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Alibaba Cloud: os bilhões em infraestrutura e marketing e os mais de 160 serviços da nuvem chinesa que chegou ao Brasil

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Matéria narrada pelo Professor

A Alibaba Cloud, braço de computação em nuvem do grupo chinês Alibaba, é a maior empresa do setor na China e a quinta do mundo. Em fevereiro de 2025, o grupo prometeu investir pelo menos 380 bilhões de iuanes, cerca de US$ 53 bilhões, em nuvem e inteligência artificial em três anos. Desde 2017, é patrocinadora mundial dos Jogos Olímpicos, onde a sua nuvem já substituiu o satélite como principal meio de envio das imagens às emissoras. Em agosto de 2026, abriu a sua primeira região de data centers na América do Sul, em São Paulo. Esta matéria mostra onde vai esse dinheiro, como a empresa usa as Olimpíadas como vitrine, quanto o negócio cresce, quais são os principais serviços do catálogo e onde ela fica no mapa da concorrência.

A ficha

Item Alibaba Cloud
Dona grupo Alibaba, da China
Produtos mais de 160, segundo a empresa
Clientes 5 milhões em mais de 200 países e regiões, segundo a empresa
Infraestrutura 31 regiões e de 106 a 107 zonas de disponibilidade, conforme a página consultada
No Brasil região de São Paulo desde 27 de agosto de 2026, com 2 data centers
Investimento prometido pelo menos 380 bilhões de iuanes, cerca de US$ 53 bilhões, em três anos, anunciados em fevereiro de 2025
Patrocínio parceira mundial dos Jogos Olímpicos desde 2017, com contrato até 2028
Posição no mercado 1ª na China, com 37%; 5ª no mundo, com 4%
Família de modelos de IA Qwen, com mais de 460 modelos abertos, segundo a empresa

O tamanho do investimento

Em 24 de fevereiro de 2025, o grupo Alibaba anunciou que investiria pelo menos 380 bilhões de iuanes, cerca de US$ 53 bilhões, em nuvem e inteligência artificial nos três anos seguintes. Segundo a própria empresa, é mais do que tudo o que ela gastou em inteligência artificial e nuvem na década anterior. Na conferência Apsara de setembro de 2025, o grupo disse que iria além desse valor, sem anunciar um número novo.

O ritmo de gastos aparece nos balanços. No trimestre de abril a junho de 2026, o investimento em infraestrutura foi de 67,678 bilhões de iuanes, cerca de US$ 9,975 bilhões, uma alta de 75% em um ano. Segundo a Reuters, o diretor-executivo do grupo, Eddie Wu, disse que cerca de metade dos 380 bilhões já tinha sido gasta. Em janeiro de 2026, o site DatacenterDynamics, citando fonte anônima ouvida pelo portal chinês LatePost, relatou que a empresa avaliava subir o plano para 480 bilhões de iuanes; isso não foi confirmado.

Na conferência Apsara de 22 de setembro de 2026, em Hangzhou, a Alibaba apresentou a meta de passar de 20 gigawatts de capacidade de data centers até 2032, e um chip próprio, o Zhenwu V900, com produção em massa prevista para o primeiro trimestre de 2027.

As Olimpíadas como vitrine

O principal investimento de marketing global da Alibaba é olímpico. Em janeiro de 2017, em Davos, a empresa virou parceira oficial de comércio eletrônico e serviços de nuvem do Comitê Olímpico Internacional, com contrato até 2028. O valor não foi divulgado.

O patrocínio funciona como demonstração de produto. Em Paris 2024, a OBS, a emissora oficial dos Jogos, usou a plataforma OBS Live Cloud, da Alibaba, e, pela primeira vez, a nuvem substituiu o satélite como principal meio de envio remoto das imagens às emissoras. Antes dos Jogos, a previsão era de 54 emissoras e 379 sinais de vídeo pela nuvem.

Nos Jogos de Inverno de Milão e Cortina, em fevereiro de 2026, foram 39 emissoras, 428 sinais de vídeo, 26 deles em altíssima definição, e 72 sinais de áudio. O modelo de inteligência artificial Qwen passou a responder no assistente do site oficial das Olimpíadas, e um sistema de replay em 360 graus montava a cena em 15 a 20 segundos, em 17 modalidades.

Fora das Olimpíadas, a maior ação recente foi dentro da China: em fevereiro de 2026, o grupo reservou 3 bilhões de iuanes, cerca de US$ 431 milhões, em incentivos para o aplicativo Qwen durante o Ano-Novo Lunar, segundo a Reuters. Não há registro de patrocínio da Alibaba Cloud em Fórmula 1, futebol ou Copa do Mundo.

A chegada ao Brasil

A região Brasil, em São Paulo, foi anunciada em 27 de agosto de 2026, com dois data centers. É a primeira região da empresa na América do Sul. Os parceiros locais citados no anúncio são a Insi e a 4Linux, e a Alibaba prevê trazer ao país ferramentas de agentes de inteligência artificial, sem data. Segundo a empresa, a região faz parte do compromisso de US$ 53 bilhões.

O Brasil entrou numa sequência de expansões fora da China. Em fevereiro de 2025, a empresa abriu a sua primeira região no México, em Querétaro. Na conferência de setembro de 2025, anunciou os primeiros data centers no Brasil, na França e na Holanda. Em junho de 2026, inaugurou uma região em Paris e outra em Johor, na Malásia, e levou ao Japão a plataforma Model Studio, de modelos de inteligência artificial. Em agosto, chegou a vez de São Paulo.

Para entender o que isso significa, vale explicar dois termos. Uma região é um conjunto de data centers numa mesma área geográfica, onde os clientes escolhem hospedar seus sistemas. Uma zona de disponibilidade é cada data center, ou grupo de data centers, dentro da região, com energia e rede independentes, para que uma falha num deles não derrube o serviço. A região Brasil começa com duas zonas, como a do México.

Segundo o Canaltech, a chegada coloca a Alibaba em disputa direta com a Microsoft, o Google e a AWS no mercado brasileiro de inteligência artificial.

Quanto o negócio cresce

O investimento acompanha um negócio em alta. No trimestre de janeiro a março de 2026, a divisão de nuvem faturou 41,626 bilhões de iuanes, cerca de US$ 6,035 bilhões. A receita com clientes de fora do grupo cresceu 40% em um ano, e a receita de produtos de inteligência artificial cresceu três dígitos, ou seja, mais que dobrou, pelo 11º trimestre seguido. Esses produtos já respondiam por 30% da receita com clientes externos, e o número de clientes da plataforma Model Studio tinha se multiplicado por oito em um ano.

No trimestre seguinte, de abril a junho, a receita chegou a 48,437 bilhões de iuanes, cerca de US$ 7,139 bilhões, uma alta de 45%, e a inteligência artificial cresceu três dígitos pelo 12º trimestre seguido.

A partir do trimestre de junho de 2026, a nuvem passou a ser divulgada junto com a T-Head, a fabricante de chips do grupo, num segmento chamado AI Cloud and Compute Services, o que exige cuidado nas comparações com trimestres anteriores. No mesmo trimestre, os produtos de inteligência artificial renderam 12,376 bilhões de iuanes, e os chips Zhenwu já tinham mais de 650 clientes externos.

O catálogo: mais de 160 serviços

A Alibaba Cloud diz ter mais de 160 produtos de nuvem. A forma mais simples de entender um catálogo desse tamanho é pensar no que uma empresa precisa para colocar um sistema no ar.

Primeiro, máquinas para rodar os programas: é o papel do ECS, que aluga servidores virtuais pelo tempo e pelo tamanho necessários, sem que a empresa compre um computador sequer. Depois, um lugar para guardar arquivos, como fotos, vídeos e cópias de segurança: é o OSS. Os dados organizados, como cadastros de clientes e pedidos, ficam em bancos de dados, e aqui a Alibaba tem uma família inteira, do PolarDB, compatível com os bancos mais usados do mercado, aos bancos para análise de grandes volumes.

Para que o site abra rápido em qualquer lugar, entra a rede de entrega de conteúdo, a CDN, que copia as páginas e os vídeos para 3.200 pontos espalhados por mais de 70 países e regiões. Para protegê-lo, há serviços de segurança contra ataques que tentam derrubar o site, firewalls e cofres de chaves. E, para tirar valor dos dados, há ferramentas de análise em grande escala, como o MaxCompute, e de dados em tempo real, como o Flink.

Por cima de tudo isso vem a camada de inteligência artificial: o PAI, para quem quer treinar os próprios modelos, e o Model Studio, para quem quer usar os modelos Qwen prontos e montar agentes, os assistentes que executam tarefas. Os principais serviços se agrupam assim:

Área Serviço O que faz
Computação ECS servidores virtuais, contratados conforme a necessidade
Armazenamento OSS guarda arquivos sem limite de volume
Bancos de dados PolarDB banco de dados compatível com MySQL, PostgreSQL e Oracle, que separa processamento e armazenamento
Bancos de dados família ApsaraDB bancos gerenciados para transações, dados não estruturados e análise
Entrega de conteúdo CDN 3.200 pontos de distribuição em mais de 70 países e regiões
Segurança Anti-DDoS, WAF, Cloud Firewall e outros proteção contra ataques, firewall, chaves e identidade
Grandes volumes de dados MaxCompute depósito de dados para análise em grande escala
Dados em tempo real Realtime Compute for Apache Flink processa dados no momento em que chegam
Inteligência artificial PAI plataforma para preparar dados, treinar e colocar modelos em uso
Inteligência artificial Model Studio acesso aos modelos Qwen e criação de agentes
Aplicativos ACK roda aplicativos em contêineres, com Kubernetes
Aplicativos Function Compute roda código sob demanda, sem administrar servidores

Qwen, a vitrine da inteligência artificial

A família Qwen é o cartão de visitas da Alibaba em inteligência artificial. Em abril de 2025, a empresa lançou o Qwen3, com oito modelos abertos, de 0,6 bilhão a 235 bilhões de parâmetros, compatíveis com 119 idiomas. Na conferência de setembro de 2025 vieram o Qwen3-Max, com mais de 1 trilhão de parâmetros, e modelos para imagem, voz, programação e vídeo.

Em 2026, os lançamentos seguiram em ritmo acelerado. Segundo fontes especializadas, o Qwen3.5, com 397 bilhões de parâmetros, saiu como modelo aberto em fevereiro, e o Qwen3.6, em versões menores, em abril, com licença Apache 2.0, que permite uso comercial. Em agosto, a empresa abriu os pesos do Qwen3.8 na versão de 2,4 trilhões de parâmetros, sob licença própria. Abrir os pesos significa permitir que qualquer pessoa baixe o modelo e o rode na própria infraestrutura, e foi essa estratégia que levou o Qwen, segundo a agência Xinhua, a cerca de 180 mil modelos derivados e 700 milhões de downloads no Hugging Face, o maior repositório público de modelos, já em janeiro de 2026.

Segundo a página institucional da Alibaba Cloud, consultada em 17 de outubro de 2026, a empresa já publicou mais de 460 modelos abertos, que somam 3 bilhões de downloads e 300 mil modelos derivados, criados por terceiros a partir deles. Na conferência de setembro de 2026, a empresa disse que o Qwen 4 está em treinamento e que os sucessores terão de 5 a 10 trilhões de parâmetros.

O aplicativo Qwen também cresceu. Segundo a consultoria QuestMobile, no primeiro semestre de 2026 ele teve 167 milhões de usuários mensais, o segundo maior aplicativo de inteligência artificial da China, atrás do Doubao, com 382 milhões, e à frente do DeepSeek, com 130 milhões.

Onde ela fica na concorrência

Mercado Posição Fonte
Nuvem de infraestrutura na China, quarto trimestre de 2025 1ª, com 37%, à frente da Huawei, com 17%, e da Tencent, com cerca de 10% Omdia
Nuvem no mundo, primeiro trimestre de 2026 5ª, com 4%, atrás da AWS, com 28%, da Microsoft, com 21%, do Google, com 14%, e da Oracle, com 4% Synergy Research
Fora dos Estados Unidos maior provedora Synergy Research

Os números mostram as duas faces da empresa: líder com folga no mercado chinês e uma participação ainda pequena no resto do mundo, onde as americanas dominam.

O contexto dos chips pesa nessa conta. Com as restrições dos Estados Unidos à venda de chips avançados da Nvidia para a China, a Alibaba investe em processadores próprios. O Zhenwu V900, apresentado em setembro, é visto por sites especializados como a resposta à ausência da Nvidia no país.

O fecho

A Alibaba Cloud é a gigante da nuvem na China e uma concorrente em expansão no resto do mundo, agora com data centers em São Paulo. Ela investe em infraestrutura em ritmo recorde, usa as Olimpíadas como vitrine técnica e oferece mais de 160 serviços, dos servidores virtuais aos modelos Qwen. Para empresas brasileiras, a chegada da região de São Paulo significa mais uma opção de nuvem com dados hospedados no país, num mercado até aqui dominado pelas três grandes americanas.

Fontes: 1 · 2 · 3 · 4 · 5 · 6 · 7 · 8 · 9 · 10 · 11 · 12 · 13 · 14 · 15 · 16 · 17 · 18 · 19 · 20 · 21 · 22 · 23 · 24 · 25 · 26 · 27 · 28 · 29 · 30 · 31 · 32 · 33 · 34 · 35 · 36

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