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Mineração de criptomoedas em 2026: Zcash, Monero e Pearl dão lucro, e o bitcoin sai do pior momento

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Matéria narrada pelo Professor

A mineração de criptomoedas voltou a dar lucro em 2026, mas não onde a maioria imagina. As máquinas mais rentáveis de outubro são as feitas para o Zcash e o Monero, puxadas por uma alta de preço que multiplicou o valor do Zcash por mais de 15 em um ano. Na placa de vídeo, a novidade é a Pearl, uma moeda lançada em abril. O bitcoin, a maior de todas, atravessou o pior período já registrado para quem vive de minerá-lo e só agora começa a se recuperar; as grandes mineradoras ganham dinheiro de verdade alugando seus galpões para a inteligência artificial. E o Ethereum não pode mais ser minerado desde 2022. Este artigo mostra onde está o lucro, quanto ele depende do preço da energia e do preço da moeda, e o que muda para quem está no Brasil, com os números de outubro de 2026.

Em resumo

Moeda ou quem minera Situação em outubro de 2026
Zcash e Monero as máquinas mais lucrativas do momento, com margem alta que depende de um preço que subiu muito e já recua
Pearl, na placa de vídeo rende mais que as outras moedas de placa de vídeo, mas a receita já caiu pela metade e a moeda é nova
Ethereum não é mais minerado desde setembro de 2022
Rede do bitcoin recuperação depois do pior semestre da história para a receita dos mineradores
Mineradoras de bolsa voltando a cobrir o custo de caixa, mas com o lucro concentrado no aluguel de data centers para IA
Minerador doméstico no Brasil prejuízo com bitcoin na tarifa residencial

O que é minerar e o que é hashprice

Minerar uma criptomoeda é colocar computadores especializados para disputar o direito de registrar o próximo bloco de transações da rede. No bitcoin, o exemplo mais conhecido, funciona assim. Quem vence a disputa recebe moedas novas, a recompensa, mais as taxas pagas por quem fez as transações. Essas máquinas se chamam ASIC, sigla para circuito integrado feito para uma única tarefa, e consomem muita energia.

Desde o halving de 20 de abril de 2024, quando a recompensa foi cortada pela metade, cada bloco paga 3,125 bitcoins. O próximo corte está previsto pela CoinWarz para 7 de abril de 2028.

Para medir se a atividade compensa, o setor usa o hashprice: quanto um petahash por segundo de capacidade de cálculo rende por dia, em dólares, antes de pagar a conta de luz. Ele sobe quando o preço do bitcoin sobe e cai quando mais máquinas entram na disputa, porque a rede fica mais difícil.

Onde está o lucro: Zcash e Monero

Em outubro de 2026, as máquinas mais lucrativas do ranking da ASIC Miner Value eram as feitas para o Zcash e o Monero, duas criptomoedas focadas em privacidade. O Antminer Z15 Pro, de Zcash, rendia US$ 53,33 por dia e lucrava US$ 46,66 com energia a 10 centavos de dólar, segundo o site em 23 de outubro.

O motivo é o preço. Segundo a Luxor, o Zcash chegou perto de US$ 1.698 em 27 de setembro de 2026; um ano antes valia US$ 72. Com o Zcash a US$ 1.185, em 13 de outubro, a margem bruta dessas máquinas era de 90%, e o investimento se pagava em 6 a 11 meses. O mesmo relatório registra que o preço já tinha caído cerca de 30% desde o pico. Esse lucro depende de um preço que subiu mais de 15 vezes em um ano e se move rápido nas duas direções, e as máquinas encomendadas hoje só chegam entre dezembro de 2026 e março de 2027, segundo o anúncio da ASIC Miner Value.

Placa de vídeo: o fim do Ethereum e a chegada da Pearl

A mineração com placa de vídeo, popular até 2022, praticamente acabou quando o Ethereum mudou de sistema, e o ETH deixou de ser minerável. Em 15 de setembro de 2022, no evento chamado Merge, a rede passou a funcionar por prova de participação, em que não há mineração, e o consumo de energia caiu cerca de 99,95%, segundo o site oficial do Ethereum.

O que sobrou rende pouco. Uma RTX 4090 lucra US$ 0,46 por dia no NiceHash, antes de descontar a energia. A exceção é a Pearl, uma moeda lançada em abril de 2026: o WhatToMine estima US$ 9,05 por dia para a mesma placa. Segundo o Tom’s Hardware, porém, a receita de uma RTX 5090 com a Pearl já tinha caído pela metade, e a liquidez de uma moeda tão nova ainda é incerta.

Bitcoin: o pior semestre da história

Com o bitcoin, a história de 2026 é outra. O primeiro semestre foi duro para quem minera. Segundo dados da Luxor citados pela Bitplanet, junho teve hashprice médio de US$ 30,37 por petahash por dia, julho de US$ 31,21 e março de US$ 31,27. Foram as três piores médias mensais já registradas. Para comparação com o próprio setor, a média de 2025 tinha sido de US$ 50,68, segundo a CoinShares.

O motivo foi a queda do preço. O bitcoin começou 2026 perto das máximas, tocou US$ 96.278 em 15 de janeiro, segundo a Luxor, e fechou o segundo trimestre a cerca de US$ 58.400, segundo a CoinShares. Ao mesmo tempo, as taxas pagas pelas transações quase sumiram: em setembro foram só 0,63% de tudo o que os mineradores receberam, o 15º mês seguido abaixo de 1%, também segundo a Luxor. Na prática, quase toda a receita depende da recompensa fixa de 3,125 bitcoins por bloco.

Com preço baixo e recompensa cortada, a conta não fechou. “O segundo trimestre de 2026 empurrou o setor de mineração listado em bolsa para baixo do ponto de equilíbrio de caixa, no agregado”, escreveu a CoinShares no relatório de 15 de setembro.

A recuperação de setembro e outubro

O bitcoin se recuperou no terceiro trimestre: subiu 41,8% e fechou setembro a US$ 83.687, segundo a Luxor. O hashprice acompanhou. Em setembro, a média foi de US$ 39,33, a maior desde janeiro, com nove dias acima de US$ 40. No começo de outubro passou de US$ 41, segundo o Bitcoin.com, e em 23 de outubro estava em US$ 36,67, com o bitcoin perto de US$ 82 mil, segundo a Hashrate Index.

A disputa também ficou mais difícil. Em 16 de outubro, a dificuldade da rede subiu 5,92%, para 140,58 trilhões, o maior aumento desde março, segundo o Bitcoin.com. Isso significa que mais máquinas voltaram a ligar, e cada uma passa a ganhar uma fatia menor.

Na avaliação da CoinShares, com o hashprice perto de US$ 38 a maioria das mineradoras de bolsa voltou para cima do ponto de equilíbrio de caixa. É uma recuperação estreita: o equilíbrio depende do custo da energia e da eficiência da máquina, medida em joules gastos para cada terahash calculado. Pelos números da Luxor citados pela Bitplanet, com hashprice de US$ 30, uma frota de 14 a 19 joules por terahash só empatava com energia a até 7,4 centavos de dólar por quilowatt-hora; com máquinas menos eficientes, de 25 a 38 joules por terahash, o limite caía para 3,9 centavos.

Quanto custa produzir um bitcoin

A CoinShares calculou o custo de produção de cada empresa no segundo trimestre de 2026. O custo de caixa é o que sai do bolso para operar; o custo total inclui também o desgaste das máquinas e outras despesas.

Empresa Custo de caixa por bitcoin Custo total por bitcoin
Bitdeer US$ 57.377 US$ 89.737
IREN US$ 60.480 US$ 141.593
CleanSpark US$ 70.452 US$ 135.691
Riot US$ 74.911 US$ 113.499
MARA US$ 85.893 US$ 163.866
Core Scientific US$ 106.655 US$ 101.597
TeraWulf US$ 174.727 US$ 327.553
Cipher US$ 216.783 US$ 353.168

A média ponderada do custo de caixa foi de US$ 75.500, com o bitcoin terminando aquele trimestre perto de US$ 58.400. Mesmo com o bitcoin acima de US$ 80 mil em outubro, a maior parte dessas empresas continua com custo total acima do preço de cada moeda.

Os balanços mostram o mesmo quadro. A MARA teve receita de US$ 174,9 milhões no segundo trimestre, queda de 27%, e prejuízo de US$ 611,3 milhões, segundo o The Block. A Riot informou custo de US$ 49.912 por bitcoin sem contar a depreciação e de US$ 90.631 contando, acima do valor de cada moeda no período, e vendeu 4.300 bitcoins para financiar a operação.

O dinheiro que vem da inteligência artificial

Enquanto a mineração apertava, as empresas descobriram que seus galpões, ligados a grandes contratos de energia, valem mais alugados para data centers de inteligência artificial. Segundo a CoinShares, um megawatt dedicado à IA rende cerca de US$ 1,5 milhão de lucro por ano, contra cerca de US$ 0,5 milhão na mineração.

Empresa Movimento Fonte
Riot aluguel de 191 MW por 20 anos, cerca de US$ 9,1 bilhões, entrega até junho de 2028 The Energy Mag
CleanSpark aluguel de US$ 6,6 bilhões em Sandersville comunicado da empresa
Core Scientific hospedagem para IA foi 83% da receita do segundo trimestre; mineração própria caiu 66% Forklog
IREN US$ 70,5 milhões em nuvem de IA no trimestre de junho; mineração desligada até dezembro de 2026 MarketBeat
Cipher data center Black Pearl alugado à Amazon, faturando antes do prazo Blockspace

A própria CoinShares faz a ressalva: o setor soma mais de US$ 100 bilhões em contratos de IA, mas só cerca de 550 megawatts já estavam faturando no segundo trimestre. A maior parte da receita ainda está para entrar, à medida que os galpões são convertidos.

A conta do minerador doméstico no Brasil

Para quem pensa em minerar em casa, a conta do bitcoin não fecha. O cálculo abaixo foi feito pelo Tectônica a partir de fontes públicas, com dados de outubro de 2026.

Item Valor Fonte
Máquina de referência Antminer S21, 200 TH/s, 3.500 W ASIC Miner Value
Receita diária da máquina US$ 7,36, cerca de R$ 38 ASIC Miner Value, 23/10; dólar a R$ 5,17
Consumo diário 84 kWh (3,5 kW × 24 h) cálculo
Tarifa residencial R$ 851/MWh sem impostos, cerca de R$ 1,10 por kWh com ICMS e PIS/Cofins ANEEL, via Poder360
Custo diário de energia cerca de R$ 92 cálculo
Resultado prejuízo de cerca de R$ 54 por dia, perto de R$ 1.600 por mês cálculo

Na tarifa industrial média, de R$ 694 por megawatt-hora segundo a Luxor, o prejuízo cai para cerca de R$ 20 por dia. Pela mesma conta, a máquina só empataria com energia abaixo de aproximadamente R$ 0,45 por quilowatt-hora. Além da conta de luz, o S21 faz 75 decibéis de ruído, o volume de um aspirador de pó, e esquenta o ambiente o tempo todo.

Brasil e Paraguai

O Brasil responde por cerca de 3,5 exahash por segundo, 0,35% da capacidade mundial, segundo a Luxor em abril de 2026. A maior operação citada é a da Minter, em Xique-Xique, na Bahia, com 20 megawatts e meta de chegar a 500 megawatts em 2029, segundo o LetsMoney. A empresa levantou uma rodada de investimento liderada pelo Itaú.

O vizinho Paraguai virou um polo: tem cerca de 43 exahash por segundo, 4,3% do total mundial, puxado por energia barata da estatal ANDE, que sai por volta de 4 a 5 centavos de dólar o quilowatt-hora com a cobrança de demanda, segundo a Luxor. Os contratos de energia para mineração, porém, vencem em 31 de dezembro de 2027, e a renovação ainda não está decidida.

Regras e impostos no Brasil

A Lei 14.478, de dezembro de 2022, em vigor desde junho de 2023, regula as empresas que prestam serviços com criptoativos, sob supervisão do Banco Central. Não foi encontrada regra específica para a atividade de mineração. A medida provisória que criaria uma alíquota única de 17,5% para ganhos com criptoativos caducou em outubro de 2025; segundo fontes do setor, seguem valendo a isenção para vendas de até R$ 35 mil por mês e as alíquotas de 15% a 22,5% sobre o ganho. A Receita Federal não tem manifestação específica sobre a tributação da mineração, o que torna o assunto um tema para conversar com um contador.

Cuidado com a “mineração” que promete retorno mensal

A palavra mineração aparece com frequência em golpes. A CVM, a Comissão de Valores Mobiliários, mantém alerta contra ofertas que prometem rendimentos de “10%, 20% ou até 60% ao mês”. No caso Hashcoin, a autarquia tratou a venda de cotas de mineração como contrato de investimento coletivo e suspendeu a oferta. Nos Estados Unidos, a SEC processou um esquema de mineração com mais de 380 investidores em que só 13% do dinheiro foi para a atividade.

A regra prática é simples: mineração real tem custo de energia, máquina e manutenção, e o resultado varia todos os dias com o preço e a dificuldade da rede. Promessa de retorno fixo e alto é o sinal mais claro de que algo está errado.

O que vem pela frente

As previsões abaixo são de analistas e empresas, não fatos. Estão separadas por isso.

Previsão Quem fez e quando
Com o bitcoin de volta a US$ 126 mil, o hashprice iria a cerca de US$ 59 CoinShares, via CoinDesk, 18/08/2026
Receita das mineradoras com IA acelera no segundo semestre de 2026 CoinShares, 15/09/2026
Hashprice médio de US$ 38,34 nos próximos seis meses, pelo mercado futuro Hashrate Index, setembro de 2026
Próximo ajuste de dificuldade, por volta de 28 de outubro, entre +2,95% e +14,24% pickaxe.io e Bitcoin.com, outubro de 2026
Próximo halving em 7 de abril de 2028 CoinWarz, 23/10/2026

Duas falas resumem o momento. “A mineração de bitcoin não está morrendo”, escreveu a CoinShares, no mesmo relatório que também afirma: “Uma recuperação do bitcoin dificilmente vai reverter a transição para a IA”. Do lado das empresas, Matt Schultz, presidente-executivo da CleanSpark, disse em 9 de outubro que “a demanda por energia e terreno, com a certeza de poder construir, continua implacável”.

Onde as fontes divergem

Os números do setor nem sempre batem. A capacidade total da rede aparece como cerca de 1.025 exahash por segundo em 16 de outubro, segundo o Bitcoin.com, e como 927 exahash em 18 de outubro, segundo o pickaxe.io, por diferença de método e de janela de cálculo. O hashprice de junho aparece como média de US$ 30,37 pela Luxor e como US$ 27,70 pela CoinShares, que provavelmente usou o valor do fim do mês. A Luxor também converteu a tarifa industrial brasileira de R$ 694 por megawatt-hora em cerca de 4,9 centavos de dólar, mas, com o dólar a R$ 5,17, o valor fica perto de 13 centavos.

O quadro de outubro

A mineração de criptomoedas dá lucro em outubro de 2026, mas o lucro está concentrado. As máquinas de Zcash e Monero lideram, com margens que dependem de um preço que sobe e desce rápido; na placa de vídeo, a Pearl rende mais que as alternativas, com receita em queda; o Ethereum saiu da mineração em 2022. O bitcoin saiu do fundo do poço, mas mudou de natureza: quem minera com energia industrial barata e máquinas de última geração voltou a cobrir os custos de caixa, e as grandes empresas do setor transformam seus galpões em data centers de inteligência artificial, onde cada megawatt rende três vezes mais. Para o brasileiro que pensa em ligar uma máquina de bitcoin em casa, a conta de luz residencial transforma a mineração em prejuízo diário.

Fontes: 1 · 2 · 3 · 4 · 5 · 6 · 7 · 8 · 9 · 10 · 11 · 12 · 13 · 14 · 15 · 16 · 17 · 18 · 19 · 20 · 21 · 22 · 23 · 24 · 25 · 26 · 27 · 28 · 29 · 30 · 31 · 32 · 33 · 34 · 35 · 36 · 37 · 38

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