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Artigos

Artigos são as leituras longas do Tectônica, narradas pelo Professor, sobre os assuntos que merecem mais de um capítulo: contexto, números, fontes e o que ainda não se sabe. Toda afirmação traz a fonte no rodapé da matéria.

2026-09-06-mercado-de-placas-de-video-capitulo-01

Artigo

Placas de vídeo em 2026: a Nvidia reina, a AMD tropeça e a Intel muda de guerra

De cada dez placas de vídeo vendidas no mundo no início de 2026, nove eram Nvidia. A AMD, que há quinze anos disputava metade do mercado, oscila entre 5% e 8%, mesmo tendo hoje a placa com melhor relação entre preço e desempenho da geração. E a Intel, que entrou na briga em 2022 e conquistou 1% com a placa barata mais elogiada do mercado, acabou de cancelar a sucessora dela para vender a mesma pastilha como acelerador de inteligência artificial. Este Aprofundamento explica como o trono ficou tão alto, por que a placa de US$ 2 mil da Nvidia custa US$ 4.700 e ninguém abandona a marca, onde a AMD errou com o consumidor e o que a Intel decidiu que quer ser. No meio, uma crise de memória que encareceu tudo e transformou uma indústria de jogos em nota de rodapé do negócio de IA.

2026-09-07-modelo-bukele-tecnologia-e-ia-capitulo-01

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O modelo Bukele: o que a tecnologia fez, o que a prisão em massa fez e o que o Brasil não consegue copiar

Em 2015, El Salvador tinha 106 homicídios por 100 mil habitantes, o país mais violento do mundo fora de uma guerra. Em 2025, teve 82 homicídios no ano inteiro, 1,3 por 100 mil, o menor índice oficial das Américas, à frente do Canadá e do Chile. O governo de Nayib Bukele atribui o resultado a uma guerra às gangues com drones, câmeras, biometria e uma prisão de 40 mil vagas vigiada por 600 câmeras. Este Aprofundamento separa o que a tecnologia fez nessa história do que fizeram um pacto secreto e o maior encarceramento em massa do planeta; conta de onde vem a inteligência artificial que os políticos prometem contra o crime, dos alvos de Gaza aos algoritmos da polícia alemã; mostra o que aconteceu com quem copiou o modelo, no Equador, em Honduras e nas câmeras de reconhecimento facial do Brasil; e explica por que a parte mais barata do modelo é a que não se exporta.

2026-09-07-ia-e-a-idade-da-pedra-capitulo-01

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“Não será a terceira guerra mundial que fará o homem voltar à idade da pedra; será a IA”

A frase circula nas redes como um aforismo novo, mas é a reescrita de uma das citações mais famosas do século 20, a do que seria a quarta guerra mundial, "com paus e pedras". A versão original falava de uma arma que destrói a capacidade de fazer armas. A versão nova fala de uma ferramenta que destrói a capacidade de pensar sem ela. Este Aprofundamento pega a frase a sério: recupera a origem da citação que ela imita, reúne o que a ciência já mediu sobre o que a IA faz com a memória, o raciocínio e o aprendizado de quem a usa, mostra onde a analogia com a idade da pedra é exata e onde é exagero, e termina com a ironia que a frase esconde: a inteligência artificial também é candidata a causar a terceira guerra mundial.

2026-09-06-rassvet-starlink-russo-capitulo-01

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A Rússia quer o seu próprio Starlink para a guerra: 32 satélites contra 11 mil

Em 4 de fevereiro de 2026, milhares de antenas Starlink usadas pelas tropas russas na Ucrânia ocupada viraram, nas palavras de um oficial ucraniano, "tijolos". A SpaceX passou a aceitar só os terminais de uma lista branca do Ministério da Defesa da Ucrânia, e o exército russo, que havia comprado antenas por intermediários em Dubai e as colocava até em drones, perdeu num dia a internet que sustentava seus assaltos. Sete semanas depois, em 23 de março, a Rússia lançou os primeiros 16 satélites operacionais do Rassvet, o seu próprio Starlink, e em julho mais 16. Este Aprofundamento conta como a Starlink virou a espinha dorsal de uma guerra, por que ela funciona no território ocupado apenas para os ucranianos e está desligada sobre a Rússia, o que é o Rassvet e por que metade dos seus satélites não chegou à órbita certa, e compara, número a número, a escala e a qualidade de um sistema com 11 mil satélites e 12 milhões de assinantes com um que hoje passa sobre a frente de batalha duas vezes por dia, por uma hora.

2026-09-06-redes-descentralizadas-capitulo-01

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A internet sem dono: por que as redes descentralizadas voltaram a importar

A internet foi desenhada, em 1964, para sobreviver a uma guerra nuclear: uma rede sem centro, em que qualquer nó pode cair sem derrubar o resto. Sessenta anos depois, ela tem centro. Meia dúzia de empresas guardam as contas, as mensagens e as fotos de bilhões de pessoas, e é justamente por isso que os governos conseguem, com uma lei ou uma ordem judicial, exigir documento na entrada, escanear conversas privadas ou desligar um país inteiro. Em resposta, uma família de tecnologias que passou vinte anos na margem, Tor, I2P, Hyphanet, IPFS, Mastodon, Bluesky, Nostr, Matrix, Briar, Meshtastic, voltou ao centro da conversa. Este Aprofundamento conta de onde essas redes vêm, por que 2026 é o ano em que elas voltaram a fazer falta, quais existem hoje, o que cada uma resolve e o que nenhuma delas resolve, e o que isso significa para um brasileiro, num país que é o quarto maior usuário do Tor no mundo e onde a Constituição proíbe o anonimato.

2026-09-05-regulacao-internet-vpns-capitulo-01

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A internet ganhou porteiros, e o mundo correu para as VPNs

Em 25 de julho de 2025, o Reino Unido passou a exigir que sites adultos e redes sociais verificassem a idade de quem entra. Em horas, os cadastros numa VPN suíça subiram 1.400%; em dias, 1.800%; um ano depois, seguem 19 vezes acima do normal, e uma fatia do tráfego britânico sai da internet por Amsterdã, Zurique e Estocolmo. O padrão se repetiu na Austrália, na Indonésia, na Flórida e no Brasil, onde a lei entrou em vigor em março. Este Aprofundamento conta como a regulação da internet, em nome das crianças, virou um movimento coordenado entre democracias, por que uma parte da opinião pública o chama de globalismo, o que a fuga em massa para as VPNs revela e esconde, e o que acontece quando os governos decidem que a próxima porta a fechar é a própria VPN.

2026-09-05-dlss-5-capitulo-01

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DLSS 5: a placa de vídeo começou a pintar por cima do jogo, e o jogo revidou

Em 16 de março, Jensen Huang chamou o DLSS 5 de "momento GPT dos gráficos". Em 48 horas, a internet chamou de "AI slop". Em agosto, o código vazou dentro de um jogo de basquete e uma comunidade de modders o enfiou em dezessete jogos, em placas de quatro gerações, em DirectX 9 e num emulador de PlayStation 2. Em 3 de setembro, o recurso saiu oficialmente, num jogo só, cortando o desempenho das placas mais caras do mundo pela metade. Esta é a história completa de uma tecnologia que muda o que uma placa de vídeo faz: em vez de calcular a imagem que o jogo pediu, ela passa a imaginar a imagem que o jogo deveria ter.

2026-09-03-ucrania-guerra-moderna-capitulo-01

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Ucrânia e a guerra moderna: da limitação nasceu a genialidade

Quatro anos e meio depois da invasão em grande escala, a Ucrânia não venceu a guerra — mas reescreveu o manual dela. Sem homens de sobra, sem mísseis americanos suficientes e com o maior exército da Europa do outro lado, o país transformou drones de hélice de plástico em moeda de guerra, fabricou um míssil de cruzeiro numa fábrica de amigos sem passado militar, sitiou a Crimeia sem pisar nela e passou a ensinar aliados da OTAN a se defender. Este Aprofundamento mostra como a escassez virou método, o que isso já produziu de concreto e onde termina o fato e começa o cenário.

2026-09-02-hubs-agregadores-de-ia-capitulo-01

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A pegadinha dos hubs de IA: dez modelos pelo preço de um, com “tokens infinitos” — por que essa conta não fecha

Toda semana surge um novo aplicativo prometendo ChatGPT, Claude, Gemini e Grok juntos, numa assinatura só, por menos do que custa um deles — às vezes por um pagamento único e vitalício, às vezes com a palavra "ilimitado" no anúncio. A oferta parece o triunfo do consumidor sobre as gigantes. Este Aprofundamento mostra o que custa cada palavra que um modelo escreve, por que nem os donos das máquinas conseguem fechar essa conta e onde, exatamente, o "ilimitado" some das letras miúdas.

2026-08-31-bitcoin-capitulo-01

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Bitcoin: de experimento anônimo a ativo de trilhões — o que ele é, o que não é e o que ainda pode ser

Em 2008, no meio da pior crise financeira em oitenta anos, alguém que nunca foi identificado publicou nove páginas descrevendo um dinheiro sem banco. Dezessete anos depois, esse dinheiro é negociado por fundos de Wall Street, foi moeda oficial de um país, alimentou golpes bilionários e sobreviveu a todos os obituários. Este Aprofundamento percorre o Bitcoin inteiro — origem, mecânica, promessas, fraudes, volatilidade, rastreabilidade, custódia e ciclos — para responder à pergunta que importa: ele é a moeda do futuro, ou o ouro de uma era que ainda não decidiu o que quer dele?

2026-08-31-lei-de-moore-capitulo-01

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A Lei de Moore: a profecia que virou cronograma — e o que sobra dela hoje

Em 1965, um químico de 36 anos escreveu um artigo de quatro páginas prevendo que a quantidade de componentes num chip dobraria todo ano. A previsão valia para uma década e virou o relógio de sessenta anos da indústria mais consequente do mundo. Esta é a história de como uma observação virou contrato — e do que exatamente quebrou quando ela começou a falhar.

2026-08-31-historia-do-vale-do-silicio-capitulo-01

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A história do Vale do Silício: do pomar ao arsenal da guerra digital

Oitenta anos atrás, o lugar era um tapete de pomares chamado Vale das Delícias do Coração. Hoje é a maior concentração de poder tecnológico do planeta — e o material que lhe deu nome virou o recurso mais disputado da geopolítica, à frente do petróleo. Esta é a história de como a areia aprendeu a pensar: dos laboratórios ao mercado, da garagem de Jobs ao contrato de Gates com a IBM, da academia que inventou o futuro à guerra digital que o disputa agora.

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