025 veio a 5090 D V2, com 24 GB de memória. A partir de 15 de maio de 2026, segundo o Asia Times, citando o Financial Times, foi a própria alfândega chinesa que passou a barrar a importação dessa versão, para favorecer fabricantes nacionais. O VideoCardz, em setembro, ainda tratava a V2 como vendida no país, então esse ponto tem relatos contraditórios.

O contrabando da versão completa é real e documentado:

Caso O que aconteceu
Departamento de Justiça dos EUA, 1º de outubro de 2026 Greg Lui, dono da Earthmade Computer, foi preso acusado de contrabandear mais de US$ 300 milhões em servidores para a China, via Malásia e Singapura; segundo a PCMag, a acusação lista pedidos com placas RTX 4090 e RTX 5090, além de chips de data center
Alfândega de Macau, setembro de 2026 duas RTX 5090 apreendidas junto com cigarros e fones, segundo o VideoCardz
Fábricas chinesas, desde 2025 segundo o Tom’s Hardware, retiram o chip e a memória de 5090 comuns e os soldam em placas de servidor com ventoinha do tipo turbina
MSI afirmou que nunca comercializou nem distribuiu oficialmente a RTX 5090 na China

Mesmo assim, nenhum dos vazamentos aponta o contrabando como motivo para o fim do fornecimento do chip. A razão citada é o destino mais lucrativo para o GB202. A Nvidia, em nota à PCMag sobre o caso Lui, disse que o contrabando é um mau negócio legal, econômica e tecnicamente.

Placas de jogos em servidores: o que já existe

Uma regra sobre o uso de placas de jogos em servidores de inteligência artificial já existe, mas não é uma lei. É uma cláusula da licença do driver GeForce, o programa que faz a placa funcionar. Na versão em vigor, de 25 de fevereiro de 2025, o item 2.8 diz que o software GeForce não é licenciado para uso em data center. É um contrato privado entre a Nvidia e quem usa a placa.

Do lado do governo americano, as regras tratam de exportação. O Chip Security Act, que prevê a verificação da localização de chips exportados, foi aprovado por uma comissão da Câmara dos Estados Unidos em março de 2026, mas não virou lei. Não existe norma nova que obrigue servidores de inteligência artificial a usar placas específicas.

A inteligência artificial e o preço de todas as placas

A 5090 não é a única placa que ficou mais cara. A disputa por memória entre os data centers de inteligência artificial e as placas de vídeo de consumo encareceu a série inteira. Segundo o Olhar Digital e a loja TerabyteShop, a demanda da IA pressiona a produção mundial de memória DRAM, e o custo da GDDR7, a memória usada nas placas da série RTX 50, subiu; distribuidores e importadores passaram a repassar a alta ao consumidor. A própria Nvidia admitiu, em janeiro, que a oferta de memória está restrita.

Os números mostram o tamanho do efeito.

Levantamento Resultado
3DCenter, varejo alemão, novembro de 2025 a outubro de 2026 (via Hardware.com.br) a série RTX 50 subiu em média 66%; a RTX 5090, cerca de 132%; a RTX 5060 Ti de 16 GB, cerca de 74%
Tom’s Hardware, preços da Newegg, junho a agosto de 2026 (via TerabyteShop) a RTX 5060 Ti de 16 GB subiu 39%; a RTX 5050, 5%
Olhar Digital, agosto de 2026 GeForce e Radeon podiam subir mais de 20% com a alta das memórias

O relato de que a Nvidia aumentou de 20% a 30% o preço dos kits de chip e memória vendidos às fabricantes, em julho, vem de fontes da cadeia de produção citadas pela BuySellRAM e não foi confirmado pela empresa.

O que isso significa para quem joga

Se o relato se confirmar, o efeito imediato é sobre a oferta da 5090 para o público de jogos, que já está escassa.

Mercado Situação
Estados Unidos, setembro de 2026 a placa sumiu das lojas online; vendedores terceiros cobravam de US$ 6.395 a US$ 8.699, segundo o Tom’s Hardware
Estados Unidos, outubro de 2026 a mais barata no PCPartPicker custava US$ 7.178, segundo o Club386
Marketplaces o menor preço de uma 5090 nova subiu de US$ 3.004 em agosto para US$ 4.920,99 em 11 de outubro, segundo a BuySellRAM
Brasil menor preço de R$ 34.000, com mínimo de R$ 25.556 nos últimos 12 meses, segundo o GPUPrix; o Canaltech cita modelos acima de R$ 40.000

Segundo um cliente no Reddit, lojas da rede americana Micro Center passaram a pedir documento e uma declaração de que a placa não será exportada; a empresa não confirmou.

O que pode vir depois

Rumor Fonte
Uma RTX 5080 de 24 GB viraria a GeForce mais forte no primeiro trimestre de 2027, talvez na CES BenchLife, via TechPowerUp; as fabricantes só teriam ouvido um aviso verbal
A linha RTX 50 Super foi adiada por falta de memória The Information, via Tom’s Hardware
A série RTX 60, da arquitetura Rubin, sairia entre 2027 e 2028 vazadores divergem sobre a data

Nenhum desses produtos foi anunciado pela Nvidia.

Uma leitura possível: separar o mercado de jogos do mercado de IA

Há outra forma de olhar para o relato, e ela é otimista para quem joga. Esta parte é análise, não informação da Nvidia.

A Nvidia já tentou antes separar o público de jogos de um uso industrial que disputava as mesmas placas. Em 2021, no auge da mineração de criptomoedas, a empresa lançou as placas LHR, sigla em inglês para “taxa de hash reduzida”. Segundo a AnandTech, a trava, estreada na RTX 3060 em fevereiro e estendida em maio às RTX 3080, 3070 e 3060 Ti, detectava a mineração de Ethereum e cortava o desempenho dessa tarefa pela metade. A Nvidia dizia, segundo a PC Gamer, que o objetivo era colocar mais placas GeForce, a preços melhores, nas mãos de quem joga. A trava teve limites: segundo a PCWorld, mineradores conseguiram recuperar até 70% do desempenho, e ela foi retirada depois que o Ethereum deixou de usar mineração, em setembro de 2022, segundo a Shacknews.

A cláusula da licença do driver que proíbe o uso de placas GeForce em data centers segue a mesma lógica: a placa de jogos é para jogos. E as fotos de paletes inteiros de RTX 5090 na China, que circularam em janeiro de 2026 segundo o Wccftech, mostraram que a regra sozinha não segurava o desvio.

Por essa leitura, mandar todo o chip GB202 para a linha profissional seria mais uma tentativa de dar a cada chip o seu destino: o mais caro e mais procurado pela inteligência artificial vai para as placas de empresa, vendidas como tal. E o espaço deixado pela 5090 no mercado de jogos poderia ser ocupado por uma placa intermediária, mais forte que a RTX 5080 atual e abaixo da 5090. É exatamente o que diz o rumor mais forte do momento: uma RTX 5080 com 24 GB de memória, que viraria a GeForce mais forte no primeiro trimestre de 2027. Mais adiante, a série RTX 60 seria a próxima porta a se abrir.

Nada disso foi dito pela Nvidia. É uma hipótese que se apoia em precedentes reais, como o LHR, e em rumores que ainda precisam de confirmação. Se ela se confirmar, o fim da 5090 para o público de jogos pode ser também o começo de uma linha pensada para ficar com quem joga.

Fatos, relatos e rumores em resumo

Afirmação Situação
A RTX 5090 foi descontinuada oficialmente não confirmado; não há anúncio da Nvidia
A Nvidia parou de fornecer o chip às fabricantes relato de um aviso de fábrica e de um vazador
A Nvidia explicou o motivo não; não respondeu à imprensa
O contrabando de 5090 para a China existe fato, com casos na Justiça americana e apreensões
O contrabando motivou o fim do fornecimento sem fonte
Existe lei obrigando servidores de IA a usar placas próprias não; existe uma cláusula na licença do driver GeForce
A oferta de memória está restrita fato, admitido pela Nvidia

O fecho

Até agora, o fim da RTX 5090 é uma notícia sem anúncio: vem de um aviso de fábrica e de um vazador, e a Nvidia não confirmou nem negou. O que está claro é o cenário em volta: uma empresa que fatura mais de 90% em data centers, falta de memória, contrabando para a China e uma placa que já custa várias vezes o preço sugerido. Para quem pensava em comprar uma 5090, o momento é de esperar uma posição oficial da Nvidia e ficar atento ao anúncio da próxima geração.

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